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06/12/2011
05/06/2011
O Diabo é o pop na Indústria Cultural
A indústria cultural, na qual a indústria fonográfica é uma de suas faces, vem preencher a função de unificar elementos da "cultura popular", para em seguida integrá-lo em um sistema cultural mais vasto: o mercado consumidor. Com relação ao Diabo a operação é clara, ele foi extraído da religião (popular ou intelectualizada, pouco importa), e colocado, por exemplo, em disco como tema principal ou secundário das letras de canções, vídeo clips, shows, nome de grupos, etc.
Como isso começou? Após a Segunda Guerra Mundial a população jovem norte-americano aumentou de forma bastante elevada, principalmente devido a expansão econômica daquele país. Entretanto, apesar do progresso industrial, a sociedade norte-americana permaneceu com seus valores moralistas e preconceituosos.
Dentro deste contexto apareceu uma cultura própria dos jovens que refletia uma tendência comportamental que ia de encontro aos valores morais predominantes. Sua maneira de expressão configurou-se principalmente através da musica, fosse individualmente ou em pequenos grupos. Embora estivesse inicialmente fora dos padrões preconizados pela sociedade estabelecida, a cultura jovem de então passou a ser assimilada e comercializada pela indústria cultural – havia ai um amplo mercado consumidor a ser explorado.
É interessante percebermos que mesmo sendo comercializada pela indústria cultural, esta cultura juvenil passou a apresentar críticas das mais veementes à sociedade, sobretudo negando seus valores, numa tentativa de criar e vivenciar um estilo alternativo e coletivo de vida, de tal forma que fosse contra o consumismo, a industrialização indiscriminada, o preconceito racial, as guerras, etc. A reação desta juventude mais crítica e politizada, ainda que até então sustentada e explorada pela indústria cultural, passou a ser conhecida como “contracultura” Parece contraditório, mas mesmo agindo contra a indústria cultural, é através desta que esse movimento se expandiu e se deixou assimilar.
É indiscutível que o rock com seus ritmos acelerados e altissonantes tenha se tornado o símbolo desta contracultura, ou melhor, fonte para contestação e a ruptura da tradição musical do Ocidente, seja erudita, seja popular. A indústria cultural fez do rock uma de suas mercadorias mais valiosa, sendo usado como veículo de novas idéias, valores e sonhos, constituindo uma massa de adeptos informe e diversificada, estabelecendo um intercâmbio por cima das línguas, nacionalidades e raças.
Nos anos 60 o rock dividiu-se numa variedade enorme de estilos e linguagens. Essa multiplicação de estilos - que caracterizou principalmente o início dos anos 70 - pode ser explicada pela própria assimilação da indústria fonográfica de quase todos os sons arquitetados no final da década de 60, que foram reciclados a partir de uma tecnologia cada vez mais sofisticada. Destes estilos o progressive rock (rock progressivo) e o heavy metal (metal pesado) foram os dois que marcaram a primeira metade da década de 70. Influenciado pelo acid rock (rock ácido), estilo que procurava através de espaços musicais amplos e abstratos, e do emprego de estranhas sonoridades, reproduzir os aspectos auditivos, os climas e sugestões emocionais da experiência psicodélica com as drogas - o progressive rock acabou sendo um dos principais responsáveis pela vanguarda musical seguinte, seu apelo procurava fundir o jazz com a música erudita e levando o mais longe possível o desenvolvimento da eletrônica no interior da musica pop (o uso dos sintetizadores são o melhor exemplo).
O heavy metal por sua vez não usava nenhum metal (instrumento de sopro), era feito na base da força das guitarras amplificadas e distorcidas por toneladas de equipamentos. Originário também do acid rock e sofrendo a influência de guitarristas como Jimmy Page, Jeff Beck, Dave Edmunds, Eric Clapton, entre outros, os grupos Led Zeppelin, Black Sabbath e Deep Purple formam a base que concretizou este estilo.
Os anos de 1970 são marcados por um clima escatológico. O “fim do mundo” nunca esteve tão presente, sobretudo diante da ameaça nuclear e outras convulsões que marcaram aquela década. Foi nesse ambiente que a temática do satanismo, a partir do heavy metal, vai ganhar terreno, refletindo de certo modo as incertezas de uma década que começava. Mas é bom lembrar que a temática já se fazia presente no rock, só para citar um exemplo, a "Sympathy for the Devil", composta por Mick Jagger e que rendeu várias acusações de satanismo à banda Rolling Stones, é do álbum Beggar's Banquet, de 1968. Aconteceu que a partir de então nos shows a temática do Diabo é levada a tona de forma explicita e irreverente. O grupo Black Sabbath ( ou Cerimonia Negra) confessava ser o Diabo o senhor deste mundo. Entendendo o grupo que todos os jovens deveriam entregar suas almas ao Diabo. Em seus shows o conjunto costumava incitar a platéia a fazer um pacto com o ele, o Diabo. Já o grupo AC/DC fazia oferecimento de sangue no palco ao público presente. Um dos mais destacados em suas performances foi Ozzy Osbourne. Diz a revista Rock in Rio, editada em janeiro de 1985, que quando ele subia no palco era saudado como se fosse o próprio Demônio. Acrescenta a publicação: não é de hoje que Ozzy Osbourne é uma figura cultuada e ligada a ritos satânicos. Ele próprio foi fundador e vocalista da banda que era literalmente um rito satânico: Black Sabbath (Ozzi saiu da banda em 1979, seguindo carreira solo, a reportagem citada faz referência a esta nova fase de sua vida). A mesma publicação confirmou que Ozzy degolava animais no palco. “Hoje ele conseguiu o que queria. É o centro das atenções e o que leva toda a fama. Da mesma maneira que é visado pelo FBI, pela policia e por varias ligas religiosas que acham que durante os seus shows o Demônio é invocado mesmo, animais são sacrificados e mocinhas são violentadas”.
Desde o seu aparecimento o rock sempre teve como companhia a irreverência e, algumas vezes, a permissividade. Com ele a juventude repudiou valores em nome de comportamentos tidos muitas vezes como “modernos” e buscou maneiras novas de expor o que sentiam - começando a declarar de forma explicita o que sentiam em relação ao amor, ao sexo, a política, a guerra, a religião, etc. Assim que, com o advento do heavy metal propriamente, as musicas daí derivadas começam a fazer apologia ao amor livre, a libertação sexual, desde as praticas normais as mais aberrantes, valorizando a conspurcação total do homem, a violência, o abuso moral, etc. Por exemplo, uma de suas propostas visa levar a juventude a praticas sexuais que seriam consideradas vis e pervertidas pela sociedade: pedofilia, necrofilia, zoofilia, homossexualismo, etc. Paul Stanley, um dos integrantes do Kiss, por exemplo, gabava-se de suas proezas eróticas: “Você sabe o que temos recebido ultimamente? Cartas de adolescentes de 16 e 17 anos, com fotos em que aparecem nuas. É surpreendente! É genial! Não há nada como você saber que esta ajudando a juventude da América a se despir”. Os Rolling Stones tem um álbum intitulado “Necrofilia”. Alice Cooper canta uma música intitulada “Ala dos Mortos”, onde ele fala do seu romance com uma mulher morta. Al Jourgenson, vocalista do Ministry ( ou Sacerdócio), se intitulou “buck satan”(animal satânico) – caracterizou-se por enfeitar o palco com crânios e ossos de animais. Quando o grupo “começa o gospel hardcore (em) uma tela no fundo do palco são projetadas imagens de pessoas deformadas , acidentes de carros, todo tipo de barbaridade. Na platéia o mash acelera, cabelos voam nos ombros até encontrar pela frente uma intransponível barreira de seguranças. Os sete caras no palco quase não se mexem. É um espetáculo épico e ao mesmo tempo minimalista, robótico.”(revista Bizz ,dezembro, 1992).
King Diamond, líder do Mercyful Fate, proclamou-se satânista e nos seus shows além da maquiagem uma cruz invertida na testa. Suas letras esgotam a temática satânica. O espetáculo demoníaco não para por ai, se Ozzy mordia morcego de plástico nos anos 80, anos depois o pessoal do death metal levou a coisa mais a serio. Os componentes do Morbid Angel bebem o próprio sangue e Glen Benton, líder do Deicide, traz uma cruz invertida marcada a ferro na testa. “Deicide deu um jeito para se destacar levando ao extremo a mania de ser emissário do Diabo na terra. Suas letras de adoração satânicas conseguiram irritar terroristas, que lançaram uma bomba incendiaria no local em que a banda se apresentou no fim de 92, na Suécia... Benton ainda foi ameaçado de morte por um grupo inglês chamado Milícia Animal, após se vangloriar de torturar animais em uma entrevista ao semanário inglês NME. O Deicide canta e prega o extermínio da humanidade”.(revista Bizz, fevereiro, 1993)
Uma pratica comum entre os grupos de rock com um som mais pesado é colocar nome nas bandas que sugira, se não algo de demoníaco, pelo menos algo que choque ao ser pronunciado. Assim temos: Acid Storm (Tempestade Ácida), Alice in Chains (Alice Acorrentada), Annihilator (Aniquilador), Artillery (Artilharia), Bad Company (Má Companhia), Bad Religion(Má Religião), Blues Brothers (Irmãos Tristes), Brutal Truth (Verdade Brutal), Butthhole Surfers (Surfista do Cú), Death (Morte), Death Angel (Anjo da Morte), Die Toten Hosen (As calças mortas), Exhort (Exaltar), Faith no More (Fé nunca mais), Fear Factory (Fábrica de medo), Fight (Luta), Genocídio, Graveyard Train (Trem do Cemitério), Jesus Jones, Killers (Assassinos), Monstrosity (Monstruosidade), Obituary (Obituário), Sepultura, Slayer (Assassinos), Testament (Testamento, fazendo referência a Biblia), e por ai segue uma infinidade de nomes de grupo cuja proposta musical das letras que cantam vai deste a critica contra qualquer regime político ou contra a morte de crianças na Etiópia até o extermínio da humanidade, enquanto outros falam de namoros desfeitos pelos mais variados motivos, outros cantam falando de relações sexuais, etc. etc.
O processo de reprodução não se limita apenas aos espetáculos, se estende a discos, filmes, clips, roupas e acessórios. O que testemunhamos é que a apropriação de um bem religioso (o Diabo) segue o mesmo caminho das outras mercadorias produzidas por esta mesma empresa. Entretanto, em virtude de sua especificidade, novos elementos devem ser levados em consideração: o Diabo, elemento pertencente ao mundo das coisas sagradas, estando nas mãos de leigos cuja única finalidade é passar um produto, é transferido do mundo sagrado para o do puro espetáculo teatral. Ele que teria valor de culto passa a ter “valor de exposição”.
A noção de valor de exposição leva em consideração a relação da obra com um público consumidor. Esta relação vem gerar uma atitude próxima do conformismo.
Existindo a possibilidade de se consumir algo simplesmente pelo seu caráter de exposição em detrimento de qualquer outra avaliação e recusa a qualquer tipo de pensamento crítico em relação ao que está sendo exposto. No caso do Diabo o que entra em questão não é nem tanto o pensamento, mas o sentimento, este é coisificado, perdendo todo sentido sagrado, passando a ser um produto comercialmente distribuído. Aqui o Diabo não é mais sentido em seu valor de culto, como colocamos, é apreciado apenas em seu aspecto de exposição, o público não é levado a ter uma atitude de “recolhimento” próprio das coisas que é sagrada, mas para um lado totalmente contrário a este, o da diversão. Todo isto faz supor que da parte daquele (um cantor, por exemplo) que se utiliza de algo sagrado (o Diabo) como parte de um espetáculo, existe uma atitude passiva, ele não é invadido e nem se sente envolvido pelo clima de sacralidade que uma figura como o Diabo poderia lhe passar, ele nada mais faz do que consumir e reproduzir de forma profana uma temática religiosa. O que deveria ser uma saída do tempo profano para um novo tempo, nada faz a não ser permanecer num tempo também profano, o(s) indivíduo(s) não se perde(m) perante uma faculdade mística. Já da parte do público, o espetáculo gera uma atitude de conformismo frente ao que estar sendo transmitido.
O crescimento da indústria fonográfica nos últimos anos é indiscutível, assim como de outros aspectos da industria cultural, levando a alteração das relações que o produtor tem com produto do seu trabalho e deste com o público consumido. Por sua vez a história das religiões nos ensina que as manifestações religiosas não desaparecem facilmente, elas sofrem infindáveis processos de reinterpretação que muitas vezes encontram-se camufladas por trás de uma aparência profana. Não se deve esquecer nem deixar de lado a questão que informa que novos tipos de sincretismos entre indústria cultural e religião estão surgindo e que o que presenciamos acontecer com o Diabo acontece com outros aspectos da cultura religiosa.
(Chega a ser cômico perceber como temas religiosos medievais ainda ecoam no mundo “pós-moderno”.)
Alexsandro
04/06/2011
Ave de prata
Delicia. Música. Voz. Arranjo. Alucinação. Criação. Sentido. Produção. Música que faz. Zé/Elba Ramalho. Simbolismo. Palavra. Pedra. Anunciação. Tragédia. Ébrio. Apocalipse. Desterritorialização. Mão sem mão. Terra de caminhos. Pela última vez. Um juízo final em cada decisão. Verdade. Dividir a mentira.
12/04/2011
Panoptismo - Rondamon
Estou buscando um pouco de paz dentro de mim
Estou tratando de sentir-me um pouco melhor
Sigo tentando não cair em um lugar sombrío
Trato de buscar a liberdade em meu interior
Há gente que de cima olha e diz o que tenho que fazer
Tentam controlar-me e tratam de escrever meu destino
Por mais que me golpeem e reprimam não me farão retroceder
Abro minha mente, me elevo e me pergunto… por quê?
Porque estão te vigiando, algo não estão te contando
Há forças malignas que estão te imobilizando
A verdade ocultando, teus sonhos complicando
Pedras em teu caminho terás que saltá-las
Estão te manipulando, tua vida controlando
Como uma marionete eles estão te conduzindo
Encarcerando e prendendo.
13/07/2010
Um conto atemporal
Lançada como primeiro single do álbum Breakfast in America em 1979, "The Logical Song" (A canção lógica) é uma música da banda britânica Supertramp. Foi escrita e interpretada por Roger Hodgson.
A letra fala da perda da inocência. Critica o sistema educacional que não é centrado no conhecimento nem na sensibilidade, mas sobretudo na "lógica", no "bom senso" e na "coerência". A música fala de um homem que é retirado do ambiente encantado da infância e colocado na escola com o intuito de ser preparado para um futuro promissor, embora desprovido de qualquer espontaneidade. Enfim, um mundo que o preciona a ser um conformista. Perdido nesse mundo ela já não sabe quem é.
Quando eu era jovem,
Parecia que a vida era tão maravilhosa,
Um milagre,oh ela era tão bonita,mágica.
E todos os pássaros nas árvores,
Eles cantavam tão felizes,
Alegres,brincalhões,me olhando.
Mas aí eles me mandaram embora,
Para me ensinar a ser sensato,
Lógico,responsável,prático.
E mostraram um mundo
Onde eu poderia ser dependente,
Doente,intelectual,cínico.
Tem vezes,quando todo mundo dorme,
As questões correm profundas demais
Para um homem tão simples.
Por favor,me diga o que aprendemos
Eu sei que soa absurdo,
Mas por favor me diga quem eu sou.
Eu digo :
Agora cuidado com o que você diz,
Ou eles estarão te chamando de radical,
Liberal,fanático,criminoso
Você não vai assinar seu nome,
Gostaríamos de sentir que você é
Aceitável,respeitável,aprensentável,um vegetal !
À noite,quando todo mundo dorme,
As questões correm tão profundas
Para um homem tão simples.
Por favor,me diga o que aprendemos
Eu sei que soa absurdo,Mas por favor me diga quem eu sou.
Quem eu sou...
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09/07/2010
Só uma palavra me devora
A música Jura Secreta foi gravada primeiramente por Fagner.
Aqui numa versão nas vozes de Simone e Zélia Duncan.
A composição é de Sueli Costa e Abel Silva.
Aqui numa versão nas vozes de Simone e Zélia Duncan.
A composição é de Sueli Costa e Abel Silva.
Só uma coisa me entristece
O beijo de amor que não roubei
A jura secreta que não fiz
A briga de amor que eu não causei
Nada do que posso me alucina
Tanto quanto o que não fiz
Nada do que eu quero me suprime
Do que por não saber ainda não quis
Só uma palavra me devora
Aquela que meu coração não diz
Só o que me cega, o que me faz infeliz
É o brilho do olhar que eu não sofrí
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16/06/2010
A cova torna todos iguais
A arte não tem a função de salvar nada nem ninguém, ela não possui um significado por si, para que ela adquira sentido devemos valorá-la. Sendo assim, gosto de entender a arte como algo que deve ser fonte de vida e de força, não de fraqueza e coisas melosas.
O livro foi musicado por Chico Buarque de Hollanda em 1965 e 1966. "Funeral de um lavrador" é aqui interpretado por Chico Buarque e MPB4.
Esta cova em que estás com palmos medida
É a conta menor que tiraste em vida
É a conta menor que tiraste em vida
É de bom tamanho nem largo nem fundo
É a parte que te cabe deste latifúndio
É a parte que te cabe deste latifúndio
Não é cova grande, é cova medida
É a terra que querias ver dividida
É a terra que querias ver dividida
É uma cova grande pra teu pouco defunto
Mas estarás mais ancho que estavas no mundo
estarás mais ancho que estavas no mundo
É uma cova grande pra teu defunto parco
Porém mais que no mundo te sentirás largo
Porém mais que no mundo te sentirás largo
É uma cova grande pra tua carne pouca
Mas a terra dada, não se abre a boca
É a conta menor que tiraste em vida
É a parte que te cabe deste latifúndio
É a terra que querias ver dividida
Estarás mais ancho que estavas no mundo
Mas a terra dada, não se abre a boca.
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10/06/2010
I Am a Man of Constant Sorrow
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A música é retirada do filme "E Aí, Meu Irmão, Cadê Você?". Um filme dos irmãos Coen que se passa no cenário rural norte-americana dos anos de 1930. Nele vemos uma mistura delerante de referências: desde a “Odisséia” de Homero à casos inisitados da vida rural.A história narra a odisséia de um Ulysses rural que foge da cadeia com dois colegas. Daí em diante a odisséia segue numa narrativa de episódios divertidos e nostálgicos. O filme tem vários destaques e um deles é a trilha sonora. Belas músicas, numa coletânea que aglutina canções country, blues e gospel.
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Eu sou um homem de sofrimento constante
Eu tenho visto problema em todos os meus dias
Digo adeus ao velho Kentucky
O lugar onde eu nasci e cresci.
O lugar onde ele nasceu e cresceu
Por longos seis anos eu tenho estado em problema,
Nenhum prazer aqui na Terra eu encontrei
neste mundo eu sou obrigado a perambular
Eu não tenho amigos para me ajudar agora.
Ele não tem amigos para ajuda-lo agora.
Este é o preço, minha querida.
Eu nunca esperava te ver novamente
Por que sou obrigado a montar essa ferrovia do norte.
Talvez eu vou morrer durante este comboio.
Talvez ele vai morrer durante este comboio.
Você pode me enterrar em algum vale profundo
Por muitos anos, eu não posso prever.
Depois, você pode aprender a amar outro
Enquanto eu estou dormindo em minha sepultura
Enquanto ele está dormindo em sua sepultura.
Talvez seus amigos achem que eu sou apenas um estranho
Meu rosto você nunca mais verá de novo.
Mas há uma promessa que é dada
Vou te encontrar na praia dourada de Deus
Ele vai te econtrar na praia dourada de Deus
07/06/2010
Society - Eddie Vedder
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É um mistério para mim
Nós temos uma ambição que concordamos.
Você pensa que tem que ter mais do que precisa.
Até você ter isso tudo não estará livre ainda.
Sociedade, sua raça louca.
Espero que você não fique só sem mim.
Quando você quer mais do que possui,
Você pensa que precisa.
E quando você pensa mais do que você quer
Seus pensamentos começam a sangrar.
Acho que preciso encontrar um lugar maior.
Pois quando você tem mais do que pensa.
Você precisa de mais espaço.
Sociedade, essa raça louca.
Espero que você não esteja tão só sem mim.
Sociedade, realmente loucos.
Espero que você não esteja tão só sem mim
Existem aqueles que pensam que mais é menos, menos é mais
Mas se menos é mais, como você pode continuar pontuando?
Significa que cada ponto que você marca sua pontuação cai
É como começar do topo
Você não pode fazer isso...
Sociedade, essa raça louca.
Espero que você não esteja tão só sem mim.
Sociedade, realmente loucos.
Espero que você não esteja tão só sem mim
Sociedade, tenha pena de mim
Espero que não fique com raiva se eu não concordar...
Sociedade, realmente loucos.
Espero que você não esteja tão só sem mim
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06/06/2010
Três notas sobre melancolia
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Nota 1.No período da Renascença e do Romantismo a melancolia era considerada como uma doença bem-vinda, uma experiência que enriquecia a alma. Mas hoje o efeito dela é totalmente ao contrário. O chato do Sigmund Freud, em seus estudos sobre o superego, se deparou com a melancolia, mas ao contrário dos renascentistas, definiu-a como um caso psiquico que assume várias formas clínicas, passíveis de tratamento. Neste sentido ele apontou que a melancolia se assemelhava ao processo do luto, mas uma perda sem perda, algo apenas de indole narcisica. Neste sentido, pessoas melancólicas olhariam a si próprias como "inúteis", "incapazes", "imprestáveis", "irritantes", enfim, sem valor positivo algum. Nos opomos a essa visão.
A melancolia é uma crítica dos sentimentos. Dessa forma ela pode ser entendida como uma crítica dos sentimentos que em nós desejam compactuar com o capitalismo, o mercado e a vida como eles apresentam. Ela é o reconhecimento da falta de significado intrínseco as coisas em si mesmas. Como a melancolia se manifesta em todas as esferas da sociedade, ela traça um mapa para nos situarmos frente a valores e ideais. Ela represa e faz apodrecer aspectos centrais da sociedade burguesa: a alegria do mundo das mercadorias; a valorização extrema dos números valorando as coisas e as pessoas; a exaltação às técnicas mecânicas do fazer; os desejos individualizados como única expressão de vida possível. Não de outra forma, a melancolia deve ser lida como uma crítica à vida moderna capitalista uma vez que com esta desenvolve uma relação complexa e de completa oposição: uma expressão de crítica social na qual reside a capacidade de incorporar lucidez diante da sensibilidade plastificado e homogeneizada, à venda em bancas e farmácias.
Nota 2.
No poema "Queixas Noturnas", Augusto do Anjos assim escreve:
...................................................................
Hoje é amargo tudo quanto eu gosto;
A bênção matutina que recebo...
E é tudo: o pão que como, a água que bebo,
O velho tamarindo a que me encosto!
Vou enterrar agora a harpa boêmia
Na atra e assombrosa solidão feroz
Onde não cheguem o eco duma voz
E o grito desvairado da blasfêmia!
Que dentro de minh'alma americana
Não mais palpite o coração - esta arca,
Este relógio trágico que marca
Todos os atos da tragédia humana!
Seja esta minha queixa derradeira
Cantada sobre o túmulo de Orfeu;
Seja este, enfim, o último canto meu
Por esta grande noite brasileira!
Melancolia! Estende-me a tu'asa!
És a árvore em que devo reclinar-me...
Se algum dia o Prazer vier procurar-me
Dize a este monstro que eu fugi de casa!
.............................................................
Nota 3.
"I Started a Joke" (Eu fiz uma piada) é uma música dos Bee Gees, lançada em 1968. É uma das canções mais famosas da banda. A letra possui um tom também melancólico.
Eu fiz uma piada
a qual fez o mundo inteiro começar a chorar.
Mas eu não percebi
que a piada era comigo, oh não...
E eu comecei a chorar
o que fez o mundo inteiro começar a rir.
Se eu somente tivesse percebido
que a piada era comigo...
E eu olhei para os céus,
passando minhas mãos sobre meus olhos.
E eu caí da cama,
amaldiçoando minha cabeça pelas coisas que disse.
Até que eu finalmente morri,
o que fez o mundo inteiro começar a viver.
Se eu apenas tivesse percebido
que a piada era comigo...
E eu olhei para os céus,
passando minhas mãos sobre meus olhos.
E eu caí da cama,
amaldiçoando minha cabeça pelas coisas que disse.
Até que eu finalmente morri,
o que fez o mundo inteiro começar a viver.
Se eu apenas tivesse percebido
que a piada era comigo...
Oh não, que a piada era comigo...
Nota 2.
No poema "Queixas Noturnas", Augusto do Anjos assim escreve:
...................................................................
Hoje é amargo tudo quanto eu gosto;
A bênção matutina que recebo...
E é tudo: o pão que como, a água que bebo,
O velho tamarindo a que me encosto!
Vou enterrar agora a harpa boêmia
Na atra e assombrosa solidão feroz
Onde não cheguem o eco duma voz
E o grito desvairado da blasfêmia!
Que dentro de minh'alma americana
Não mais palpite o coração - esta arca,
Este relógio trágico que marca
Todos os atos da tragédia humana!
Seja esta minha queixa derradeira
Cantada sobre o túmulo de Orfeu;
Seja este, enfim, o último canto meu
Por esta grande noite brasileira!
Melancolia! Estende-me a tu'asa!
És a árvore em que devo reclinar-me...
Se algum dia o Prazer vier procurar-me
Dize a este monstro que eu fugi de casa!
.............................................................
Nota 3.
"I Started a Joke" (Eu fiz uma piada) é uma música dos Bee Gees, lançada em 1968. É uma das canções mais famosas da banda. A letra possui um tom também melancólico.
Eu fiz uma piada
a qual fez o mundo inteiro começar a chorar.
Mas eu não percebi
que a piada era comigo, oh não...
E eu comecei a chorar
o que fez o mundo inteiro começar a rir.
Se eu somente tivesse percebido
que a piada era comigo...
E eu olhei para os céus,
passando minhas mãos sobre meus olhos.
E eu caí da cama,
amaldiçoando minha cabeça pelas coisas que disse.
Até que eu finalmente morri,
o que fez o mundo inteiro começar a viver.
Se eu apenas tivesse percebido
que a piada era comigo...
E eu olhei para os céus,
passando minhas mãos sobre meus olhos.
E eu caí da cama,
amaldiçoando minha cabeça pelas coisas que disse.
Até que eu finalmente morri,
o que fez o mundo inteiro começar a viver.
Se eu apenas tivesse percebido
que a piada era comigo...
Oh não, que a piada era comigo...
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21/03/2010
As palavras não dizem tudo (II) - Quem foi que disse que é só o amor que conhece o que é verdade?
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O Hino à Caridade, presente na Primeira Epístola aos Coríntios (13, 1-8), é uma das passagens do Novo Testamento mais conhecida. Só para citar o exemplo mais conhecido sobre a repercusão desse trecho do Evangelho, temos o poema de Camões (o Soneto 11) que mais recentemente foi adaptado pelos extinto Legião Urbana na música "Monte Castelo'. Lido fora do seu contexto é, sem dúvida, um poema belissimo e uma aula de amor fraternal, celebrado pelo valor da caridade. Entretanto, quando nos reportamos ao contexto no qual ele se insere, percebemos que o discurso da caridade e do amor que ele contém não passam de palavras rancorosas e cheias de veneno, usadas por um homem desejoso de poder e incoformado com suas posição diantes dos outros cristãos com mais notoriedade. Assim vejamos.
_________
O cristianismo provavelmente teria uma história bem diferente da que nós conhecemos se não tivesse cruzado seu destino um personagem complexo e misterioso. Saulo de Tarso, chamado de Paulo na Cilícia, era ao mesmo tempo judeu e seguidor da corrente dos fariseus, discípulo do grande mestre Gamaliel e cidadão romano desde o nascimento. De início, era um perseguidor convicto dos cristãos, aprovando o apedrejamento do primeiro mártir, Estêvão. Então, foi "iluminado na estrada para Damasco" e se converteu, trilhando uma rápida carreira dentro da incipiente Igreja cristã, até obter o título de "apóstolo". Segundo alguns estudiosos, Paulo foi o inventor do cristianismo, aquele que deturpou os ensinamentos do profeta judeu Jesus e os transformou em uma religião universal. Com certeza, Paulo contribuiu mais do que qualquer outro para a difusão da nova religião, até mesmo entre os não-judeus e no interior das primeiras comunidades cristãs, opondo-se vigorosamente aos judeus-cristãos, ou seja, àqueles que consideravam a observância da lei mosaica requisito fundamental para que alguém se tornasse cristão. No que diz respeito a outros aspectos da doutrina de Paulo, é possível examinar o hino à caridade, talvez sua passagem mais conhecida, que diz:
"Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tivesse caridade, eu seria como o bronze que soa ou um sino que toca. E ainda que eu tivesse o dom da profecia e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, que possuísse a plenitude da fé capaz de mover montanhas, se não tivesse caridade, eu nada seria. E ainda que distribuísse toda minha fortuna e entregasse meu corpo para ser queimado, se não tivesse a caridade, nada disso me adiantaria. A caridade é paciente, é benigna a caridade; a caridade não é invejosa, não se vangloria, não tem soberba, não falta com o respeito, não busca seus interesses, não se irrita, não guarda rancor, não se alegra com a injustiça, e sim se rejubila com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. A caridade jamais passará. Quanto às profecias, desaparecerão. Quanto às línguas, cessarão. Quantoàa ciência, também desaparecerá."
E até um hino desinteressado pode, na verdade, conter segundas intenções. Paulo o insere dentro de uma dissertação sobre os "dons do espírito" (ou "carismas"), aos quais dá uma espécie de classificação, deixando em último lugar um misterioso "dom das línguas". O que significaria? Para entendê-lo, devemos voltar um passo atrás. Segundo os Atos, vejamos o que acontece aos apóstolos no dia de Pentecostes, cinqüenta dias depois da Páscoa da ressurreição:
"De repente veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. Apareceram-lhes então umas espécies de línguas de fogo, que se repartiram e repousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem."
Não fica claro o que seria exatamente o dom das línguas: nos Atos, é descrito como a capacidade de entender e se expressar em todas as línguas do mundo, mas também como uma fala incompreensível, de "embriagados". Outras passagens do Novo Testamento levam a pensar em um estado de transe, que contemplava a emissão de sons e palavras de significado obscuro. Qualquer que seja a interpretação correta, na época, tal acontecimento era considerado algo extraordinário. Paulo, que não fazia parte do grupo dos primeiros apóstolos, não recebeu o dom. Como escreveu o estudioso Gilberto Pressacco: "Na verdade, Paulo, que buscava e queria um reconhecimento oficial e geral de sua natureza de 'apóstolo', não podia afirmar nem se vangloriar por estar entre aqueles que receberam o Espírito no Pentecostes, os quais se tornaram as pedras vivas que sustentaram o pilar da Igreja primitiva. Ele podia, no máximo, se gabar da experiência vivida na estrada de Damasco, uma revelação solitária, particular e, talvez, dúbia para aquela Igreja que ele por tanto tempo perseguira (as Pseudoclementinas chegam a insinuar que se tratava de uma revelação do diabo, e não de Cristo).
Definitivamente, a hostilidade de Paulo só pode confirmar uma dolorosa sensação de inferioridade em razão da não-participação no acontecimento fundamental da Igreja, no qual fora dado um dom que ele não possuía e que, no entanto, era freqüente entre os primeiros cristãos." Por isso, Paulo exaltava o amor como a maior de todas as virtudes.
(Mais)... ele parecia ter péssimo gênio: durante uma viagem missionária, brigou com o companheiro Barnabé de tal forma que os dois prosseguiram em direções diferentes; Barnabé, por mar até Chipre, e Paulo, por terra, pela Síria e a Cilícia. E nas cartas não faltam alfinetadas nos outros apóstolos. Ele chegou a acusar publicamente de hipocrisia Pedro, o chefe da Igreja.
(Trecho retirado e adaptado de: O livro negro do cristianismo - Dois mil anos de crimes em nome de Deus. Autores: Jacopo Fo, Sergio Tomat e Laura Malucelli)
----------- O que temos então? Temos Paulo desvalorizando dons que ele próprio não possuia. O Hino à Caridade é na verdade um hino de intolerância e de falta de respeito para com os outros cristãos, que deveriam ser vistos como irmãos. Que bela lição de amor e caridade! De fato ele estava fazendo exatamente o oposto do que estava pregando!
Abaixo temos o Soneto 11 de Luís de Camões citado acima:
Amor é fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente
É contentamento descontente
É dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer,
É solitário andar por entre a gente,
É um não contentar-se de contente,
É cuidar que se ganha em se perder.
É um estar-se preso por vontade,
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com que nos mata lealdade,
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo amor?
A seguir a música “Monte Castelo". Sendo letra e música de Renato Russo. Presentes adaptações de I Coríntios (13, 1-8) e Soneto 11 de Luís de Camões.
Ainda que eu falasse a língua do homens.
E falasse a língua do anjos, sem amor eu nada seria.
É só o amor, é só o amor.
Que conhece o que é verdade.
O amor é bom, não quer o mal.
Não sente inveja ou se envaidece.
O amor é o fogo que arde sem se ver.
É ferida que dói e não se sente.
É um contentamento descontente.
É dor que desatina sem doer.
Ainda que eu falasse a língua dos homens.
E falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria.
É um não querer mais que bem querer.
É solitário andar por entre a gente.
É um não contentar-se de contente.
É cuidar que se ganha em se perder.
É um estar-se preso por vontade.
É servir a quem vence, o vencedor;
É um ter com quem nos mata lealdade.
Tão contrario a si é o mesmo amor.
Estou acordado e todos dormem todos dormem todos dormem.
Agora vejo em parte. Mas então veremos face a face.
É só o amor, é só o amor.
Que conhece o que é verdade.
Ainda que eu falasse a língua dos homens.
E falasse a língua do anjos, sem amor eu nada seria."
Alexsandro A. Oliveira
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01/03/2010
Respeito muito minhas lágrimas/ Mas ainda mais minha risada
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A música é “Vaca Profana”, de Caetano Veloso, feita exclusivamente para a Gal Costa. A canção é uma verdadeira ode à Espanha, em especial à Catalunha, com retratos discursivos diretos, formando imagens através da poesia, mescladas nas cores vivas de então. É um roque intenso, com uma poesia visceral, difícil nos refrões que não são iguais na letra e que se repetem a todo instante. A canção registra com primor os movimentos de então, a ascensão da moda new wave (nova onda), as revistas musicais da capital espanhola, “Madrid te Mata”, aqui adaptada para o jogo de palavras “Também te mata Barcelona”. Várias expressões em catalão são usadas, como “Si us plau” – por favor, ou “Orchata de chufa”, uma bebida feita com nozes e bastante apreciada na Catalunha. A canção passa pelas ramblas de Barcelona, desfila pelos movimentos punks de Londres, como num retrato contemporâneo de Picasso, atravessa a bolha de Tel Aviv, desaguando nos caretas de Nova York. Caetano Veloso provoca o tempo todo, a começar pelo título da canção, “Vaca Profana”, que se antagoniza com a “vaca sagrada” de tantos seguidores, caretas ou não. Joga com expressões como caretas e “puretas”, termo que na Espanha da juventude new wave, era usado para definir os que não fumavam haxixe. “Vaca Profana” foi a única canção grandiosa dos anos oitenta feita por Caetano Veloso para Gal Costa interpretar... Canção de letra imensa e de palavras difíceis, quase que exóticas aos ouvidos, teve uma interpretação sublime de Gal Costa, com a explosão dos agudos nos florões dos refrões. Momentos únicos na voz desta mulher sagrada, a diluir com requinte a poesia de Caetano Veloso, a jorrar o leite sobre a sensibilidade de todos os ouvintes.(Adaptado de: http://jeocaz.multiply.com/journal?&page_start=80)
A versão abaixo é da época em que a música estourou, Gal Costa em um momento especial de sua carreira.
Respeito muito minhas lágrimas
Mas ainda mais minha risada
Inscrevo, assim, minhas palavras
Na voz de uma mulher sagrada
Vaca profana, põe teus cornos
Pra fora e acima da manada
Vaca profana, põe teus cornos
Pra fora e acima da man...
Ê, ê, ê, ê, ê,
Dona das divinas tetas
Derrama o leite bom na minha cara
E o leite mau na cara dos caretas
Segue a "movida Madrileña"
Também te mata Barcelona
Napoli, Pino, Pi, Paus, Punks
Picassos movem-se por Londres
Bahia, onipresentemente
Rio e belíssimo horizonte
Bahia, onipresentemente
Rio e belíssimo horiz...
Ê, ê, ê, ê, ê,
Vaca de divinas tetas
La leche buena toda en mi garganta
La mala leche para los "puretas"
Quero que pinte um amor Bethânia
Stevie Wonder, andaluz
Como o que tive em Tel Aviv
Perto do mar, longe da cruz
Mas em composição cubista
Meu mundo Thelonius Monk`s blues
Mas em composição cubista
Meu mundo Thelonius Monk`s...
Ê, ê, ê, ê, ê,
Vaca das divinas tetas
Teu bom só para o oco, minha falta
E o resto inunde as almas dos caretas
Sou tímido e espalhafatoso
Torre traçada por Gaudi
São Paulo é como o mundo todo
No mundo, um grande amor perdi
Caretas de Paris e New York
Sem mágoas, estamos aí
Caretas de Paris e New York
Sem mágoas estamos a...
Ê, ê, ê, ê, ê,
Dona das divinas tetas
Quero teu leite todo em minha alma
Nada de leite mau para os caretas
Mas eu também sei ser careta
De perto, ninguém é normal
Às vezes, segue em linha reta
A vida, que é "meu bem, meu mal"
No mais, as "ramblas" do planeta
"Orchta de chufa, si us plau"
No mais, as "ramblas" do planeta
"Orchta de chufa, si us...
Ê, ê, ê, ê, ê,
Deusa de assombrosas tetas
Gotas de leite bom na minha cara
Chuva do mesmo bom sobre os caretas...
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14/01/2010
Na Natureza Selvagem
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"Na Natureza Selvagem" é um filme dirigido por Sean Penn, baseado no livro homônimo, do jornalista Jon Krakauer, que conta a história verídica de Christopher McCandless, um jovem recém-formado que se aventura pelos Estados Unidos da América até chegar ao inóspito Alasca.Em 1990, com 22 anos, Christopher McCandless ao terminar a faculdade, doa todo o seu dinheiro a uma instituição de caridade, muda de identidade e parte em busca de uma experiência genuína que transcendesse o materialismo do quotidiano. Abandona, assim, a próspera casa paterna sem que ninguém saiba e vai para a estrada. Vagueia por uma boa parte da América (chegando mesmo ao México) à boleia, a pé, ou até de canoa, arranjando empregos temporários sempre que o dinheiro faltasse pois, Chris acaba por abandonar o seu carro e queimar todo o dinheiro que levava consigo para se sentir mais livre, mas nunca se fixando muito tempo no mesmo local. Desconfiado das relações humanas e influenciado pelas suas leituras, que incluíam Tolstoi e Thoreau, ansiava por chegar ao Alasca, onde poderia estar longe do homem e em comunhão com a natureza selvagem e pura. O que lhe acontece durante este percurso transforma o jovem num símbolo de resistência para inúmeras pessoas. Christopher dá igualmente início a uma aventura que mais tarde viria a encher as páginas dos jornais e que termina com a sua morte no Alasca.
O que significa viver? E vivendo, quais os tipos de escolhas que somos capazes de fazer? Escolher sonhos plastificados, divididos em 16 prestações ou pelo cartão de crédito, empacotados e entregues em casa (que, de fato, não se trata bem de escolha, mas de seguir o padrão) ou encarar o mundo sem dinheiro, sem documento, sem identidade pré-fabricada, na tentativa de entender o que representa a vida para além da mediocridade enlatada e cheirosa das vitrines das lojas e das fachadas das casas? A resposta, claro, já se encontra na pergunta e é disso que trata o filme "Na natureza selvagem". De certa forma "Na natureza selvagem" é um convite à reflexão sobre o significado que assumem tantas coisas que vivemos, queremos e pelas quais muitas vezes sofremos. Alguns podem achar que se trata da história de alguém doente, um louco, um maluco com transtornos de personalidade. Mas ao agirmos assim caímos na armadilha do filme, qual seja, ele é uma crítica a vida moderna, essa mesma vida que possui a mania de diagnosticar e patologisar tudo o que não se enquadra ao padrão corrente da sociedade de consumo e nos mostra uma imagem na qual ficamos pensando se, ao contrário, o louco não somos nós que vivemos vidinhas plastificadas.
Abaixo a música "Guaranteed", de Eddie Vedder, que faz parte da trilha sonora do filme.
Com certeza
Suplicar de joelhos não é o caminho para ser livre
Levantando uma taça vazia, eu pergunto silenciosamente:
Todas as minhas escolhas serão aceitas por uma única pessoa, ou seja, eu?
Então, eu posso respirar...
Eles aumentam os círculos e engolem as pessoas completamente
Passam metade de suas vidas dizendo "boa noite" às esposas que nunca conhecerão
Uma mente cheia de perguntas e um professor em minha alma.
E assim vai...
Não se aproxime ou eu terei de ir
Tal como a gravidade são esses lugares que me puxam
Se existisse alguém que pudesse me manter em casa
Esse alguém seria você...
Todos que encontro pelo caminho, em suas gaiolas compradas,
Possuem opiniões sobre mim e meus devaneios, mas eu não me importo com o que eles pensam, eu sou o que eles nunca pensaram.
Eu tenho minhas indignações, mas sou puro em todos os meus pensamentos.
Eu estou vivo...
Vento em meus cabelos, me sinto parte de todos os lugares.
Por trás da minha existência há uma estrada que está desaparecendo
Tarde da noite eu ouço as arvores, elas estão cantando com os mortos
A carga é pesada...
Deixe isso comigo, assim encontrarei uma maneira de ser.
Considere-me um satélite, sempre em órbita.
Eu conheci todas as regras, mas as regras não me conhecem.
Com certeza...
O que significa viver? E vivendo, quais os tipos de escolhas que somos capazes de fazer? Escolher sonhos plastificados, divididos em 16 prestações ou pelo cartão de crédito, empacotados e entregues em casa (que, de fato, não se trata bem de escolha, mas de seguir o padrão) ou encarar o mundo sem dinheiro, sem documento, sem identidade pré-fabricada, na tentativa de entender o que representa a vida para além da mediocridade enlatada e cheirosa das vitrines das lojas e das fachadas das casas? A resposta, claro, já se encontra na pergunta e é disso que trata o filme "Na natureza selvagem". De certa forma "Na natureza selvagem" é um convite à reflexão sobre o significado que assumem tantas coisas que vivemos, queremos e pelas quais muitas vezes sofremos. Alguns podem achar que se trata da história de alguém doente, um louco, um maluco com transtornos de personalidade. Mas ao agirmos assim caímos na armadilha do filme, qual seja, ele é uma crítica a vida moderna, essa mesma vida que possui a mania de diagnosticar e patologisar tudo o que não se enquadra ao padrão corrente da sociedade de consumo e nos mostra uma imagem na qual ficamos pensando se, ao contrário, o louco não somos nós que vivemos vidinhas plastificadas.
Abaixo a música "Guaranteed", de Eddie Vedder, que faz parte da trilha sonora do filme.
Com certeza
Suplicar de joelhos não é o caminho para ser livre
Levantando uma taça vazia, eu pergunto silenciosamente:
Todas as minhas escolhas serão aceitas por uma única pessoa, ou seja, eu?
Então, eu posso respirar...
Eles aumentam os círculos e engolem as pessoas completamente
Passam metade de suas vidas dizendo "boa noite" às esposas que nunca conhecerão
Uma mente cheia de perguntas e um professor em minha alma.
E assim vai...
Não se aproxime ou eu terei de ir
Tal como a gravidade são esses lugares que me puxam
Se existisse alguém que pudesse me manter em casa
Esse alguém seria você...
Todos que encontro pelo caminho, em suas gaiolas compradas,
Possuem opiniões sobre mim e meus devaneios, mas eu não me importo com o que eles pensam, eu sou o que eles nunca pensaram.
Eu tenho minhas indignações, mas sou puro em todos os meus pensamentos.
Eu estou vivo...
Vento em meus cabelos, me sinto parte de todos os lugares.
Por trás da minha existência há uma estrada que está desaparecendo
Tarde da noite eu ouço as arvores, elas estão cantando com os mortos
A carga é pesada...
Deixe isso comigo, assim encontrarei uma maneira de ser.
Considere-me um satélite, sempre em órbita.
Eu conheci todas as regras, mas as regras não me conhecem.
Com certeza...
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17/11/2009
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