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08/06/2014

Um ato de covardia a mais ou o círculo vicioso do silêncio





Em grande parte das vezes evitamos expressar opiniões e sentimentos a respeito de muitas coisas, a exemplo de muitas coisinhas miúdas do dia a dia, por supormos, as vezes com razão, que ao fazê-lo causaríamos constrangimentos e desconfortos para nós e/ou para outros. Assim, evitamos expor e guardamos silenciosamente sentimentos e ideias.
Além das nossas ideias e sentimentos há outras ideias e outros sentimentos mais poderosos que os nossos que também fazem um percurso silencioso na sociedade (crenças, valores, formas de ser e viver e noções a respeito de vários temas).
O curioso é perceber que quando algumas dessas ideias ou sentimentos vazam para fora do silêncio surge no ar uma sensação de alívio ao se perceber que não se foi o único a pensar ou sentir daquela forma.
Momentos assim também revela nosso medo, nossa condescendência, nossa falta de vontade em querer se comprometer com posturas que fariam nosso ambiente social ser abalado, positiva ou negativamente, afinal, nunca sabemos antes do ocorrido. E como não sabemos preferimos lidar com a dúvida em silêncio, negamos o debate, o dialogo, a discussão, acreditando que assim nosso barquinho não precisará enfrentar nenhuma tempestade.

Sim, somos falsos, mentirosos, preguiçosos, covardes, negamos que nossa compreensão das coisas se faça expostas e ouvidas e discutidas. Acreditamos em nossas próprias mentiras (ou fazemos de conta) e nas mentiras dos outros (ou fazemos de conta). Nossa imaginação é prodigiosa em criar desculpas para nós manter quietos quando queremos ficar quietos (e quase sempre desejamos ficar quietos).




Alexsandro



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06/04/2014

Dá muito trabalho ser feliz


É muito esforço, pelo que percebo ser feliz dá muito trabalho, sai caro e exige muito empenho e dedicação. Entre tantas outras coisas, tem que ter dinheiro, tem que morar numa bela casa, tem que ter um animal de estimação e levá-lo no pet shop toda semana, comprar ração, sair para passear, ver o bicho defecar e fazer xixi.
Depois tem que ter carro, mas não basta ter carro, tem de trocar de carro todo ano (e o trabalho que dá lidar com toda documentação do carro novo).
Também não basta ser saudável, tem que ficar magro, gostoso, atleta olímpico de ponta. Precisa frequentar uma academia. Ir ao cabeleireiro toda semana, fazer as unhas, limpeza de pele. Sem contar as idas às clinicas de estéticas e todos aqueles tratamentos contra celulite, gordura localizada. Aparelho nos dentes é fundamental para ser feliz. Um silicone aqui e ali também não pode faltar. Um guarda roupa completíssimo, afinal ninguém é feliz repetindo roupas.
Tem que entrar numa faculdade (e não vale qualquer faculdade).Tem que ser bom nos estudos, afinal ninguém poder ser feliz se for considerado o idiota da sala ou se não tiver coisas inteligentes para falar.
Na vida profissional tem que fazer sucesso, não basta estar empregado, tem conseguir um bom emprego. Tem que ser o tal: ter cartão de visita, ir a jantares em restaurantes chiques e hotéis cinco estrelas.
Tem que estabelecer metas e depois tem de realizá-las (processo que exige empenho todos os dias). Tem que se focar nas emoções positivas, nos momentos bons (não sei o que se faz com os momentos ruins quando se vive para ser feliz). Tem que ler livros de autoajuda para aprender a focar naquilo que traz bem-estar e satisfação. Sem falar de todo esforço para conseguir o tal autoconhecimento.
Tem de aprender a tocar um instrumento (afinal ninguém é feliz se não puder animar uma festa, ser o centro das atenções).
É preciso ser assinante de TV por assinatura e ter Internet rápida. Tem que ter um celular de última geração e com ele estar conectado o dia todo: Facebook, Blog, e-mail, WhatsApp, Twitter, etc.
Tem que ter atrativos para atrair outras pessoas para sua casa, principalmente os amiguinhos dos seus filhos: vídeo games, brinquedos “ultramegapowers”, uma geladeira repleta de coisas gostosas, estar disposto para passear no shopping sempre que possível. (De qualquer forma ir ao shopping é fundamental para ser feliz).
Tem que viajar, principalmente para lugares que seus amigos desejam conhecer, pois, desta forma, você faz duas coisas que também são fundamentais para ser feliz, conhecer um lugar novo todo ano e fazer inveja aos infelizes que não podem viajar.
Na vida amorosa... nem vou tocar nesse assunto, basta dizer o quanto me assusta ter de pensar em declarações de amor eterno e  jantares a luz de vela, lingerie nova e depilação sempre em dia. Fazer coraçãozinho com as mãos é demais para mim.
Acho que prefiro ser infeliz, é mais fácil, mais simples, não custa quase nada e eu posso ser eu mesmo (seja lá o que isso signifique, afinal não preciso me preocupar em ser esse tal de “eu mesmo” para ser infeliz). É, ser infeliz dá muito menos trabalho.
P.S.: ¿Como não percebi isso antes? Tudo teria sido bem mais fácil.



Alexsandro

26/02/2013

Criatividade contra a mediocridade


Diante do mundo e de suas forças a vontade é o que gera vida em abundância. Em nós o mecanismo da vontade é a criatividade. É ela que nos atualiza diante do mundo. Mas quando somos vencidos pelas forças reativas do mundo, quando a vontade de se atualizar diante do mundo se transforma em vontade de imitação ou vontade de permanência, nossas forças de expressão desfalecem, nossa criatividade torna-se reatividade. Assistimos a partir de então o aparecimento de uma séria de sintomas característicos da experiência medíocre: impossibilidade de expressão criativa, hiperadaptação ao meio social, falta de originalidade, tendências miméticas, sobretudo na tentativa de reproduzir formas socialmente populares. Aqui a atualização diante do mundo perde sua força. Por sua vez o desejo de ser igual aos modelos preestabelecidos torna-se o ideal a ser alcançado.

Alexsandro

08/05/2012

Imaginação a serviço do encobrimento

Entre a sociedade de hoje e os intelectuais medeia um entendimento tácito:
"Conto contigo - dizem os leitores - para que me forneças os meios para esquecer, disfarçar, negar, em suma, a morte. Se não cumprires este encargo, expulso-te, ou seja, não te lerei. "
Louis Vincent Thomas

23/11/2011

Risos mediocres e adiposos

As pessoas querem ser enganadas. Ou, no dizer de Schopenhauer: "Quanto menos inteligente um homem (ou mulher) é, menos misteriosa lhe parece a existência".

Imitando novamente Schopenhauer: sai de tua ignorância, amigo e amiga, acorda, pois "a soma de barulho que uma pessoa pode suportar (ou provocar) está na razão inversa de sua capacidade mental" e esses risos envenedado de ressentimentos pela vida não te farão uma pessoa melhor.


Alexsandro

25/08/2011

O mundo que merecemos

Não importa a qual tema se aplique, a maioria de nós somos um desastre. Caindo no mau gosto da generalização, arrisco dizer que emocionalmente nossa sociedade é por demais infantil. Não somos muito afeito as responsabilidades, não queremos nos comprometer com nada mais do que nossas picuinhas. Queremos aquilo que é cômodo, mesmo que não saibamos o que isso significa. Reina uma espécie de letargia: esperamos milagres ou soluções mágicas vindas sabe-se lá de onde. Culpamos os "outros" ou "eles" pelos os infortúnios da vida. O mal vem sempre do outro lado. Esperamos que "alguém" resolva aquilo que caberia a nós resolver.
É duro ter que constatar, mas temos a nossa volta o mundo que merecemos. Pois se não fizemos o mundo que ai se encontra, pelo menos permitimos que ele continue do jeito que encontramos, e as vezes, até pior.


Alexsandro

24/05/2011

Mediocridade


A mediocridade é como um vírus que se espalha pelo contato. Os medíocres são os agentes de sua propagação, representam um perigo que anda livre espalhando mais mediocridade. A mediocridade se espalha pela complacência com a mediocridade: aceita-se docemente os imbecis e idiotas, alimenta-se a crença de que é legal ser ser estúpido, vulgar e inculto.

Valores

Valores são princípios que determinam e orientam as nossas ações.
Valores são adquiridos na socialização.
Valores são mitos
Valores são dogmas.
Valores influenciam nossas percepções.
Valores influenciam nossa sensibilidade.
Valores bloqueiam nossas emoções.
Valores produzem medíocres.
Mas a vida teima em negar os valores.
A vida não é valores.
Ela não se basta nos valores.

25/11/2010

SOBRE A MEDIOCRIDADE E A REVOLTA

Um dos nossos problemas, assim me parece — é a questão da mediocridade. Não estou empregando esta palavra em sentido condenatório, mas é fato óbvio que a grande maioria de nós é medíocre. Poderá alguma técnica, religiosa ou mecânica, libertar-nos dessa mediocridade? Ou não deve, antes, haver uma revolta contra toda técnica?...
Nossa mentalidade é o resultado das influências; ela está condicionada por influências. E condicionados que estamos e sujeitos a influências várias, dizemos: “Escolherei uma determinada influência, um guru, escolherei o que é bom, o que é nobre; e cultivarei por meio de vários exercícios, de vários métodos, tal excelência”. Todavia, não obstante isso, nossa mente continua a ser uma mente influenciada, controlada, moldada, mente que luta para alcançar um fim predeterminado; e essa mente jamais pode achar-se em revolta, pode? Pois, no mesmo instante em que se revolta, essa mente se vê num estado de caos. A mente medíocre, pois, nunca pode estar revoltada, sendo capaz unicamente de passar de um estado condicionado para outro, de uma influência para outra.
Não deveria a mente estar sempre revoltada, para compreender as influências que a assaltam incessantemente, interferindo, controlando, moldando? Um dos fatores da mente medíocre não é o medo constante que a domina e, também, o estado de confusão em que se acha, em virtude do qual ela deseja ordem, consistência, deseja uma fórmula, um modelo pelo qual possa ser guiada, controlada; e, entretanto essas fórmulas, essas várias influências geram contradições no individuo, geram confusão no indivíduo. Estás condicionado como hinduísta ou como muçulmano; outro está condicionado pela idéia de “ser nobre” ou por idéias econômicas ou religiosas. Qualquer escolha entre diferentes influências denota sempre um estado de mediocridade. A mente que escolhe entre duas influências e começa a viver em conformidade com a influência preferida, continua a ser medíocre, não é verdade? Pois essa mente nunca se acha num estado de revolta, e a revolta é essencial para que se possa descobrir algo.



Jiddu Krishnamurti