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19/09/2013

O difícil exercício da lucidez

Conquistar e depois manter a lucidez não é tarefa fácil. É um exercício constante, sobretudo quando preferimos o autoengano, a desfaçatez, a não franqueza como modo de vida e manutenção da realidade. Não é fácil aceitar, mas é totalmente compreensivo o que diz Cioran:
É inútil construir tal modelo de franqueza: a vida só é tolerável pelo grau de mistificação que se põe nela. Tal modelo seria a ruína da sociedade, pois a “doçura” de viver em comum reside na impossibilidade de dar livre curso ao infinito de nossos pensamentos ocultos. É porque somos todos impostores que nos suportamos uns aos outros. Quem não aceitasse mentir veria a terra fugir sob seus pés: estamos biologicamente obrigados ao falso. Não há herói moral que não seja ou pueril, ou ineficaz, ou inautêntico; pois a verdadeira autenticidade é o aviltamento na fraude, no decoro da adulação pública e da difamação secreta. Se nossos semelhantes pudessem constatar nossas opiniões sobre eles, o amor, a amizade, o devotamento seriam riscados para sempre dos dicionários; e se tivéssemos a coragem de olhar cara a cara as dúvidas que concebemos timidamente sobre nós mesmos, nenhum de nós proferiria um “eu” sem envergonhar-se. A dissimulação arrasta tudo o que vive, desde o troglodita até o cético. Como só o respeito das aparências nos separa dos cadáveres, precisar o fundo das coisas e dos seres é perecer; conformemo-nos a um nada mais agradável: nossa constituição só tolera uma certa dose de verdade…


¿Quem quer se ver como impostor diante da vida e dos outros? ¿Quem se acha um mentiroso? ¿Quem gosta de ser definido como inautêntico? É, não é fácil encara Cioran de frente e concordar com ele, sobretudo para ter “a coragem de olhar cara a cara as dúvidas que concebemos timidamente sobre nós mesmos”. Uma fraude. Somos uma fraude constante. Alimentamos um “eu” envergonhado. Nosso maior exercício é escondemo-nos da vergonha de sermos nós mesmos como somos, uma fraude. Lutamos, inventamos formas de fugirmos disso. Por isso é comum nós considerarmos isentos das influências do mundo e nos vermos como críticos sagazes. Nunca nos vemos como baldes que são inundados todos os dias com uma quantidade enorme de informações, conceitos e ideias preestabelecidas, que bem merecem a alcunha de preconceituosas ou encobridoras da nossa real condição. Assim, aquele destemido crítico da vida e do cotidiano, na maioria das vezes, não passa de um balbuciador de ideias que o conquistaram e que dominam seu modo de ser e viver sem que ele mesmo se dê conta. Conseguiu esconder-se de si mesmo de tal maneira que nem mais se percebe como pura invenção de si.
Mas o fato é que ninguém é imune à tal exercício de mediocridade, estamos a todo o momento caindo em mentiras ou entendendo equivocadamente situações ou problemas. Ainda mais quando sabemos que vivemos em um momento no qual há uma imensa concorrência por nossa atenção ou desatenção. É, nossa atenção, e ao mesmo tempo nosso descuido, nossa desatenção, hoje vale muito dinheiro, a isso chamam mídia, propaganda, marketing; e há muita concorrência por ela, há muito investimento para nos captar e seduzir, levando cada vez mais longe o autoengano, a desfaçatez, a não franqueza como modo de vida e manutenção da realidade.
O grito de alerta revoltado do José Saramago bem pode nos ajudar a esclarecer o quão delicado é a fronteira entre a lucidez e o autoengano, a desfaçatez, a não franqueza:
O mais corrente neste mundo, nestes tempos em que às cegas vamos tropeçando, é esbarrarmos, ao virar a esquina mais próxima, com homens e mulheres na maturidade da existência e da prosperidade, que, tendo sido aos dezoito anos briosos revolucionários decididos a arrasar o sistema dos pais e pôr no seu lugar o paraíso, enfim, da fraternidade, se encontram agora, com firmeza pelo menos igual, repoltreados em convicções e práticas que, depois de haverem passado por qualquer das muitas versões do conservadorismo moderado, acabaram por desembocar no mais desbocado e reacionário egoísmo. Em palavras não tão cerimoniosas, estes homens e estas mulheres, diante do espelho da sua vida, cospem todos os dias na cara do que foram o escarro do que são.


Alexsandro



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06/05/2012

Fé e narcisismo

Frases típicas de uma fé narcisista:
Deus me ama!
Deus me fez vencedor!
Deus quer o melhor para mim!
Deus operou milagres em minha vida!
Tudo que tenho agradeço a Deus.
O Senhor é meu pastor e nada me faltará.
Em adesivos de carros lemos: Guiado por Deus. Presente de Deus. Propriedade de Deus.
¿Mas como ficam aquelas milhões de pessoas cujas vidas são qualquer coisa menos uma benção? Vidas cujo único presente foi a miséria. Vidas cujo único milagre foi o abandono. Vidas que olham e levantam as mãos para o céu e a única resposta que recebem é o brilho do sol ou a escuridão da noite, nada mais.
Pensando em tudo de bom que Deus não realiza na vida de milhões de pessoas (nem quero lembrar as crianças indefesas diante da vida e do mundo), uma fé que se alimenta de narcisismo é uma fé monstruosa. Pensar e acreditar que tudo isso é normal, viver sob tal lógica e não dar a mínima para o sofrimento dos outros seres humanos, é assumir uma perspectiva de vida das mais nefastas.


Alexsandro


28/11/2011

Interpretação e julgamento (II)


A questão é bem clara e dispensa maiores comentários. As pessoas que produzem julgamentos a respeito daquilo ou daqueles que não entendem estão na realidade preocupadas em chamar a atenção para serem elas mesmas julgadas (ou interpretadas(?)), porque sem isto, restaria apenas a desgraça de permanecerem medíocres e o que é pior, imperceptíveis!

 Nataly

23/11/2011

Interpretação e julgamento

Perguntaram-me: você não se preocupa com o que os outros pensam a seu respeito? Disse que não, pois a opinião da maioria das pessoas a meu respeito é baseada em senso comum, ou seja, é construída a partir de informações do mundo limitado e medíocre em que vivem. Na verdade, são elas que deveriam se preocupar com o que eu penso a respeito delas. Enquanto elas simplesmente me julgam, eu as interpreto com lentes das teorias que me ajudam a entender o mundo.

Alexsandro

14/08/2011

Casamento e auto-estima

Um estudo realizado na Universidade Estadual de Nova Iorque (EUA) examinou como a questão da autoestima influência numa relação. Tendo como parâmetro os custos da interdependência e da busca por objetivo autônomo, verificaram-se como os custos de autonomia ativa automaticamente fatores compensatórios aos processos cognitivos que atribuem maior valor ao parceiro. Pesquisadores conduziram testes com jovens recém-casados e observaram que quando uma das partes tem autoestima muito baixa existe a tendência deste se tornar muito dependente e não consegue corresponder às expectativas do cônjuge. Em casos assim o relacionamento começa a se deteriorar já no primeiro ano. O problema se agrava quando o parceiro que possui autoestima baixa começa a tornar o outro cada vez mais responsável por suas próprias necessidades.

13/08/2011

Ou nós ou eu



Estudo revela como o uso desses pronomes podem ser indicador de como anda uma relação


O estudo examinou a relação entre o uso dos pronomes pessoais e a qualidade emocional do casamento. Ou seja, o grau da interação e qualidades emocionais pode ser medido pela forma como cada um ou ambos usam os pronomes.  O estudo monitorou casais de meia-idade e idosos envolvidos em uma discussão de 15 min. Durante o qual a fisiologia e comportamento emocional foram monitorados continuamente. Transcrições integrais das conversas foram codificadas em duas categorias lexicais:
(a) "nós" - pronomes e palavras cujo foco era sobre o casal,
(b) "eu" - pronomes e palavras cujo foco era sobre os cônjuges individuais.
O resultado indicou que o uso de pronomes como “nós” e “nosso” nas discussões tem como conseqüência brigas menos longas e desgastantes (possibilitando uma relação mais tranqüila). Já a presença marcante do uso dos pronomes “eu”, “você”, “meu” e “seu” indicaram um forte sinal de que a relação não ia nada bem.

Homem carinhoso? Quem diria.

Um estudo que procurou examinar a vida sexual e afetiva em relacionamentos de casais de meia-idade e idosos em relacionamentos que variavam entre 1 e 51 anos de duração trouxe a tona algumas conclusões inusitadas. A pesquisa foi realizada em cinco países: Brasil, Alemanha, Japão, Espanha e os EUA e entrevistou cerca de 1.009 casais. Entre as variáveis investigadas buscou-se saber sobre escolaridade, saúde, intimidade física, comportamento sexual, etc. O histórico da vida sexual serviu de referência para medir o grau de felicidade do modelo de relacionamento e a satisfação sexual. Entre outras conclusões do estudo citamos uma que desmistifica a idéia de que são os homens que colocam o sexo em primeiro lugar:
O estudo demonstrou que para os homens o carinho em um relacionamento tem mais importância do que para as mulheres. Para eles a troca de carinho é o sinal de um bom relacionamento, o que não ocorre com as mulheres. Elas, por sua vez, apontaram para a vida sexual como indicador de satisfação no relacionamento.


Para texto da pesquisa: AQUI

10/03/2011

Sinais de que você não é feliz ou como identificar uma pessoa infeliz (2)

Já apresentamos aqui alguns sintomas de infelicidade (ver AQUI). Mas como o tema é recorrente, voltamos a ele, para não dizer que nunca saímos dele, afinal não é o que todos procuramos? Quem não procura a receita da felicidade?


Ignorando todo conhecimento conquistado sobre o tema, muitos ainda teimam em considerar as práticas homossexuais como algo contra a natureza humana. Não vou argumentar muito, vou me contentar em dizer que aquelas pessoas que se sentem pessoalmente ofendidos pelo fato de existirem homossexuais deveriam avaliar a própria inclinação sexual e questionar os argumentos que usa para explicar o fato de ser heterossexual e se horrorizar com os homossexuais. O motivo é bem simples: uma pessoa em paz, feliz e segura da própria sexualidade não se preocupa com a vida sexual dos outros. Também não fica procurando motivos que justifiquem o fato dele ser como é - heterossexual ou homossexual, não importa. É no meio de idéias confusas e de posições inseguras que encontramos os problemas. Quem sabe de si, simplesmente é, sem pedir ou dar explicações. Quem é feliz não se explica, quem é feliz não pedi explicação de ninguém.

28/08/2010

Apontamentos sobre os ciganos: a diferença causando repúdio







1. A palavra cigano é uma denominação vulgar para “rom” (ou “roma”, no plural). Constituem um povo de tradição nômade. Algumas interpretações mais aceitas indicam que são de origem indiana. Seja como for, o que os caracterizam atualmente é, sobretudo, a ausência de uma referencia histórica a algum país de origem. O problema que esse fato causa para eles é a falta de uma identidade de Estado ou cidadã que lhes possibilitem o reconhecimento como grupo étnico.

2. O preconceito contra os ciganos estimulou o surgimento de uma série de lendas contra eles: chegou-se a buscar na Bíblia elementos para aparentá-los a Caim e considerá-los amaldiçoados. Outra lenda aponta-os como aqueles que teriam fabricado os pregos da crucificação de Jesus de Nazaré.

3. Porajmos - Significa "devorar", é um termo cunhado pelo povo cigano Rom para descrever a tentativa do regime Nazista de exterminá-los. O fenômeno tem sido pouco estudado se comparado ao Holocausto judeu. Uma explicação para o esquecimento do extermínio cigano pelos nazistas se encontra no fato das comunidades ciganas serem menos estruturadas e organizadas do que outras que também sofreram com o regime nazista.

4. Atualmente o povo ciganos é o mais discriminado da Europa. (Sim, mais do que judeus e mulçumanos)
"O preconceito contra eles sempre existiu na Europa ocidental, sobretudo porque eles levam um modo de vida diferenciado, não tolerado pelo europeu. É uma cultura que o europeu não consegue apreender, porque baseada no oposto do que estamos acostumados, ou seja, em um máximo de estabilidade possível."
(Jean-Yves Camus, especialista em extrema-direita do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas - IRIS)


5. Situação dos Ciganos na Europa ( o que segue são apenas exemplos de medidas tomadas contra os ciganos em alguns paises)

França
Parabéns a França por ser o berço da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, sistematizados em dezessete artigos e um preâmbulo, nos quais os ideais libertários e liberais da Revolução Francesa estão inscritos e por dar prova do seu valor na forma das ações do seu atual presidente Nicolas Sarkozy e seus ataques contra os ciganos, no caso, aqueles que vivem na França.

Itália
O governo italiano é outro que se coloca contra os ciganos. O governo passou a registrá-los, recolhendo impressões digitais, e a propor indenizações para a saída voluntária dos ciganos em situação ilegal do país. O "incentivo" compreendia 400 euros e uma passagem de avião para o país de origem. O ministro italiano do Interior, Roberto Maroni, membro da Liga do Norte, o principal partido de extrema-direita, pretende expulsar qualquer cigano que não seja domiciliado ou que dependa do sistema social do país.

Alemanha
A Alemanha incentiva a partida voluntária e promove expulsões regulares de ciganos tidos como ilegais.

Reino Unido
Nas últimas eleições para primeiro-ministro, uma das promessas de campanha do candidato conservador David Cameron, vencedor do pleito, foi a de reforçar a legislação contra a ocupação ilegal de terrenos vazios, visando, nas entrelinhas, à comunidade cigana. O projeto prevê a criação de um novo delito através do qual os policiais serão autorizados a prender pessoas que se recusam a deixar um terreno ocupado ilegalmente.

República Checa
As violências com ciganos fazem parte do cotidiano, inclusive por parte do governo. O Estado checo chegou a obrigar crianças ciganas a freqüentar centros para doentes mentais.
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Notícia da Rádio e Televisão de Portugal (RTP) sobre os ciganos
-Apenas aúdio-




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14/08/2010

Gente que enche o saco

Gente que lê livro de auto-ajuda e acha que está lendo filosofia.
Gente que acha que sabe do sentido da vida.
Gente que acha que escuta a melhor música do mundo.
Gente que acha que a regra vale mais que a vida.
Gente que vive em busca da "cara-metade".
Gente que acha que pagar é de fato ter direito.
Gente que acha que futebol é coisa de todo brasileiro.
Gente que acha que ser brasileiro é a melhor identidade do mundo.
Gente que acha que ter identidade é a melhor coisa do mundo.
Gente que coloca a aparência acima de tudo.
Gente que aparenta o que não sabe o que é.
Gente que despreza o que simplesmente não entende e por não entender acha que não deve possuir valor algum.
Gente que gera expectativas que não levam a nada.
Gente que ensina o que não entende e que ao invés de libertar o pensamento o torna algo difícil de funcionar.
Gente que espera por milagres.
Gente que venera a deuses mortos.
Gente que revela o pior do mundo em suas ações.

Alexsandro
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16/10/2009

MENSAGENS DE AUTO-AJUDA

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É absurdo dividir as pessoas em boas e más. Elas são simplesmente más.

Quando uma pessoa burra concorda comigo é hora de rever o que estou pensando.

Só me dirijo às pessoas capazes de me entender, por isso quase nunca falo.

São os olhos das pessoas que nos destroem. Se todos fossem cegos nos destruiriamos pelos ouvidos.

Muitas pessoas não têm a menor idéia sobre o que pensam e muito menos sobre o que dizem.

Definição de Educação: transformar crianças inteligentes em adultos burros.


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04/05/2009

Canalha, cínico ou fraco? Escolha seu perfil.

Levando em consideração o comportamento das pessoas quando estão reunidas em grupos, Jacques Lacan classificou três tipos:

Os Canalhas
aqueles ou aquelas que assumem o lugar do outro, ou seja, que pretendem ter o comando sobre o objeto do desejo dos outros. Os canalhas tentam impor as regras aos que o cercam, tenta modelá-las.

Os Cínicos
só pensam no próprio prazer, mas não tentam impor aos outros (aliás, eles não dão muita bola para os outros).

Os Fracos
dóceis, crédulos, concordantes, os fracos se deixam englobar no discurso do outro a ponto de ser engolido por ele, pois são suficientemente instáveis para se deixarem levar por quem quiser dar uma de chefe.