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28/05/2015

A IDIOTICE DA MOTIVAÇÃO EMPRESARIAL



Quem quer ser motivado? Aqueles que não precisam mais de dinheiro. São para esses profissionais que o discurso da motivação surte algum efeito, e sejamos sinceros, são poucos os que de fato se alienam com o conteúdo vazio da motivação.
Quem ainda acredita que motivação substitui salário? Quais palavras motivacionais um "líder" pode usar para substituir o dinheiro que alguém necessite para sobreviver? Alguém, por exemplo, que tenha filhos, quer pagar as contas no final do mês e não receber elogios vazios e hipócritas sobre seu desempenho no trabalho.
Na intenção de conformar os funcionários e dar-lhes algum conforto diante da vida de neo-escravo que levam, muitas dessas falas simplesmente tentam esconder os baixos salários. Ao invés de expor a foto 3X4 de um funcionário em um quadro ridículo, melhor seria oferecer um bônus em dinheiro.
Um fato constrangedor nas empresas é que ninguém ou pouco se fala daquilo que realmente interessa a todo trabalhador: receber um salário poupudo - coisa rara, diga-se de passagem. É isso, as discussões sobre exploração e baixos salários não circulam livremente nos ambientes das empresas, elas são disfarçadas com falas e atitudes medíocres e cínicas advindas sobretudos daquelas que administram.
Diante de um capitalismo miserável, no qual o trabalhador vale muito pouco, a motivação cheira a esterco. Nas bancas e livrarias livros sobre motivação proliferam-se como fungos ou vermes e seus conteúdos não passam de tolas fantasias ou ficções ridiculas sobre um credo cruel e idiotizante a respeito do trabalho e da vida de milhões de pessoas. Podem até surtir algum efeito, mas são como drogas psicotrópicas, apenas dão um colorido psicodélico ao chiqueiro que são as empresas. Quando seu efeito passa, fica a ressaca.


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15/09/2013

Todo funcionário do mês é um pouco Bob Esponja

A noção de funcionário do mês é uma das noções mais horrendas e safadas já inventada pelo mundo corporativo, e para mim não há ninguém que represente tal figura melhor que o Bob Esponja.
Acredito que todos sabem quem é Bob Esponja Calça Quadrada, a esponja do mar amarela que trabalha numa lanchonete chamada Siri Cascudo, de propriedade do Seu Siriguejo, um siri-patrão que só pensa em dinheiro.
Como todos devem saber, Bob Esponja ama fazer hambúrgueres de siri. O que o torna um empregado ideal, o sonho de qualquer patrão? Vejamos algumas características desse que é sempre e em qualquer lugar o funcionário do mês.
Bob Esponja se encontra sempre disposto para trabalhar, mesmo não recebendo o miserável salário a que tem direito, ele chega até mesmo a abrir mão dele para continuar trabalhando. Tal condição vem do seu desapego às coisas materiais. Para muita gente, até para mim, essa é uma qualidade admirável, mas no mundo do mercado é uma das principais portas de entrada da exploração patrão-empregado. Todo patrão adoraria ter empregados que não pensam em dinheiro, que não pensam em possuir coisas, pois assim estariam dispostos a trabalhar apenas pelo prazer de fazer o que gostam, enquanto o patrão continuaria a engrandecer seus cofres com lucros e mais-valia. Com a mesma intensidade Bob Esponja demonstra uma imensa adoração ao lugar de trabalhos, o Siri Cascudo, a ponto de dá a própria vida por ele. É ou não outro sonho de qualquer patrão ter um empregado assim?
Mas para mim não tem como lembrar o Bob Esponja, a noção de funcionário do mês sem lembrar de Trilussa e seu poema “A focinheira”:

- Sabe que sou fiel e afeiçoado,
dizia o Cão ao Homem, e disposto a tudo,
mesmo a ser sacrificado cumprindo as suas ordens.
Isto posto, quero falar, agora, com franqueza:
a focinheira põe-me deprimido;
por que não dá-la ao Gato, que é fingido,
apático e traidor por natureza?
O Homem responde: - Mas a focinheira
lembra sempre a existência de um patrão
que te protege e, de qualquer maneira,
é quem te ampara e te garante o pão.
- Já que assim é, o dito pelo não dito!
Corrige o Cão, desculpe-me a besteira.
E, deste aí, com ar convicto,
passou a falar bem da focinheira...

Alexsandro
 
 
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06/09/2012

Os escravos modernos




Acordam todos os dias na mesma hora. Trabalham duro durante horas seguidas, seguindo um conjunto de normas e afazeres predeterminado por outros. São extorquidos física e moralmente. Obedecem ao poder público, representado, em sua maioria, por uma corja de corruptos. Enriquecem os cofres de empresários filhos da puta. Chegam ao fim do mês com pouco ou sem dinheiro algum. Vivem endividados. Com dividas que seguem acumulando. Suas algemas são as notas promissórias, o cartão de crédito, o parcelamento, o financiamento... Nem todos tem casa ou comida garantida. Não levam chibatadas, mas sofrem outras formas de castigos corporais.


Alexsandro

11/06/2012

Devotos do trabalho



O credo que alimenta nossos dias encontra-se baseado na ideia de que o trabalho melhora a vida, que por meio dele as condições de vida de homens e mulheres se tornarão melhores. Isso é apenas um credo, um dogma, não há um grama de garantia em tal promessa. Funciona como funcionaram uma vez as promessas religiosas, baseia-se na fé. E tal como a religião, o medo é um dos seus principais combustíveis. Apenas que o medo da danação eterna foi substituído pelo medo do desemprego e pela falta de um pouco de conforto em vida. Se antes a submissão a Deus representava a promessa de um paraíso, hoje a submissão ao empregador representa a nova opressão e a nova esperança de dias melhores. O amor à religião foi substituído pelo amor ao trabalho. Os santos agora são os empresários. Os padres ou pastores foram substituídos por gerentes e diretores. O empregado é o fiel devoto. A esperança de promoção no trabalho é o emblema da submissão.
De joelhos ralados segue a massa submissa cantando em coro os hinos de sua vida de rebanho.

Alexsandro