22/09/2013

MENSAGENS DE AUTO-AJUDA

A ironia é uma boa porta de saída para libertação.

Nada mais irônico que amar o próximo como a ti mesmo quando você é alguém desprezível.

Se você não consegue ser irônico ou não entende uma ironia da/na vida, você deve ser alguém horrível, digno de pena e, sobretudo, um idiota.

Se as pessoas legais evitam você, com certeza você é um chato.

O chato melhora com a idade, fica um pouco mais chato a cada dia.

Existem várias maneiras de ser chato, mas o chato sempre escolhe a pior.

Frases típicas de um chato: "Eu não sou chato. Já disse que não sou chato. EU NÃO SOU CHATOS. SE EU FOSSE CHATO...


Alexsandro

21/09/2013

Satisfação efervescente e refrescante


O controle das formas de expressão é a melhor maneira de subjugar os sujeitos. Alguém sem informação não consegue pensar para além do pouco que conhece. Quanto mais limitado mais miserável. Tornar-se um pouco culto não é questão de arrogância ou privilegio, é abrir-se para a possibilidade de criação de novas formas de ser e ver o mundo no qual estamos inseridos. Sem isso estamos fadados a uma vida pobre e limitada.
Há interesses sacanas, gananciosos e mesquinhos por trás da promoção de uma cultura mercadológica, isso todos sabemos (ou deveríamos saber), entretanto, o maior problema se encontra no fato de que com ela nossas medidas de comparação ficaram embaralhadas, ou seja, estamos confundindo e deixando de lado aquilo que possibilita vida plena, alegre, aberta, criativa, espontânea, vibrante, ligada a nossa capacidade de inventar a cada momento um modo de ser e fazer de cada um desses momentos de nossas vidas uma experiência que nos tornaria pessoas melhores, melhores no sentido de nos levar para além daquilo que somos, com aquilo que nos deixa momentaneamente satisfeitos, numa espécie de satisfação efervescente e refrescante, tal qual propaganda de pasta de dente ou refrigerante.


Alexsandro


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19/09/2013

O difícil exercício da lucidez

Conquistar e depois manter a lucidez não é tarefa fácil. É um exercício constante, sobretudo quando preferimos o autoengano, a desfaçatez, a não franqueza como modo de vida e manutenção da realidade. Não é fácil aceitar, mas é totalmente compreensivo o que diz Cioran:
É inútil construir tal modelo de franqueza: a vida só é tolerável pelo grau de mistificação que se põe nela. Tal modelo seria a ruína da sociedade, pois a “doçura” de viver em comum reside na impossibilidade de dar livre curso ao infinito de nossos pensamentos ocultos. É porque somos todos impostores que nos suportamos uns aos outros. Quem não aceitasse mentir veria a terra fugir sob seus pés: estamos biologicamente obrigados ao falso. Não há herói moral que não seja ou pueril, ou ineficaz, ou inautêntico; pois a verdadeira autenticidade é o aviltamento na fraude, no decoro da adulação pública e da difamação secreta. Se nossos semelhantes pudessem constatar nossas opiniões sobre eles, o amor, a amizade, o devotamento seriam riscados para sempre dos dicionários; e se tivéssemos a coragem de olhar cara a cara as dúvidas que concebemos timidamente sobre nós mesmos, nenhum de nós proferiria um “eu” sem envergonhar-se. A dissimulação arrasta tudo o que vive, desde o troglodita até o cético. Como só o respeito das aparências nos separa dos cadáveres, precisar o fundo das coisas e dos seres é perecer; conformemo-nos a um nada mais agradável: nossa constituição só tolera uma certa dose de verdade…


¿Quem quer se ver como impostor diante da vida e dos outros? ¿Quem se acha um mentiroso? ¿Quem gosta de ser definido como inautêntico? É, não é fácil encara Cioran de frente e concordar com ele, sobretudo para ter “a coragem de olhar cara a cara as dúvidas que concebemos timidamente sobre nós mesmos”. Uma fraude. Somos uma fraude constante. Alimentamos um “eu” envergonhado. Nosso maior exercício é escondemo-nos da vergonha de sermos nós mesmos como somos, uma fraude. Lutamos, inventamos formas de fugirmos disso. Por isso é comum nós considerarmos isentos das influências do mundo e nos vermos como críticos sagazes. Nunca nos vemos como baldes que são inundados todos os dias com uma quantidade enorme de informações, conceitos e ideias preestabelecidas, que bem merecem a alcunha de preconceituosas ou encobridoras da nossa real condição. Assim, aquele destemido crítico da vida e do cotidiano, na maioria das vezes, não passa de um balbuciador de ideias que o conquistaram e que dominam seu modo de ser e viver sem que ele mesmo se dê conta. Conseguiu esconder-se de si mesmo de tal maneira que nem mais se percebe como pura invenção de si.
Mas o fato é que ninguém é imune à tal exercício de mediocridade, estamos a todo o momento caindo em mentiras ou entendendo equivocadamente situações ou problemas. Ainda mais quando sabemos que vivemos em um momento no qual há uma imensa concorrência por nossa atenção ou desatenção. É, nossa atenção, e ao mesmo tempo nosso descuido, nossa desatenção, hoje vale muito dinheiro, a isso chamam mídia, propaganda, marketing; e há muita concorrência por ela, há muito investimento para nos captar e seduzir, levando cada vez mais longe o autoengano, a desfaçatez, a não franqueza como modo de vida e manutenção da realidade.
O grito de alerta revoltado do José Saramago bem pode nos ajudar a esclarecer o quão delicado é a fronteira entre a lucidez e o autoengano, a desfaçatez, a não franqueza:
O mais corrente neste mundo, nestes tempos em que às cegas vamos tropeçando, é esbarrarmos, ao virar a esquina mais próxima, com homens e mulheres na maturidade da existência e da prosperidade, que, tendo sido aos dezoito anos briosos revolucionários decididos a arrasar o sistema dos pais e pôr no seu lugar o paraíso, enfim, da fraternidade, se encontram agora, com firmeza pelo menos igual, repoltreados em convicções e práticas que, depois de haverem passado por qualquer das muitas versões do conservadorismo moderado, acabaram por desembocar no mais desbocado e reacionário egoísmo. Em palavras não tão cerimoniosas, estes homens e estas mulheres, diante do espelho da sua vida, cospem todos os dias na cara do que foram o escarro do que são.


Alexsandro



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15/09/2013

O interesse na educação

Há apenas dois pressupostos fundamentais na educação e no processo de ensino-aprendizagem:
O INTERESSE de quem aprende - um bom aluno é um aluno interessado. Como aluno eu preciso estar interessado.
O INTERESSE de quem ensina pelo interesse de quem aprende - um bom professor é um professor que se interessa pelo interesse do aluno interessado. Como professor eu preciso estar interessado pelo interesse do aluno interassado.
O resto é pré-requisito para justificar uma relação de dominação que se quer fazer valer.
 
Alexsandro
 
 
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Educação para a felicidade

Educação para a felicidade. Esse é um tema que mereceria nossa atenção. A escolha é entre educar para COMPETÊNCIAS ou educar para FELICIDADE. Infelizmente muitos não percebem a grande diferença que existe entre estes dois tipos de educação. Nossas escolas, e junto com elas os professores, assumiram o discurso empresarial da competência como uma verdade absoluta. O que é lamentável.
 
 
Alexsandro
 
 
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Todo funcionário do mês é um pouco Bob Esponja

A noção de funcionário do mês é uma das noções mais horrendas e safadas já inventada pelo mundo corporativo, e para mim não há ninguém que represente tal figura melhor que o Bob Esponja.
Acredito que todos sabem quem é Bob Esponja Calça Quadrada, a esponja do mar amarela que trabalha numa lanchonete chamada Siri Cascudo, de propriedade do Seu Siriguejo, um siri-patrão que só pensa em dinheiro.
Como todos devem saber, Bob Esponja ama fazer hambúrgueres de siri. O que o torna um empregado ideal, o sonho de qualquer patrão? Vejamos algumas características desse que é sempre e em qualquer lugar o funcionário do mês.
Bob Esponja se encontra sempre disposto para trabalhar, mesmo não recebendo o miserável salário a que tem direito, ele chega até mesmo a abrir mão dele para continuar trabalhando. Tal condição vem do seu desapego às coisas materiais. Para muita gente, até para mim, essa é uma qualidade admirável, mas no mundo do mercado é uma das principais portas de entrada da exploração patrão-empregado. Todo patrão adoraria ter empregados que não pensam em dinheiro, que não pensam em possuir coisas, pois assim estariam dispostos a trabalhar apenas pelo prazer de fazer o que gostam, enquanto o patrão continuaria a engrandecer seus cofres com lucros e mais-valia. Com a mesma intensidade Bob Esponja demonstra uma imensa adoração ao lugar de trabalhos, o Siri Cascudo, a ponto de dá a própria vida por ele. É ou não outro sonho de qualquer patrão ter um empregado assim?
Mas para mim não tem como lembrar o Bob Esponja, a noção de funcionário do mês sem lembrar de Trilussa e seu poema “A focinheira”:

- Sabe que sou fiel e afeiçoado,
dizia o Cão ao Homem, e disposto a tudo,
mesmo a ser sacrificado cumprindo as suas ordens.
Isto posto, quero falar, agora, com franqueza:
a focinheira põe-me deprimido;
por que não dá-la ao Gato, que é fingido,
apático e traidor por natureza?
O Homem responde: - Mas a focinheira
lembra sempre a existência de um patrão
que te protege e, de qualquer maneira,
é quem te ampara e te garante o pão.
- Já que assim é, o dito pelo não dito!
Corrige o Cão, desculpe-me a besteira.
E, deste aí, com ar convicto,
passou a falar bem da focinheira...

Alexsandro
 
 
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01/09/2013

¿Por que deveria agir gratuitamente?

¿Por que deveria agir gratuitamente? ¿Por que me doar, aceitar ou experimentar algo gratuitamente? ¿Por que não posso aproveitar do outro apenas aquilo que me apraz? ¿Por que meus interesses imediatos devem ser repensados? ¿ Por que meus gostos devem ser colocados em segundo plano?
As coisas gratuitas, as experiências gratuitas estão ameaçadas pelo mercado, pelo capitalismo gritante nas nossas ações e escolhas. Vivemos em meio a um mercantilismo ímpar. Vivemos sob a égide de um banditismo universal que consiste na consideração de que algo só vale a pena se for feito a partir da lei que impõe que tudo deve ser feito apenas em proveito próprio. Esse banditismo se chama capitalismo. Tanto que a ideia de um capitalismo humanizado e democrático nunca se sustentou. E desaba de vez quando o panorama local ou global nos lança para um universo de guerras, expropriações, destruições generalizadas do meio ambiente e suas populações, competições nos mais variados setores da vida e crises sem precedentes em todas as esferas da vida humana.
¿Será que podemos imaginar que esta economia de mercado ainda dure séculos? Quem pensa que sim... sabe-se lá... não pensou direito. Vivemos um modelo de vida extremamente perigoso em um sistema extremamente perigoso. Não acalentamos solidamente nenhuma confiança no futuro. Insegurança, incerteza, instabilidade e desorientação preenchem nosso cotidiano.
Não podemos esquecer que muito daquilo que faz nossas vidas valerem a pena vem da gratuidade delas.

Cardápio de gente



A fragmentação de cada um de nós acontece de forma cada vez mais inusitada.
Vejamos, por exemplo, a confusão que fazemos entre comprar e encontrar. 
Olhamos uns para os outros, nos analisamos, questionamos e intentamos escolher aquele(s) que fará(m) parte de nossas vidas a partir de critérios tais como: gostos, interesses, altura, cor da pele, dos olhos, dos cabelos, estilo musical preferido, grau de instrução... Achamos que se assim fizermos teremos uma via garantida para que nossa escolha dê certo. Depois de uma lista razoável de critérios eletivos escolhemos ou somos escolhidos como em um cardápio. Não é a pessoa inteira que é vista e entendida, é um recorte, um fragmento. O nó da questão se encontra no fato de acharmos que agindo assim nossas escolhas serão seguras. Sonhamos que nossas escolhas se darão como numa experiência de compra, guiado por um cardápio de opções, que é exatamente o contrário do encontro. O encontro acontece sem que tenhamos a menor ideia do que estamos encontrando, logo ele implica que nossas opções não serão levadas em consideração. Todo encontro envolve surpresas.

Alexsandro




O maior enigma da terra

Não há e nunca houve enigmas terríveis a serem decifrados, muitos menos mensagens profundas e existenciais para serem levadas a sério. Inventamos tudo para oferecer a nós mesmos justificativas para que a vida fizesse algum sentido.

Apagamento de si

Para muitos a possibilidade de experimentar a liberdade em nome de um proveito próprio é a possibilidade de vivenciar suas relações e seu mundo do modo que desejam. Nada há de errado em pensar assim. A questão se encontra no uso exagerado ou viciante de certas experiências, sobretudo quando confrontado com a impossibilidade de levar as últimas consequências o sonho de liberdade. O uso excessivo da sensorialidade é um destes casos. Assistimos cada vez mais que o número de experiências banais cresceu enquanto diminuía o número das experiências que requerem um grau de compromisso maior, e, paralelo a esse fato, testemunhamos o aumento do uso de atividades sensoriais intensas como um mecanismo que visa a extirpação de angústias. Sendo o resultado posterior justamente o agravamento daquilo que se tentava eliminar quando sonhávamos com a liberdade: aumento das experiências frustrantes e desestabilidade emocional, solidão e empobrecimento das relações.
Em um mundo que fez dos corpos despersonalizados sua imagem emblemática, ou, caso se deseje dizer a mesma coisa de outra forma, que fez de partes do corpo (bunda, peito, rosto, perna, pênis, barriga) seus objetos emblemáticos, sendo estas partes sem personalidade (despersonalização), ou, o que também não ajuda muito, uma personalidade para cada parte do corpo (fragmentação), podemos testemunhar uma lista significativa de contradições que se somam para forma um mosaico peculiar das experiências que são vividas por boa parte das pessoas.
Uma destas contradições típicas do nosso momento histórico é o fato de que expomos nossas vidas na Internet, onde tudo pode ser exposto, mas tememos viver intimidades e construir vínculos com os outros. Outra é a contradição que existe entre a imagem pública e a experiência privada. Geralmente a primeira é exposta como uma experiência bem-sucedida e a segunda como experiência da solidão e isolamento ou de relações de péssima qualidade.
O problema pode se agravar quando se percebe o quão difícil ou mesmo impossível é mudar o mundo no qual se vive. O uso de certas atividades, dos mais variados tipos, funciona como atividades masturbatórias direcionadas para aliviar a angústia daí decorrente. No exercício de anestesimento de si em relações masturbatórias e sensoriais sem qualquer significado emocional, tenta-se afastar para longe os riscos, sempre próximos na experiência atual, da despersonalização e fragmentação, em suma, do apagamento de si mesmo.