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07/10/2013

Relação, controle e autoengano.

O autoengano e o engano do outro são elementos constitutivos da maioria dos relacionamentos. Um não olha para o outro para ver como ele realmente é e ambos não querem ser vistos como realmente são. ¿O motivo? Isso estragaria as expectativas que alimentam, afetando a forma como se veem a si próprios, ou seja, não querem ver um ao outro como realmente são, nem querem se ver como realmente são, isso estragaria a maneira como imaginam que são.
Infelizmente o que alimenta as relações são discursos prontos, frases feitas, presentes surpresas esperados e expectativas prêt-à-porter. Quando tudo isso deixa de produzir efeitos o sentido e a graça da relação acabam. A partir daí os dois são levados a se encarar sem a garantia da proteção que os disfarces produziam.
Tanto engano funciona como escudo e como tentativa de proteger e manter sob controle aquilo que nunca esteve sob controle algum: a relação e a si próprio.

Alexsandro

11/11/2012

Expectativa

A expectativa é a ansiedade pelo prever, pela possibilidade de determinar, de instituir o futuro. A expectativa se liga a noção e a sensação de controle. É a eliminação da surpresa, do devir. A expectativa lida com o futuro de forma ansiosa. Ela gera um canibalismo do tempo presente, o tempo presente sendo devorado, o nosso próprio tempo sendo devorado por nós mesmos. Como devoradores do tempo, para nós ele já não flui, ele é algo que deve ser ultrapassado. Para ultrapassarmos o tempo, o devoramos. É assim que a expectativa paralisa e esvazia o presente, exaure, cega, estreita e fecha os horizontes.


Alexsandro

13/08/2011

Ou nós ou eu



Estudo revela como o uso desses pronomes podem ser indicador de como anda uma relação


O estudo examinou a relação entre o uso dos pronomes pessoais e a qualidade emocional do casamento. Ou seja, o grau da interação e qualidades emocionais pode ser medido pela forma como cada um ou ambos usam os pronomes.  O estudo monitorou casais de meia-idade e idosos envolvidos em uma discussão de 15 min. Durante o qual a fisiologia e comportamento emocional foram monitorados continuamente. Transcrições integrais das conversas foram codificadas em duas categorias lexicais:
(a) "nós" - pronomes e palavras cujo foco era sobre o casal,
(b) "eu" - pronomes e palavras cujo foco era sobre os cônjuges individuais.
O resultado indicou que o uso de pronomes como “nós” e “nosso” nas discussões tem como conseqüência brigas menos longas e desgastantes (possibilitando uma relação mais tranqüila). Já a presença marcante do uso dos pronomes “eu”, “você”, “meu” e “seu” indicaram um forte sinal de que a relação não ia nada bem.

Homem carinhoso? Quem diria.

Um estudo que procurou examinar a vida sexual e afetiva em relacionamentos de casais de meia-idade e idosos em relacionamentos que variavam entre 1 e 51 anos de duração trouxe a tona algumas conclusões inusitadas. A pesquisa foi realizada em cinco países: Brasil, Alemanha, Japão, Espanha e os EUA e entrevistou cerca de 1.009 casais. Entre as variáveis investigadas buscou-se saber sobre escolaridade, saúde, intimidade física, comportamento sexual, etc. O histórico da vida sexual serviu de referência para medir o grau de felicidade do modelo de relacionamento e a satisfação sexual. Entre outras conclusões do estudo citamos uma que desmistifica a idéia de que são os homens que colocam o sexo em primeiro lugar:
O estudo demonstrou que para os homens o carinho em um relacionamento tem mais importância do que para as mulheres. Para eles a troca de carinho é o sinal de um bom relacionamento, o que não ocorre com as mulheres. Elas, por sua vez, apontaram para a vida sexual como indicador de satisfação no relacionamento.


Para texto da pesquisa: AQUI

31/05/2011

A corrosiva arte de amar e ser amado

¿Você quer ser amada por qual tipo de homem? ¿Ser amada por um homem esperto, gostoso e charmoso ou por um idiota, feio e sem graça, qual você prefere? ¿Está disposta a deixar sua vida nas mãos de qualquer um? ¿Qual o melhor elogio: um vindo de um gênio ou vindo de alguém sem inteligência alguma? ¿Ser chamada de gostosa por um feioso um por um bonitão? A lógica é simples: para que a gente se sinta especial é preciso que quem esteja do nosso lado seja especial.
Não é a toa que procuramos inventar e colocar algo de especial em alguém que está do nosso lado, principalmente quando este alguém não tem nada de especial. É assim, precisamos encontrar algum motivo para nos sentirmos especiais, precisamos encontrar algum motivo no outro para que ele seja especial porque isso me torna especial. Se for feio, digo, mas é simpático, inteligente. Se for gordo, digo, mas é gostoso, faz coisas maravilhosas na cama. Se for pobre, digo, mas cuida de mim como ninguém e é tão esforçado. Mas para que meu jogo mental funcione tenho que ficar o tempo todo procurando e inventando motivos para me convencer e não fazer a cruel pergunta: ¿por que não tenho alguém especial do meu lado? ¿Onde errei? ¿Por que não escolhi melhor? ¿E se ele fosse bonito, inteligente e gostoso minha vida não seria melhor?
¿Já tentou imaginar o que é ser alguém especial para alguém especial? ¿Ser única para alguém que é único? ¿Ser a escolhida? ¿Quanto vale ser admirada por alguém que ninguém admira? Precisamos do outro para nos sentir vivos. Queremos que nossa vida faça sentido, melhor ainda se for uma vida especial proporcionada por alguém especial.
¿Qual é esse homem especial que poderia fazer de uma mulher qualquer alguém especial? A resposta pode ser corrosiva, mas pense por um minuto antes de tirar qualquer conclusão: seria um homem que pudesse ter qualquer mulher, ter todas. Afinal, se for alguém especial tenha certeza que não só você notou isso. Mas muitas, muitas outras pessoas.
¿E quais são os fatores de atração? Vários. Mas os principais são: dinheiro, inteligência e beleza. ¿Por quê? Simples também: eles aumentam as possibilidades da conquista. Vale também qualquer outro substituto, qualquer coisa que torne o homem especial. Qualquer outro atributo que faça o mesmo o papel do dinheiro, da inteligência ou da beleza.


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24/01/2011

Um hábito esquisito


Deixamos de viver muitas coisas na tola esperança de vivermos mais e melhor. Fazemos economia de nós mesmos na esperanças de gastarmo-nos em um tempo mais precioso. Guardamos-nos para sabe-se lá o que ou quando.
Porque agimos assim? Por um fato bem simples: se dermos vazão a nossa busca por prazer corremos o risco de sofrermos um desprazer, logo, no cálculo entre viver um prazer ou evitar um desprazer ficamos quase sempre com a segunda opção.

Alexsandro

07/10/2010

Perto do Coração Selvagem

- O que é que se consegue quando se fica feliz?, sua voz era uma seta clara e fina. A professora olhou para Joana.
- Repita a pergunta...?
Silêncio. A professora sorriu arrumando os livros.
- Pergunte de novo, Joana, eu é que não ouvi.
- Queria saber: depois que se é feliz o que acontece? O que vem depois? - repetiu a menina com obstinação.
A mulher encarava-a com surpresa.
- Que idéia! Acho que não sei o que você quer dizer, que idéia! Faça a mesma pergunta com outras palavras...
- Ser feliz é para se conseguir o quê?


Clarice Lispector

Eu sou a minha queixa

É habitual que a expressão da queixa exagere em muito a dor, até o ponto em que a dor acaba se conformando ao exagero da queixa, aumentando o sofrimento. É comum as pessoas acreditarem tanto em suas lamúrias que acabam emprestando seu corpo, ficando doentes, para comprovar o que dizem.
A causa primordial de toda queixa é a preguiça de viver. Viver dá trabalho, uma vez que a cada minuto surge um fato novo, uma surpresa, um inesperado que exige correção de rota na vida.
oda queixa é narcísica.
Todo mundo se queixa o tempo inteiro. Do tempo: um dia do calor, outro dia do frio. Do trabalho: porque é muito ou porque é pouco. Do carinho: "que frieza" ou "que melação". Da prova: "dificílima" ou "fácil demais", E dos políticos, e da mulher, e do marido, e dos filhos, e dos tios, avós, primos; do pai e da mãe, enfim, de ter nascido. A queixa é solidária, serve como motivo de conversa, desde o espremido elevador até o vasto salão. A queixa é o motor da união dos grupos, é sopa de cultura social - quem tem uma queixa sempre encontra um parceiro. A queixa chega a ser a própria pessoa, seu carimbo, sua identidade: "Eu sou a minha queixa".
Jorge Forbes
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14/08/2010

Gente que enche o saco

Gente que lê livro de auto-ajuda e acha que está lendo filosofia.
Gente que acha que sabe do sentido da vida.
Gente que acha que escuta a melhor música do mundo.
Gente que acha que a regra vale mais que a vida.
Gente que vive em busca da "cara-metade".
Gente que acha que pagar é de fato ter direito.
Gente que acha que futebol é coisa de todo brasileiro.
Gente que acha que ser brasileiro é a melhor identidade do mundo.
Gente que acha que ter identidade é a melhor coisa do mundo.
Gente que coloca a aparência acima de tudo.
Gente que aparenta o que não sabe o que é.
Gente que despreza o que simplesmente não entende e por não entender acha que não deve possuir valor algum.
Gente que gera expectativas que não levam a nada.
Gente que ensina o que não entende e que ao invés de libertar o pensamento o torna algo difícil de funcionar.
Gente que espera por milagres.
Gente que venera a deuses mortos.
Gente que revela o pior do mundo em suas ações.

Alexsandro
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27/02/2010

Poesia e Prozac

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Até parece que falar de poesia é falar de monstros em terra de anjos. Alguém por ai ainda ler poesia? É claro que existem leitores de poesias e não são poucos, mas é raro encontrar de desses leitores fora das aulas dos cursos de Letras. Seu valor e significado para o fortalecimento das forças humanas foi esquecido. Assim como esquecemos que a poesia possibilita o enriquecimento da nossa percepção do mundo. Seu valor como fonte de energia e força foi substituido por Valium e Prozac.


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