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22/09/2013

A coisa é assustadora

Há quem ache isso normal. Mas não acho que isso seja normal, não tem nada normal, pelo contrário, existem muitos problemas, e sérios. Quem frequenta as salas de aulas pelo Brasil a fora vai se deparar com as seguintes características, presentes na grande maioria das salas de aulas, repito, na grande maioria das salas de aulas. E quando digo a grande maioria, desejo enfatizar que é a maioria.
As pessoas que frequentam as salas de aulas trazem as seguintes características marcantes:

1- Sem iniciativa - não é visível nenhuma demonstração de atitudes mais criativas, são reprodutores de conhecimento e alguns, nem isso.

2- Atitudes descomprometidas - não há uma leitura consistente do mal que nos cerca, da condição humana no século XXI, neste sentido não há atitudes de solidariedade para com os demais membros da sociedade.

3- Preconceituosas - não sabem lidar com a diferença - zombam, ridicularizam a diferença e o diferente -, não sabem lidar com a individualidade, neste sentido, não demonstram respeito pelo humano, de fato, acontece justamente o contrário, há uma exacerbação de egocentrismos e rejeição ao próximo.

4- Violentas.

5- Sem valores morais consistentes .

6- Confusas na organização das ideias - possuem um conhecimento fragmentado e sem noção do seu significado, juntamente com um apego a ideias preconcebidas e preconceituosas, por conta disso não se nota nenhuma abertura para ideias novas. Carregam um monte de verdades inconsistentes ou de incertezas e nem se dão conta disso

7- Não estão contextualizadas e não sabem contextualizar o momento que vivem, muito menos o que viverão.
 
Alexsandro

15/09/2013

O interesse na educação

Há apenas dois pressupostos fundamentais na educação e no processo de ensino-aprendizagem:
O INTERESSE de quem aprende - um bom aluno é um aluno interessado. Como aluno eu preciso estar interessado.
O INTERESSE de quem ensina pelo interesse de quem aprende - um bom professor é um professor que se interessa pelo interesse do aluno interessado. Como professor eu preciso estar interessado pelo interesse do aluno interassado.
O resto é pré-requisito para justificar uma relação de dominação que se quer fazer valer.
 
Alexsandro
 
 
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Educação para a felicidade

Educação para a felicidade. Esse é um tema que mereceria nossa atenção. A escolha é entre educar para COMPETÊNCIAS ou educar para FELICIDADE. Infelizmente muitos não percebem a grande diferença que existe entre estes dois tipos de educação. Nossas escolas, e junto com elas os professores, assumiram o discurso empresarial da competência como uma verdade absoluta. O que é lamentável.
 
 
Alexsandro
 
 
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11/03/2013

Capitalismo Mundial Integrado e nossas formas de luta

O Capitalismo Mundial Integrado e sua ordem econômica estabeleceram no mundo o cruel, nefasto, arrogante, criminoso, violento e podre mandamento de vender, vender e vender – vende-se de tudo, compra-se de tudo.
O mundo virou um campo de guerra – luta-se por espaço (de mercado); concorrer virou prática comum – concorre-se por tudo. Alguns falam que isto já é a Quarta Guerra Mundial. (a Terceira foi a Guerra Fria):
- O argumento principal para justificar esta guerra é a necessidade de investir;
- O campo de batalha é o mercado;
- As armas são os arsenais financeiros;
- A meta é conquistar o mundo inteiro para transformá-lo em produto – mercadoria;
- O resultado até agora desta guerra é a morte de milhões de pessoas a cada instante.

O Capitalismo Mundial Integrado moldou-se na nossa cultura e se inscreveu em todos os cantos, todas as brechas, todas as pregas das nossas vidas. Fez simbiose com os nossos lençóis, nossas colheres e pratos. Adentrou nossos banhos. Colonizou nossos vinhos e virou nossa embriagues. Ele é o plugue dos nossos aparelhos, eletrônicos ou musculares, a poluição no ar, o som alto do carro do vizinho, as grades nas janelas, o arame farpado da cerca na chácara, o fio elétrico que corre sobre o muro, a conversa idiota daquela estudante de direito que acha que seus direitos devem ser preservados em nome da sua individualidade mesquinha e inconsequente. Ele se encontra na margarina que lambuza o pão. Ele é o pau derrotado daqueles que ejaculam em nome de um prazer sem ética ou estética (um prazer rejeitado até pelas bactérias). Ele invade os úteros para produzir filhos legítimos para a produção e o consumo. Diante dele e contra ele todas as formas de luta são aceitáveis:

Todas as formas da luta são aceitáveis. Com a condição de se inserirem num movimento coletivo que denuncie, simultaneamente, as finalidades do sistema liberal, as múltiplas conivências que este tece com o mundo jornalístico, o enclausuramento de nossas vidas na ótica unidimensional da produção-consumo, a uniformização cultural e econômica do planeta e as ações dos homens, ou aparelhos de poder, que não cessam de despolitizar os cidadãos para melhor subjugá-los. Se não, valem tanto quanto se abster. (François Brune)

Devemos ter em mente também que toda luta e todo processo de libertação começa e passa pelo corpo. Liberdade significa libertar o corpo daquilo que o amarra. Sem um corpo a liberdade não faz sentido algum. Veja, por exemplo, que muitos acham que o ciberespaço é a grande nova fronteira humana a ser explorada como espaço de libertação. Mas, infelizmente, “o ciberespaço é um espaço sem corpo. Ele é, de fato, um espaço abstrato e conceitual. Não existe cheiro nele, nem gosto, nem sentimento e nem sexo. Se qualquer uma dessas coisas existe lá, são apenas simulacros dessas coisas e não elas mesmas.” (Hakim Bey)

¿Se nos apegamos tanto a simulacros não seria justamente devido a miséria de vida que levamos no mundo “real”?  Por conta disso e mais do que nunca a reflexão de Nietzsche sobre nossos combates e nossa forma de combater nunca foi tão válida:
É preciso estudar as misérias dos homens, incluindo entre essas misérias as ideias que eles têm quanto aos meios para combatê-las.

Vejo que esse sistema não pode suportar muita coisa, dai sua fragilidade em cada canto, mas ao mesmo tempo essa é sua força de repressão, como não pode suportar muito, muda, deixa de ser e passa a ser outra coisa. ¿Quem pode combater facilmente algo assim? ¿Poderá as crianças combater o sistema? Sim, até elas podem. Não há lugar exclusivo para o combate, nem lutadores específicos. Ou, como disse uma vez Deleuze, “acredito que bastaria apenas que elas (as crianças) fossem ouvidas em seus protestos para explodir todo o conjunto do sistema de ensino”.

Gosto de acreditar que pensar também é uma forma de luta. Vejo que pensar e escrever são formas de por uma revolução em movimento. Por isso gosto desta reflexão do Saramago que diz:

"Acho que na sociedade atual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de reflexão, que pode não ter um objetivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objetivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, não vamos a parte nenhuma."


Alexsandro

04/12/2011

Lição Schopenhauereana

É preferível a solidão a companhia dos idiotas.

É duro lidar com pessoas que não entendem o valor da conquista e preferem a humilhação do suplicar por migalhas.

Há alunos que os professores passam porque são bons alunos, outros por uma razão bem simples, são ruins demais.

A cola do aluno sempre é vantajosa para o professor, ela sempre o ajuda a se livrar de um idiota.


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20/11/2011

Como um morango podre para a torta


Sempre sou questionado sobre minha trajetória acadêmica e como observo o universo universitário e escolar. Bem, por onde começa? Vejamos...
Infelizmente a maioria dos frequentadores (chamo de frequentadores porque muitos não são mais do que isso) das salas de aulas não faz a menor ideia do papel social que os tocam. Não tenho certeza, mas parto do pressuposto que para que alguém possa ser chamado de acadêmico alguns predicados essa pessoa deveria apresentar:

1. Certo esclarecimento e consciência a respeito do papel social do curso que pretendeu fazer;
2. Um pouco de disciplina monástica para ser gasta em sala e nos seus estudos extraclasse;
3. Interesse por aquilo que decidiu aprender, afinal ele decidiu aprender algo sobre algo;
4. Esclarecimento sobre o universo profissional do qual pretende fazer parte, e;
5. Paciência.

Infelizmente, viver tudo isso não é para todos. Muitos são idiotas "eletronizados", cujo cérebro ficou emergido durante algum tempo em uma panela com vinagre. Uma pandilha de gente sem um pingo de educação que tratam a aula como balada regada a música ruim.
Não, muitos não são pessoas ruins, pelo contrário. Mas são engolidos pelo hálito fedorento da mediocridade que exala um tsunami de babaquices que inunda de barulho o universo que deveria ressoar com ecos de ciências e filosofias.
Criatividade, maluquice genial, rebeldia ativa, força de vida que provoca vontade de pensar o diferente ou o que ai está? Não, nada disso é visível entre os frequentadores. Só dor, afinal eles frequentam a dor - frequentador(es). Muitos nem sabem, mas estão construindo para si um fim que só pode ser melancólico: passar o resta da vida falando mal do curso que frequentaram, com o agravante de não saberem do que estão falando.
Algumas vezes quando a coisa começa a funcionar, chega o morango podre da torta. Estão mais preocupados em bater papo em voz alta e mandar mensagens via celular do que ouvir o que está sendo discutido na sala. O pior é que tem gente que acha que é bonito ser idiota. Pena que não exista um programa tipo fotoshop para cérebros. Eu sei que é feio chutar cachorro morto, mas existem coisas que são indefensáveis e um pouco de honestidade intelectual faz muita falta.
Do lado dos professores há muitos que parecem que foram alimentados com suquinho de merda e bolacha de dejetos radioativos. Fazem das aulas um teatro para piadas que só servem para matar o tempo e frases de autoajuda que não deveriam ser pronunciadas no espaço na academia, a não ser que fossem para serem ridicularizadas.
A conclusão? Qualquer um que tenha esperança em um futuro grandioso para humanidade é porque nunca frequentou uma sala de aula, se o fizesse cortaria os pulsos com uma faca de açougueiro suja de sangue de boi. O espírito intelectual de muitos frequentadores é tão cheio de vontade de vida quanto um cadáver de frango rodando em um forno.

18/06/2011

Precisamos livrar a educação da tutela do Estado e de seus feitores

Há um aforismo do Nietzsche, presente no livro Crepúsculo dos Ídolos, na qual ele comenta sobre a educação superior alemã de sua época. O que chama atenção em tal reflexão é justamente o fato dele ter como referência a noção de educação superior, desejando nos fazer refletir, junto com ele, o que entendemos por educação superior, o que entendemos por educadores de uma educação superior. Logo no início do aforismo lemos:


O que há de principal para toda a educação superior perdeu-se na Alemanha: a finalidade tanto quanto o meio para a finalidade. Esqueceu-se do fato de que a meta é a própria educação, a própria formação, e não “o império”: o fato de que se precisava de educadores para alcançar essa meta – e não professores ginasiais e eruditos universitários...Educadores são necessários, educadores que sejam eles mesmos educados, espíritos superiores e nobres, que mostrem seu valor a cada instante, através da palavra e do silêncio, culturas que se tornaram maduras e doces. – Não estes brutescos eruditos que os ginásios e as universidades oferecem hoje em dia à juventude como “amém superior”. Faltam educadores, descontadas as exceções das exceções, a primeira condição prévia da educação: daí a decadência da cultura alemã.


a finalidade tanto quanto o meio para a finalidade: a palavra meio diz respeito a educação e esta se perdeu, está perdida, assim como a sua finalidade. Mas a que finalidade deveria servir a educação? Logo em seguida ele emenda: a meta é a própria educação, a própria formação, e não “o império”. Nietzsche, já naquela época estava informando que toda a educação existente naquele momento estava voltada não para uma formação de um “espírito superior”, mas de criaturas assujeitadas, ou sujeitas “ao império”.

15/06/2011

A neurose da felicidade

Nível cultural ou felicidade? Qual deve ser nossa primeira preocupação?
Vivemos um momento no qual a questão da felicidade virou uma neurose. Chegamos a tal ponto que confundimos felicidade com almoço de domingo e passamos grande parte do tempo discutindo conflitozinhos de adolescentes como se fossemos salvar o mundo. Será que não é chegada a hora de nos preocuparmos mais com nosso nível cultural e menos com a nossa felicidade para não cairmos na triste conclusão de que só os ignorantes são felizes? Não deveríamos primeiro multiplicar os nossos horizontes para, a partir daí, termos a possibilidade de ultrapassar a condição de subnutridos emocionais?


Alexsandro

Alvo certo

De vez em quando tenho que ouvir coisas assim: "Ah, você não diz nada com nada!" Certo dia ouvi isso de uma mulher belíssima, fiquei magoado, triste mesmo. Mas minha dor e tristeza só duraram por um momento, até vê-la passando pela minha frente de mãos dadas com um rapaz que, entre outras coisas, era dono de um dos mais limitados cérebros que já conheci (não há de minha parte a menor sobra de despeito ou rancor ou preconceito para afirmar isso). Entendi naquele momento o quanto deveria ser difícil mesmo para ela me entender.
Pois é, entendi que não são minhas palavras que não dizem nada, é simplesmente que de vez em quando elas entram em certos cérebros e encontram um vazio, ficam, assim, sem contexto.


Alexsandro

26/10/2010

A inteligente arte de não ler

Gosto muito de um pequeno artigo que li já faz um tempo - "Os cinco livros que mais me influenciaram". Ele é de fato uma entrevista na qual Derrick Jensen falar sobre livros e leituras. Interrogado sobre qual livro o fez perceber que alguma coisa estava errada com o planeta, o sistema político, o sistema econômico, etc. Assim respondeu ele:

Não foi um livro. Foi a destruição de lugar após lugar que eu amava. E foi a completa insanidade de uma cultura onde tantas pessoas trabalham em trabalhos que elas odeiam... A própria cultura me convenceu de que alguma coisa estava errada, ao ser tão extraordinariamente destrutiva da felicidade humana, e, muito mais importante, do próprio mundo.

O que ele quis dizer? Na continuação de sua argumentação ele nos faz entender, entre outras coisas, que não é qualquer leitura que faz bem ou que vale a pena. Fazer todo mundo ler pode parecer uma atitude correta, mas depende muito daquilo que será lido, caso contrário, não vai fazer muito diferença. Enfim, de nada adianta trocar o analfabetismo por outra visão estreita do mundo. Uma “boa formação” (e eu não tenho certo o que isso significa) depende também do que se lê. Por exemplo, citar um livro como "O Código Da Vinci" como referência de boa leitura não me parece uma boa postura. Tal questão já nos remete a uma arte muito estranha e pouco falada: a arte de não ler. É o filósofo Schopenhauer quem dirá:

"... no que se refere a nossas leituras, a arte de não ler é sumamente importante. Esta arte consiste em nem sequer folhear o que ocupa o grande público, o tempo todo, com panfletos políticos ou literários, romances, poemas, etc., que fazem tanto barulho durante algum tempo, atingindo mesmo várias edições no seu primeiro e último ano de vida: deve-se pensar, ao contrário, que quem escreve para tolos sempre encontra um grande público..."

Após fazer essa dura crítica, ele sugere que por conta do nosso pouco tempo, devemos voltar nosso interesse

"para as obras dos grandes espíritos de todos os tempos e de todos os povos, para os homens que se destacaram em relação ao resto da humanidade e que são apontados pela voz da notoriedade. Apenas esses espíritos realmente educam e formam os demais."

A preocupação aqui é com o fato simples que muitas vezes esquecemos, qual seja, ler livros ruins emburrece. Sobretudo quando temos claro que muitos daqueles livros só foram escritos para serem vendidos, pouco importando seus conteúdos. Ou como ele diz em forma de crítica a esse mercado editorial: “Nove décimos de toda a nossa literatura atual não possui outro objetivo senão o de extrair algum dinheiro do bolso do público.” Dizendo de outra forma, o fato de ter sido impresso não significa que seja de boa qualidade ou que mereça ser lido. O interesse financeiro, independente da qualidade, acontece abertamente.
O gesto da leitura não é um gesto fácil. O gesto da escrita não é um gesto fácil. E em um contexto que é regido pela máxima de que uma “imagem vale mais do que mil palavras”, não é fácil competir com isso, sobretudo quando ela gera o engano de se achar que "imagem" e "palavra" competem entre si, quando, de fato, uma completa a outra. Neste sentido, uma leitura se torna significativa quando temos capacidade de refletirmos sobre o que foi lido. Além do mais, há leituras que precisam de uma preparação, precisamos das chaves para abrir e fechar cada página. Assim, a crítica em forma de conselho de Schopenhauer ainda possui a mesma vitalidade de quando foi escrita a mais ou menos uns 150 anos:

“Para ler o que é bom uma condição é não ler o que é ruim, pois a vida é curta, o tempo e a energia são limitados.”

A experiência da leitura tem a ver com o sentido que damos a essa leitura. Cada linha que lemos deveria nos remeter a linhas de vida. Deveriam funcionar como um mecanismo de desentrave – um mecanismo que vai abrindo novos territórios, nos desalojando, nos tirando da zona de conformo e nos fazendo pensar e ver de uma maneira totalmente outra. Se assim não for, digo, é uma leitura inútil.
Alexsandro
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Há uma gereção do conhecimento?

1. Será que se as crianças tivessem consciência do que os seus pais estão fazendo com elas hoje, elas aceitariam de bom grado? Será que elas ficariam felizes se tivesse consciência de que estão sendo educadas para se tornarem apenas alguém capaz de ser explorado pelo mercado?

2. Toda nossa educação tem como meta o mercado? É isso? Filas e filas de educadores enchem salas de aulas para fazer essa meta ser alcançada? Será que é desse tipo de educador que realmente precisamos?

3. A decadência da nossa cultura não é exatamente porque faltam educadores ou uma educação que vislumbre outras preocupações para além do mercado?

4. O que nossas escolas conseguiram fazer conosco até hoje não foi senão um adestramento violento, tornando um crescente número de homens e mulheres apenas qualificados para serem explorados pelo mercado. É mais disso que precisamos que nossas escolas façam com as crianças? Se for, não é a nossa visão realmente muito estreita?

5. Há no Brasil alguma escola que ofereça uma educação "nobre" para as crianças? Quando falo em educação nobre quero dizer, uma educação que não seja dirigida pela mediocridade do estado ou de um empresário. Nossas escolas estão entupidas, nossos professores sobrecarregados e tornados estúpidos. Por que isso não é um escândalo?
Alexsandro
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20/10/2010

Pode parecer estranho, mas professor tem que estudar

A crença na afirmação de que ser professor é um dom, não faz mais sentido. O magistério é uma profissão e, como todas as outras, requer empenho. Isso significa que professor não funciona por inspiração, professor tem que estudar e estudar muito. Professor que não estuda, que não lê, e quando digo ler, estou falando de boas leituras, leituras teóricas dos conteúdos, deveria comprar uma corda e se enforcar (opa! escapou), digo, deveria procurar fazer outra coisa.
No momento em que escrevo esse texto ( pouco depois da meia noite), um vizinho idiota passa com o som do carro a toda altura, fazendo todos nós ouvirmos uma música também idiota, provando para todo nós o quão idiota ele é, e eu fico me perguntando, quem educou esse idiota? Esse homem obrigatoriamente passou por uma escola, pode até ter feito um curso superior, e eu pergunto: o que saiu errado? Não sei. Podemos pensar em mil respostas, inventar mil desculpas, mas uma delas infelizmente tem a ver com o nosso tipo de educação escolar e com a formação dos professores que se encontram nessas mesmas escolas.
Somos parte de uma sociedade violenta, corrupta, ignorante e infeliz. As provas estão por todos os lados, basta abrir os olhos e olhar. Nossa cultura é um desastre. Nosso sistema de ensino é medíocre. Nossa política é suja. Nossa economia é um crime. O nosso modelo de família é um poço de neuroses. E a educação escolar que deveria servir para nos tornar melhores, pessoas melhores, não está fazendo isso. De fato, o que estamos testemunhando é um roubo. As escolas estão roubando a vida das crianças e dos adolescentes. A maior parte do tempo gasto na escola é puro desperdício. Troca-se a infância pelo que? Por algo muito ruim. Milhões de crianças têm gastado milhões de horas nas escolas para se tornarem o que? Um neurótico com diploma é a mesma coisa que um neurótico sem diploma. O estudo, no modelo como ele se apresenta hoje, é puro desperdício de tempo. O que nossos anos de estudos nos fizeram compreender? Quais as coisas realmente significativas que aprendemos, a ponto de mudarmos nossa forma de ver o mundo e sua complexidade? Ou, como dirá José Ângelo Gaiarsa: “O que restou em você depois de quinze anos de perda de tempo, sentado em uma cadeira, fazendo sabe-se lá o quê? Quinze anos de tortura e tédio, cujo conteúdo poderia ser aprendido em um ano, se alguém estivesse interessado nesse sentido.”
Alexsandro
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16/10/2010

O professor entre a evidência e a prudência

Qual deve ser o papel fundamental de um professor? Alguém dirá que é ensinar. Mas ensinar o que e em qual direção? Assim, quando nos deparamos com questões do tipo: Até que ponto considera a educação um instrumento para a formação de homens sábios e virtuosos? As perguntas que devemos fazer são: O que é um homem sábio e virtuoso? E para tanto, o que deverá ser ensinado? Quem vai ensinar?
Não é minha intenção responder tais perguntas, gostaria apenas de apresentar alguns pressupostos para discussão:

1. Cabe ao professor ensinar que aquilo que assumimos como verdade tem uma história que precisa ser conhecida, analisada, criticada e, em muitos casos, destruída.
Exemplo: Hoje em dia fala-se muito em sucesso. É um discurso tido como óbvio, como verdadeiro, pois é um assunto que vemos presente na mídia, nas escolas, nas conversas cotidianas. Muitos afirmarão que é sábio buscar sucesso em todas as áreas da vida, principalmente o profissional. Mas o que é sucesso? Para que serve sucesso?
Imaginemos alguém que foi de pobre a rico, de simples mortal a celebridade, de desempregado a diretor de empresa. O que tais mudanças provocam em alguém? Quais os efeitos que mudanças assim provocam nas pessoas? São só mudanças positivas? Não sei, de fato tenho cá minhas dúvidas. Alguém pode contestar dizendo que é melhor tomar antidepressivo dentro de uma Ferrari a ficar ouvindo piadas dentro de um ônibus. Tudo bem, podemos até concordar, mas essa anedota evidência o que queremos dizer aqui: que não há sucesso sem crise e que nem todos estão preparados para as mudanças que o sucesso traz. O pressuposto básico por detrás de afirmações sobre o sucesso é o de que todos estão aptos para viver tudo e qualquer tipo de experiência que o sucesso possibilita, mas não é assim. Nem todos estão preparados para o peso e as responsabilidades da nova posição. Assim, nem tudo que é apregoado sobre o sucesso é verdadeiro e cabe a nós professores sermos os primeiros a questionar o valor de tais afirmações.

2. Um professor deve trabalhar com evidências. Um professor deve aprender ele mesmo, antes de qualquer outra coisa, a trabalhar com evidências, com fatos. Entendendo por evidência tudo aquilo que pode ser usado para provar que uma determinada informação ou afirmação é verdadeira ou falsa. Buscar sempre evidências e argumentos para sustentar o dito, o falado.
Exemplo: Acima usei a noção de sucesso afirmando que se divulga e se propaga uma idéia totalmente equivocada do seu significado. Como posso evidenciar isso? Como posso provar minha afirmação? No espaço deste pequeno texto não tenho muita possibilidade de fazê-lo de forma correta e coerente. Usarei apenas os comentários do psicanalista Jorge Forbes a respeito do assunto como forma de validar meus argumentos.
Explicando como nossa sociedade deixou de ser guiada por valores que tinham nas “hierarquias verticais” seu ponto de apoio - a hierarquia dos mais velhos sobre os mais jovens, por exemplo - e que isso trouxe como conseqüência a falta de referências. Referências que eram usadas para encontrar respostas ou apoio para suportar uma angústia que se fazia presente, Jorge Forbes aponta que agora temos as angustias, mas não sabemos o que fazer com elas. Se até bem pouco tempo valiam as afirmações do tipo: "eu sou mais velho, sei do que falo", "sou mais experiente, siga meu exemplo", hoje tais afirmações já não possuem o mesmo significado. Já não temos o “mais velho” para nos guiar. E sem guia ficamos desnorteados.
"O resultado está aí: a série que deveria ser: descoberta, sucesso, fama, dinheiro, conforto e satisfação, tem sido: descoberta, sucesso, fama, dinheiro, mulheres, drogas, violências, desastres, prisão ou ostracismo. Podemos pensar em uma explicação paradigmática, além das particularidades de cada caso, o que o mais das vezes só anda tampando o sol com a peneira: foi o pai violento, a mãe alcoólatra, as más companhias, a péssima educação, o irmão psicopata, etc. Ocorre que a saída da pobreza e do anonimato para a riqueza e a fama, subitamente, gera uma forte crise de identidade. Ter sucesso é cair fora; na palavra sucesso, tem a raiz ceder, cair. Quem tem sucesso cai fora do seu grupo habitual de pertinência. Jobim não tinha razão quando dizia que o brasileiro não desculpava o sucesso, pois nenhum povo desculpa, só variam as maneiras de demonstrá-lo. A máxima de Ortega y Gasset ainda é válida: “Eu sou eu e a minha circunstância”. E quando a minha circunstância muda abruptamente, fica a pergunta profundamente angustiante: - “Quem sou eu?”, que fundamenta a crise de identidade. Aí, com freqüência a pessoa se aliena em uma identidade forjada, aquela que fica bem na fotografia, a máscara; surge assim o mascarado. Quantos e quantos jogadores de futebol não se transformaram em mascarados diante dos nossos olhos? E a coisa não pára por aí. A máscara não é suficiente para dominar a angústia causada pelo sucesso, vindo, em seguida, um sentimento terrível de ilimitação, de poder tudo. Quer alguma coisa, compra; quer um amor, toma; quer ter razão, impõe. Esse sentimento de quebra de fronteiras pede um basta que não raramente aparece da pior forma: no insulto, no acidente, na morte. Alguns têm a sorte de passarem por um desastre controlável e depois conseguem se recuperar, carregando beneficamente a cicatriz de sua desventura, mas muitos e muitos vão e não voltam.”

3. Se tivermos de falar em virtudes, falemos da prudência. Não há mal algum no exercício de alguém que sabe mais do que outro informar o que é preciso saber e fazer, enfim, ensinar. O problema se encontra no tipo de informação que é transmitida e na forma que essa relação acaba por se configurar, ou seja, quais os efeitos de dominação que aparecerão nessa relação. Efeitos de dominação que farão com que um menino ou uma menina sejam subjugados à autoridade arbitrária de um professor.
Alexsandro
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13/07/2010

Um conto atemporal

Lançada como primeiro single do álbum Breakfast in America em 1979, "The Logical Song" (A canção lógica) é uma música da banda britânica Supertramp. Foi escrita e interpretada por Roger Hodgson.

A letra fala da perda da inocência. Critica o sistema educacional que não é centrado no conhecimento nem na sensibilidade, mas sobretudo na "lógica", no "bom senso" e na "coerência". A música fala de um homem que é retirado do ambiente encantado da infância e colocado na escola com o intuito de ser preparado para um futuro promissor, embora desprovido de qualquer espontaneidade. Enfim, um mundo que o preciona a ser um conformista. Perdido nesse mundo ela já não sabe quem é.





Quando eu era jovem,
Parecia que a vida era tão maravilhosa,
Um milagre,oh ela era tão bonita,mágica.
E todos os pássaros nas árvores,
Eles cantavam tão felizes,
Alegres,brincalhões,me olhando.
Mas aí eles me mandaram embora,
Para me ensinar a ser sensato,
Lógico,responsável,prático.
E mostraram um mundo
Onde eu poderia ser dependente,
Doente,intelectual,cínico.

Tem vezes,quando todo mundo dorme,
As questões correm profundas demais
Para um homem tão simples.
Por favor,me diga o que aprendemos
Eu sei que soa absurdo,
Mas por favor me diga quem eu sou.

Eu digo :
Agora cuidado com o que você diz,
Ou eles estarão te chamando de radical,
Liberal,fanático,criminoso
Você não vai assinar seu nome,
Gostaríamos de sentir que você é
Aceitável,respeitável,aprensentável,um vegetal !

À noite,quando todo mundo dorme,
As questões correm tão profundas
Para um homem tão simples.
Por favor,me diga o que aprendemos
Eu sei que soa absurdo,Mas por favor me diga quem eu sou.
Quem eu sou...


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23/06/2010

Como a educação fundamental influência na formação cultural de uma nação?

Eu diria que a educação fundamental influência de forma expressiva. A educação transmite os aspectos que são interessantes para manutenção da nação e eu não consigo dissociar nação de Estado, ou seja, a educação cumpre o papel que o Estado lhe dar. O Estado transmite aquilo que lhe possibilita exercer um controle mais fácil. A educação cumpre o seu papel, e o papel dela numa sociedade como a nossa é servir de mecanismo de controle – controle das ações, do saber, do pensamento, etc. Tenhamos por um momento como referência as escolas. A gente se engana quando pensa que o tipo de educação que recebemos nas escolas traz em si alguma função libertadora ou esclarecedora no sentido de tornar cada sujeito alguém capaz de entender claramente o que se passa no mundo e o que determina nossa relação com ele. É Foucault quem fala dos corpos dóceis. E as escolas funcionam como fábricas de corpos dóceis. Para que se entenda melhor, um corpo dócil é um corpo que se fábrica conforme as necessidades do Estado e do seu funcionamento. Com a utilização de certas ações disciplinares um corpo pode ser manipulado, treinado e controlado e o que temos é um corpo submisso e exercitado. Essa disciplina que produz corpos dóceis é uma forma de dominação. Por meio de métodos coercitivos, disciplinares obtém-se um corpo tanto mais obediente quanto útil. Teríamos uma sociedade diferente se não existissem escolas no formato disciplinar e docilizante. Se seria uma sociedade melhor, não há como responder.


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11/04/2010

Para não jazermos na estática do nada


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Faço minhas as palavra de um texto presente em um panfleto acadêmico que trazia as reflexões de alguém sobre seus professores e colegas de sala, sobre o processo educativo que estava vivenciando: “Lamento por alguns terem que se calar, num lugar onde deveriam dar voz! Lamento pelos que tem que aprender algo daqueles que não acreditam no que ensinam! Lamente pelos que não percebem, pelos que não se movem, pelos que não lamentam. Lamento pela “...energia abandonada...” “...a força desaproveitada...”, “...a transcendência que se não realiza...” pelos “que podendo mover milhões de mundos, jazem no estático do nada”.
Para não jazermos na estática do nada pensemos a educação como algo que tem de nos ferir e trespassar. Se aquilo que estamos estudando ou ensinando não nos acorda com uma pancada na cabeça, por que o estamos estudando ou ensinando? Porque nos faz felizes? Para encontrar felicidade? Seríamos felizes precisamente se não tivéssemos escolas ou educação. A espécie de educação que nos torna felizes é a espécie de educação que não nos desperta para nada. Nós precisamos de uma educação que nos afetem como um desastre, que nos magoem profundamente, como a morte de alguém a quem amávamos mais do que a nós mesmos, como ser banido para uma floresta longe de todos. Uma ação educativa tem que ser como um machado quebrando o mar de gelo que há dentro de nós. Uma ação educativa só vale se funcionar como uma metralhadora giratória contra a sociedade (capitalista) que nos capturou - é a educação a serviço de sua extinção, isto é, da salvação, isto é, da nossa salvação. É a educação como possibilidade de vivenciar a libertação do pensamento e da vida em ato.

Alexsandro A. Oliveira
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08/04/2010

Pequeno manual de coerência acadêmica

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Se não encontrou nenhum tema do seu interesse, veja se não está no lugar errado e enquanto isso mantenha-se em sua insignificância.

Se não tiver algum domínio sobre os temas tratados, evite comentar sobre o que desconhece, no máximo faça perguntas coerentes buscando esclarecer-se sobre o tema.

Você tem como contribuir para um melhor entendimento do tema? Ótimo. Caso contrário, evite falar ou escrever.

Se não for compartilhar nada relevante dentro do tema, fique quieto.

Sempre evite falar aquilo que os outros consideraram como descartável ou perda de tempo.

Nunca faça sermão a respeito de nenhum tema. Nunca.

Evite a todo custo falar coisas sem nexo.

Opiniões são sempre perigosas, procure sempre alguma base teórica para seus comentários. Procure evitar argumentos metafísico e incoerentes, senso comum e clichês.

Não faça os outros perderem tempo com inutilidades.

Não desvirtua o tema.

Pense varias vezes sobre suas opiniões, antes de expressá-las.


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24/03/2010

O triste militarismo do horário escolar


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O triste é comprovarmos que nossas escolas ainda seguem o esquema militar. Nossas crianças são tratadas como recrutas. Não é de hoje que advogo a tese de que as escolas no Brasil tratam mal as crianças, a começar pelo seus horários. É de extrema crueldade acorda-las cedo para irem para escola, muitas ainda chegam dormindo, outras dormem durante as aulas, ou pelo menos tentam.
É certo compreender que nossas escolas estão adaptadas aos horários de trabalhos dos pais. O que as tornam depósitos de crianças. Situação dferente de uma escola, como a do caso citado abaixo, que se preocupa com o desenvolvimento físico e mental das crianças e adolescentes.



Escola britânica muda horário das aulas e reduz faltas em 8%

Uma escola britânica que decidiu iniciar as aulas uma hora mais tarde como parte de um experimento cientifico afirma ter registrado uma queda significativa nos índices de ausência dos alunos.
A escola de ensino secundário Monkseaton High School, em Newcastle, no norte da Inglaterra, tem 800 alunos com idade entre 13 e 19 anos.
Desde outubro do ano passado, as aulas começam às 10h em vez das 9h.
A escola permanece aberta entre 8h e 17h e as aulas são dadas entre 10h e 15h40.
As observações iniciais indicam que as faltas gerais caíram 8% desde a adoção da medida. No mesmo período, as ausências persistentes tiveram uma queda de 27%.
Segundo o diretor Paul Kelley, a mudança no horário das aulas pode ajudar a criar adolescentes “mais felizes e mais bem educados”.
“Podemos ajudá-los a aprender melhor. Podemos ajudá-los a ficarem menos estressados simplesmente mudando o horário das aulas”, disse.

Relógio biológico

O diretor afirmou ainda que exames médicos já comprovaram que o adiamento no horário de início das aulas se enquadra melhor à saúde física e mental de jovens nessa faixa etária. Segundo ele, os adolescentes aprendem melhor no período da tarde.
O experimento de adiar o horário do início das aulas foi supervisionado por cientistas, que monitoraram o efeito da mudança sobre os alunos.
Um desses cientistas, o professor de neurociência da Universidade de Oxford, Russell Foster, realizou testes de memória nos alunos da escola. Segundo ele, os resultados sugerem que as lições mais difíceis devem ser ensinadas no período da tarde.
Foster afirmou ainda que o relógio biológico dos humanos pode ser alterado na adolescência – o que poderia significar que esses jovens querem acordar mais tarde não porque são preguiçosos, mas porque estariam programados para fazê-lo.
De acordo com o especialista em sono Till Roennenberg, é um “absurdo” começar as aulas cedo.
“Isso está relacionado ao modo como nosso relógio biológico se ajusta aos ciclos de claridade e escuridão. Isso claramente se torna mais tarde na adolescência”, disse.
Segundo ele, ao acordar muito cedo, os adolescentes perdem a parte mais essencial do sono.
“O sono é essencial para consolidar o que se aprendeu”, disse.
A escola afirmou que vai decidir antes do próximo ano letivo se vai dar continuidade ao programa. Os resultados finais sobre o experimento na instituição de ensino serão publicados em uma revista científica no próximo ano.

Margaret Ryan
(http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/03/100322_adolescente_sono_aula_np.shtml)


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27/02/2010

Para ler é preciso ler

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Suas pesquisas indicam que ler um livro digital não é o mesmo que no papel. Por quê?

A observação sistemática mostra que, com o e-book, as pessoas tendem a acelerar o ritmo de leitura e a absorver menos conteúdo. Isso porque a tela remete à ideia de que é preciso vencer etapas a cada instante, antes que a bateria termine ou que se perca a conexão. Ainda faltam, no entanto, evidências baseadas na neurociência, como as que já existem sobre a internet.

O que já se sabe sobre a leitura na rede?

Ela é mais superficial, segundo revelam as imagens dos neurônios quando alguém está diante do computador. As fotos mostram, com nitidez, que o circuito formado entre as áreas do cérebro envolvidas na leitura não chega, nesse caso, àquela região em que ela seria processada de maneira mais analítica.

Por que isso acontece?

A internet provê um excesso de estímulos que acabam atrapalhando. Enquanto você lê Shakespeare, não param de aparecer na tela pop-ups e e-mails. É naturalmente difícil manter a concentração e fazer uma leitura de padrão mais elevado, que abra espaço para um alto grau de processamento de ideias. A habilidade para ler deve ser treinada.

Como, exatamente?

Simples: lendo todo dia. Não existe no cérebro nada como uma estrutura previamente concebida para a leitura – é preciso construí-la e aprimorá-la. Funciona como no esporte: quanto mais se pratica, melhor é o resultado.

Como a neurociência explica a formação de tal estrutura no cérebro?

A repetição da leitura faz o cérebro desenvolver um circuito que passa a conectar, em questão de milésimos de segundo, três áreas distintas: a da visão, a da linguagem e uma que se encarrega de dar significado às palavras. Esse mesmo roteiro pode levar até 100 vezes mais tempo, caso a pessoa não tenha o hábito de ler. Seu cérebro fica tomado com a tarefa básica de decodificar o texto – e não consegue ir muito além disso.

Como alcançar um avançado estágio de leitura por meio das novas tecnologias?

É preciso enfatizar à atual geração multitarefas que leitura demanda altíssima atenção e não é conciliável com nenhuma outra atividade. Feita a ponderação, novas tecnologias, como o e-book, são mais do que bem-vindas. Elas têm ajudado, afinal, a despertar o interesse pelos livros num momento em que isso nunca foi tão difícil.

Maryanne Wolf
(Uma das maiores especialistas na área da neurociência que estuda os efeitos da leitura no cérebro, tema sobre o qual já escreveu mais de uma dezena de livros. Hoje, ela se dedica a entender, cientificamente, como as pessoas assimilam conhecimento por meio de novas tecnologias, como o e-book.)


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