06/09/2011

Alvo certo - aos amargos

As pessoas que não suportam a vida são um perigo. Por isso adoram as regras, usam estas como defesa contra a imanência da vida e as explosões da diferença, do diferente. Elas são um risco para os outros, para a sociedade. Levam consigo um espectro de escuridão e sombra, violência e dor, não amam nada. São avessas da alegria e da liberdade. Infelizmente por conta das situações sociais somos obrigados a partilhar interações com elas, elas que reduzem tudo a nada sob pretextos mesquinhos.
Decepcionadas que são desde sempre com os sabores do amor e do sexo, o que resta nelas da natureza afetiva e erótica não vivida é nada mais que um bagaço podre de amargura.

Alexsandro

05/09/2011

Quem age por hábito, não faz escolhas.


Vivemos um tempo de escolhas. Precisamos escolher. Entre escolhas possíveis, precisamos escolher uma. A nossa forma de escolha exige julgamento, avaliação: é a tomada de decisão. Quem age por hábito, não faz escolhas.

10 notas antipatrióticas ou por uma vida para além da Pátria e do Estado

Nota 1
Todo patriotismo é coisa inventada e imposta.


Nota 2
Onde há Estado a noção de Pátria se faz necessário. A construção da lealdade ao Estado passa pela construção da obediência patriótica. Tudo aquilo que é usado para definir a pátria, o espírito patriótico, é usado para assegurar a permanência do Estado. A Pátria compartilhada legitima a unificação política do Estado. É sobre a bandeira da Pátria que o Estado é defendido.


Nota 3
Um Estado, um sentimento patriótico – o estabelecimento de um padrão de sentimentos que devem ser vividos e experimentados. Os traços culturais são usados para construir a noção de Pátria.
A construção do conceito de Pátria passa pela eliminação da alteridade. Pátria é uma noção reacionária. O discurso patriótico é coercitivo. Se não se tiver pela Pátria um amor fiel corre-se o risco do estigma, da exclusão, de ser considerado um herege.


Nota 4
Patriocentrismo - o fenômeno que coloca a pátria como centro do universo, uma derivação do etnocentrismo e sociocentrismo.
O etnocentrismo alimenta as mais diversas formas de preconceitos, racismos, fanatismos, xenofobias. Um de seus maiores problema se encontra na desqualificação do outro. O etnocentrismo é uma característica comum a diversas sociedades. Seu limite se encontra na percepção do outro, mais especificamente na ignorância, no desconhecimento do que o outro de fato representa e da importância do outro enquanto outro.
O patriocentrismo possui um traço comum com o etnocentrismo: uma atitude de superioridade frente a outras sociedades e culturas a partir de uma percepção auto-referencial - os membros de uma sociedade percebem-se não apenas diferente, mas superiores.
Um outro problema é quando se começa a considerar como únicos possíveis os pontos de vista dado pela visão patriótica. Internamente ao Estado tal noção dominante e tida como superior pode levar a não aceitação das discordâncias e a censura destas. Tal visão é absorvida pelo sujeito que passa a considerar esta visão como estando ligada a sua situação e as suas atividades próprias. Cria-se um estado de espírito no qual o sujeito deixa de compreender sua própria situação e passa a compreender tudo pela visão da pátria e do Estado. Ele só compreende a pátria na perspectiva dela mesma. Tanto elementos afetivos quantos intelectuais estão em jogo. O sujeito perde a sua singularidade em prol de uma identificação com elementos que lhes são exteriores e estranhos. Não compreende que muito daquilo que ele venera foi construído em momentos que lhes são totalmente distantes, tanto no tempo quanto no espaço, e em circunstâncias das quais ele desconhece e que não teve nenhuma participação. – um exemplo são os símbolos patrióticos.


Nota 5
O que alimenta tal atitude patriótica é a incapacidade de compreender a complexa trama de elementos que envolvem a construção do seu conteúdo e do seu funcionamento. Havendo, por conseguinte, uma redução dos seus elementos componentes dentro de uma elaboração de visão de mundo extremamente centrada em um conteúdo moral a incapacidade de compreender e de conceber a pátria como uma invenção, como uma construção, pode levar a geração de um conteúdo moral que busca evitar qualquer esforço reflexivo, qualquer analise sobre as implicações de se viver sob um regime patriótico. Esse conteúdo moral pode chegar às raias da crueldade, da brutalidade, do totalitarismo e do fascismo. Tal conteúdo moral quase sempre desqualifica os esforços do pensamento criterioso e analítico. Assim, a incapacidade de autocrítica somada a condenação a qualquer tipo de crítica fazem do patriocentrismo uma atitude arrogante, fundado em idéias preconcebidas que constrói seus discursos tendo por base pressupostos arbitrários, caprichosos e injustos.
Tais comportamentos morais e afetivos que definem e caracterizam o afeto patriótico são de extrema relevância para compreensão de como se constroem os instrumento de sedimentação dos sujeitos em um Estado, ao Estado, sobretudo para compreensão dos estudos sobre os estados de ânimos sociais, agitações ou controle dessas agitações. Assim, a noção de Pátria serve como tensor que se estende entre o Estado e os sujeitos.


Nota 6
Tal sentimento de Pátria não é algo inerente aos indivíduos, esta noção delineia-se a partir do processo de socialização, do processo de descoberta do ambiente cultural no qual o individuo encontra-se inserido. Entretanto, não há garantias de que tal sentimento venha a ser vivido com toda fidelidade. Para que tal fidelidade venha se estabelecer todo um processo de (des)construção da imagem de si e, sobretudo da imagem do outro, deve acontecer.
O homem da pátria acredita saber diferenciar o justo do injusto, o bem do mal. Ele procura respeitar as instituições e exige que os outros façam o mesmo, ele é um soldado sem farda. Ele se crer fazendo sua parte para manutenção da lei, da ordem e da paz social; ele também se ver como um homem trabalhador e honesto, que oferece a sua força de trabalho para o desenvolvimento e futuro do seu país; acredita na ascensão social, que se fizer sua parte para o bom funcionamento da pátria há de prosperar junto com ela. Daí que o patriota alimento sua capacidade de julgamento sempre na mesma direção: tudo aquilo que for diferente do seu ponto de vista deve ser condenado; tudo aquilo que não girar em torno das suas convicções é uma oposição que deve ser excomungada; tudo aquilo que for diferente é uma ameaça em potencial à conservação e manutenção da sociedade. Ele identifica aquilo que é a pátria com aquilo que é "bom" para todos, independentemente de quem se trata – a vida é a pátria, homens e mulheres são a pátria, o social é a pátria; e tudo que assim não for dever ser renegado.


Nota 7
A pátria não é um acontecimento natural. É algo que possui uma temporalidade, que pode ser datada em termos do seu nascimento e morte. Os traços geográficos que a delineia foram rabiscados pelo desenrolar das tramas históricas, na maioria das vezes produto de lutas e mesquinharias. Imagens, falas, sentimentos, expressões de vidas, línguas, corpos, sensações, vegetações, animais, paisagens, foram juntados, costurados, colados na especificidade e particularidade de um momento, a eles se juntaram discursos, sentidos foram criados, passando a afetar uma cosmovisão. A pátria é uma produção, não do seu povo, mas, das relações de poder a ela subjacentes. O povo foi uma de suas capturas. Ele é um de seus reféns. Assim como o é a natureza, as crenças, os valores e todos os produtos culturais nascidos das relações entre os sujeitos.
Quem olha do presente para o passado é levado a acreditar que a pátria é fruto de um processo coerente e ordenado, que ela é o produto final e glorioso de sua própria evolução. Somos levados a esquecer que as inúmeras práticas vividas e discursos pronunciados em termos patrióticos assim o foram na dispersão do tempo e do espaço, enfim, o ajuntamento das práticas e dos discursos que dão forma a pátria não são frutos de um acontecimento lógico, controlado, calculado ou previsível.
O surgimento da pátria é fruto do silenciamento de uma multiplicidade de vozes, do apagamento de uma multiplicidade de imagens e práticas. Vozes e praticas que foram recortadas em seus múltiplos dizeres e fazeres, que foram selecionadas e moduladas para que, em seguida, fossem reapropriadas para servirem ao propósito “maior”: elementos constituintes de uma pátria-mãe. É por conta disto que devemos questionar sobre como foi e como é possível uma pátria, a que preço ela se tornou e se torna possível.


Nota 8
A idéia de pátria como algo natural ou desde sempre ai acaba por encobrir o fato de ser ela um produto político e que enquanto tal deve ser compreendida. Apoderando-se de símbolos, de fatos e de expressões a pátria vai reagir e funcionar a partir de uma totalidade maior: o Estado-nação. Movendo-se dentro deste espaço nacional, delimitado por suas fronteiras, descobrimos assim um jogo entre o artificial e o artifício: se o Estado é artificial, a Pátria é um artifício deste. (Pensemos o artificial como sendo um produto de uma época, fruto de circunstâncias de época.)
O discurso patriótico é meta-histórico na medida em que faz uso de significações teleológicas que partem de um passado redentor a um futuro promissor.
Onde devemos procurar a origem da pátria? No emaranhado dos artifícios que dão forma ao seu discurso. Pátria não possui essência. A identidade que ela faz nascer é artificial, como qualquer identidade, como qualquer processo de identificação.
O desmonte da noção de Estado é correlato ao desmonte da noção de Pátria. Questionar o Estado só faz sentido se questionarmos a noção de Pátria.


Nota 9
Haveria em nós um instinto de idolatria? É provável. Para dar vida aos nossos interesses projetamos sobre a face da terra os nossos sonhos, forjamos o tempo e nele inserimos a história, nossa história ou aquilo que consideramos como nossa história. Nela mesma, toda terra é neutra, suas fronteiras são acidentes geográficos, os contornos que traça não visa determinar estados morais. Mas o homem estabeleceu sobre ela determinações estranhas à natureza e às forças que a anima. Assim, como idolatras, passamos a adorar os objetos ridículos da nossa própria criação. É interessante constatar que entre a ficção e a evidência todo entusiasmo do homem recai sobre a primeira. Se há uma fonte sobre a terra de onde jorra o mal, ela não é outra se não esta capacidade de ficcionar e de levar a ficção às últimas conseqüências, dar às ficções humanas um caráter de absoluto. A pátria se soma a tantas outras ficções que idolatramos e a tantos outros falsos absolutos.
Não há noção de pátria que não traga uma dose exagerada de idolatrias, doutrinas e farsas. Todo ato de adoração à pátria é um ato de adoração aos crimes que foram cometidos para que esta aparecesse e se mantivesse. Quem ama uma pátria faz de tudo para que outros também a amem. Não há fervor patriótico sem uma quantidade considerável de intolerância, fé cega, intransigência ou proselitismo.
A pátria é uma assassina em potencial. Há na história humana dois motivos pelos quais mais se matou ou se morreu: por um deus ou por uma pátria. Devoção fervorosa e sangue. Gemidos e hinos. Fé religiosa e devoção patriótica se igualam no número de vítimas que fizeram. Os mais violentos crimes foram e são cometidos em nome de uma ortodoxia, religiosa ou política, não importa.
Daí o patriota ser um fanático fervoroso. E por ser assim, ele é um perigo. Os melhores e mais eficazes assassinos pode ser encontrados entre os patriotas e fanáticos: morrem e matam em nome de uma crença, de uma ficção.
A pátria é um conjunto de signos: honrar uma pátria, fazer guerras por uma pátria. Não perceber que por causa dela a vida deixa criar, que o sangue que ela faz correr, o sangue que ela exige, em nome de "proteção", é o mesmo sangue que poderia está sendo dirigido para uma vida mais cheia de possibilidades.


Nota 10
A pátria se consagra em um despotismo dos princípios: ela se coloca como sendo e tendo o ideal correto a ser seguindo; ela consagrou o futuro como um alojamento de bem-aventuranças para aqueles que a legitimam; ela faz parecer que a segurança reside por detrás de seus muros. A pátria se quer no plural: ‘Nós’. E nesse ‘Nós’ ecoa uma forma de fascismo. Dentro dela as instituições visam gerenciar a boa conduta, o porte correto, a regulamentação das opções. Ela quer ser percebida como o paraíso, ela concorre com o paraíso celestial. Artesã de espíritos ardentes, não perdoa aqueles que vivem sem as suas verdades. Um sujeito desprovido da crença patriótica é um ser estranho à pátria. Ela demanda certezas, impõe convicções, elimina as dúvidas e os duvidosos.
As convicções patrióticas se estabelecem como forças dominadoras - debaixo de sua bandeira se esconde uma arma.


Alexsandro

25/08/2011

O mundo que merecemos

Não importa a qual tema se aplique, a maioria de nós somos um desastre. Caindo no mau gosto da generalização, arrisco dizer que emocionalmente nossa sociedade é por demais infantil. Não somos muito afeito as responsabilidades, não queremos nos comprometer com nada mais do que nossas picuinhas. Queremos aquilo que é cômodo, mesmo que não saibamos o que isso significa. Reina uma espécie de letargia: esperamos milagres ou soluções mágicas vindas sabe-se lá de onde. Culpamos os "outros" ou "eles" pelos os infortúnios da vida. O mal vem sempre do outro lado. Esperamos que "alguém" resolva aquilo que caberia a nós resolver.
É duro ter que constatar, mas temos a nossa volta o mundo que merecemos. Pois se não fizemos o mundo que ai se encontra, pelo menos permitimos que ele continue do jeito que encontramos, e as vezes, até pior.


Alexsandro

Só vejo cadáveres diante de mim

Como é lamentável ver quanta gente é nada mais que um grande caixão carregando verdades mortas. Vidas em ruína que não percebem a arbitrariedade dos fatos humanos, mas que teimam em afirmar uma posição diante do mundo como se fossem verdadeiros bastiões da lucidez. Uma lucidez cadavérica, tola, embriagada de superstições, preconceitos e desinformação. São sombras que não atualizaram o espírito. Crêem-se imortais, eternas, mas são de fato estrangeiras do seu tempo, refugiadas de si mesmo, em um campo de concentração de verdades que extirpou suas idiossincrasias. Sem lucidez, não sabem do seu tempo, não sabem de si, não sabem da vida. São fascistas errantes, sem singularidade, sem tempo, sem propósito próprio, que buscam reconhecimento dos seus pares, nulidades sem voz e sem sensação, moscas mortas na rede elétrica das certezas efêmeras.
Não se desligam das grandes ilusões. Acham que vão preencher a história com alguma grande realização. Que vão conseguir ultrapassar o grande abismo da idiotice e entrar no reino dos sábios e da lucidez. Acreditam que vão conquistar algo e fazer suas vidas saírem do nada no qual se encontram.
São órfãos que não entenderam a força da arbitrariedade das verdades e das culturas e procuram um pai para a humanidade. Querem verdades adequadas às suas capacidades de compreensão. Querem um fundamento racional diante do caótico. Querem uma vocação metafísica para si e para humanidade. Querem controlar o tempo. Enquanto isso não vêem os grãos da ampulheta caindo sobre cada verdade que já foi um dia fonte de sabedoria e alucinação.


Alexsandro

14/08/2011

Apoio exagerado


Geralmente quando um casal tem problemas entre si o conselho comum é o de que eles devem buscar ser mais solidárias entre si, entretanto, uma série de estudos da Universidade de Iowa mostra que o apoio exagerado ou a forma errada de suporte pode realmente fazer mais mal do que bem.
Estudo recente de casais heterossexuais em seus primeiros anos de casamento verificou que o apoio é muito mais difícil para um casamento que não é satisfatório. Por sua vez, quando se trata de uma relação satisfatória, ambos os parceiros estão mais felizes quando o marido recebe o tipo certo de apoio na hora certa e se a esposa recebe apoio quando de fato precisa.
Os resultados ilustram a necessidade de se entender de várias maneiras as reais necessidades do parceiro e ser seu suporte, bem como a importância de comunicar o que necessitam e quando,
Erika Lawrence, professora de psicologia na Faculdade UI de Artes Liberais e Ciências, diz:
"A idéia de simplesmente ser mais favorável é melhor para o seu casamento é um mito. Muitas vezes os maridos e as esposas pensam: 'Se meu parceiro realmente me conhece e me ama, ele ou ela vai saber que estou chateado e saberá como me ajudar'. No entanto, essa não é a melhor maneira de abordar o casamento. Seu parceiro não deveria ter que ser um leitor de mente. Casais serão mais felizes se eles aprendem a dizer: 'Isto é como eu estou sentindo, e é assim que você pode me ajudar.'"


Para texto da pesquisa: AQUI

Casamento e auto-estima

Um estudo realizado na Universidade Estadual de Nova Iorque (EUA) examinou como a questão da autoestima influência numa relação. Tendo como parâmetro os custos da interdependência e da busca por objetivo autônomo, verificaram-se como os custos de autonomia ativa automaticamente fatores compensatórios aos processos cognitivos que atribuem maior valor ao parceiro. Pesquisadores conduziram testes com jovens recém-casados e observaram que quando uma das partes tem autoestima muito baixa existe a tendência deste se tornar muito dependente e não consegue corresponder às expectativas do cônjuge. Em casos assim o relacionamento começa a se deteriorar já no primeiro ano. O problema se agrava quando o parceiro que possui autoestima baixa começa a tornar o outro cada vez mais responsável por suas próprias necessidades.

13/08/2011

Ou nós ou eu



Estudo revela como o uso desses pronomes podem ser indicador de como anda uma relação


O estudo examinou a relação entre o uso dos pronomes pessoais e a qualidade emocional do casamento. Ou seja, o grau da interação e qualidades emocionais pode ser medido pela forma como cada um ou ambos usam os pronomes.  O estudo monitorou casais de meia-idade e idosos envolvidos em uma discussão de 15 min. Durante o qual a fisiologia e comportamento emocional foram monitorados continuamente. Transcrições integrais das conversas foram codificadas em duas categorias lexicais:
(a) "nós" - pronomes e palavras cujo foco era sobre o casal,
(b) "eu" - pronomes e palavras cujo foco era sobre os cônjuges individuais.
O resultado indicou que o uso de pronomes como “nós” e “nosso” nas discussões tem como conseqüência brigas menos longas e desgastantes (possibilitando uma relação mais tranqüila). Já a presença marcante do uso dos pronomes “eu”, “você”, “meu” e “seu” indicaram um forte sinal de que a relação não ia nada bem.

Homem carinhoso? Quem diria.

Um estudo que procurou examinar a vida sexual e afetiva em relacionamentos de casais de meia-idade e idosos em relacionamentos que variavam entre 1 e 51 anos de duração trouxe a tona algumas conclusões inusitadas. A pesquisa foi realizada em cinco países: Brasil, Alemanha, Japão, Espanha e os EUA e entrevistou cerca de 1.009 casais. Entre as variáveis investigadas buscou-se saber sobre escolaridade, saúde, intimidade física, comportamento sexual, etc. O histórico da vida sexual serviu de referência para medir o grau de felicidade do modelo de relacionamento e a satisfação sexual. Entre outras conclusões do estudo citamos uma que desmistifica a idéia de que são os homens que colocam o sexo em primeiro lugar:
O estudo demonstrou que para os homens o carinho em um relacionamento tem mais importância do que para as mulheres. Para eles a troca de carinho é o sinal de um bom relacionamento, o que não ocorre com as mulheres. Elas, por sua vez, apontaram para a vida sexual como indicador de satisfação no relacionamento.


Para texto da pesquisa: AQUI

10/07/2011

A Ordem e a Diferença

Em um mundo como o nosso, como lidar com os problemas? Violência pelas ruas, fundamentalismo e intolerância racial e/ou religiosa, delinqüências dos mais variados tipos... Uma sensação angustiante de insegurança: as ruas como um campo de batalha (saio, não sei se volto), tráfico, militarismo, epidemias, desemprego, trabalho escravo e outros mais... Em uma sociedade assim, quem não sonha com ordem?
Mas como estabelecer ordem em um mundo recheado de diferenças, em um mundo cheio de interesses no mais das vezes conflitantes? Como conciliar as diferenças? Como estabelecer uma relação com elas? Devemos reconhecer que existem aqueles que se enquadram perfeitamente a certa lógica de funcionamento das coisas, mas que existem também aqueles que não se encaixam a modos de existências impostos por certa conjuntura social. Só esse fato já demonstra a dificuldade ou mesmo a impossibilidade de se estabelecer uma ordem total valida para todos. Sobretudo se essa ordem significar tornar todos um só, fazendo existir apenas uma forma de compreender o mundo, uma forma de encarar a vida, uma forma de oferecer sentido a vida, com todos acreditando nas mesmas coisas, fazendo as mesmas coisas e sempre do mesmo jeito. Em um mundo que deseja ordem (se é que realmente deseja), o maior empecilho passa a ser a diferença, principalmente a diferença expressada pelo outro, pelos outros. O outro que não compreende o mundo como compreendo, o outro que encara a vida de outra forma, que busca outro sentido para a vida, que acredita em outras coisas, que faz outras coisas de outro jeito.
Em um mundo como o nosso, em uma sociedade como a nossa, as pessoas, as relações, os acontecimentos, as formas de pensamentos, as mentalidades, as expressões culturais não se ajustam com perfeição, não se harmonizam com facilidade, nem tudo se enquadra, nem todos se conformam, abrindo um leque de dificuldades para um equilíbrio e harmonização diante da complexidade existente, qual seja: as diferenças se expressam.
Sonhamos, talvez, com um mundo perfeito, com pessoas perfeitas, uma sociedade da harmonia e da pureza, um paraíso encarnado. A história do homem se encontra cheia de propostas e projetos para a construção de tal sociedade. Propostas e projetos esses que foram levados a cabo em nome da construção de um mundo melhor. O interessante aqui é percebermos que a consolidação de tais propostas e projetos passou sempre pela busca e pelo o estabelecimento de uma ordem. E no estabelecimento da ordem uma questão sempre apareceu: o que fazer com o diferente, com a diferença? A resposta, se levarmos em conta a história das sociedades, foi dada na forma de três maneiras de lidar com a diferença: primeira, acabar com a diferença destruindo-a, matando-a; segunda, transformar a diferença para que ela se torne igual, assim a diferença deixa de existir e a ordem é promovida e, por fim, expurgar a diferença, exilando-a ou impedindo o contato.
O estabelecimento da sociedade soviética no início do século passado, as intenções nazistas, o processo de mundialização da sociedade capitalista através do mercado e tudo que este vem promovendo - guerras, má distribuição de bens, intolerância étnica, religiosa e política, miséria e destruição das culturas nativas e regionais - são maneiras de lidar e tentar destruir, transformar ou distanciar o diferente e as diferenças.
As características do mundo atual e a maneira como nele vivemos, testemunham o quão fragilizado é esse nosso mundo e o quanto nos encontramos fragilizados. Uma fragilidade que nos desnorteia a tal ponto que chegamos a acreditar que sozinho, digo, como indivíduos solitários, daremos conta dos problemas que nos afligem (desemprego, insegurança, condições de vida precárias, etc.), ou que cabe ao setor público resolver problemas individuais e privados, ou ainda, que devemos impor aqueles que são diferentes de nós as soluções que encontramos para vida. É equivocado pensar que as respostas que possuo são suficientes para responder as questões que se apresentam atualmente.  As respostas que possuo, no máximo servem para resolver os meus problemas pessoais (e olhe lá se servem mesmo). Também é um equivoco pensar problemas pessoais como problemas de ordem pública. Sim, a solução para varias questões pessoais passam pela questão coletiva - a segurança e a liberdade individual, por exemplo, só pode ser produto do trabalho coletivo, mas não podemos perder de vista que publico e privado são dois setores diferentes da sociedade. A privatização das soluções e dos meios para se resolver os problemas que dizem respeito à sociedade como um todo está fadado ao fracasso se continuarmos a acreditar que os problemas privados são mais importantes que os problemas coletivos. A solução dos problemas individuais, sim, passa pela solução dos problemas sociais e esses, por sua vez, só podem ser resolvidos coletivamente. Precisamos entender o espaço publico como um espaço social e coletivo, como um espaço político. Precisamos reaver este espaço político, e em seguida precisamos entender que este espaço é um espaço de manifestação das diferenças, dos diferentes. É de suma importância entender este fato.
O desejo de ordem não a constrói. E nesse sentido, negar o diferente e as diferenças, não é a melhor forma de viver o presente e muito menos de encarar o porvir. Negar ao diferente que ele se manifeste é negar a possibilidade à própria vida. O sonho de uma sociedade em ordem não deve passar pela destruição da diferença, por sua assimilação ou pelo seu distanciamento.
Não somos todos iguais e esse fato deve ser compreendido. Com prudência e coragem, precisamos nos colocar a disposição para enfrentar o diferente e a diferenças que se apresentam a cada dia, não para superá-lo ou superá-las, mas para aprender a conviver e quem saber construir uma sociedade que seja expressão de todos.
Precisamos assumir nossos erros e a partir daí criticar e denunciar as formas de pensamento, as crenças, os valores, as formas de vida que concebem as coisas e, sobretudo, a sociedade, negando as diferenças ou vendo nelas uma aberração. Se quisermos fazer uma oposição séria e conseqüente ao mundo que se apresenta, se procuramos uma vida mais digna e verdadeiramente de qualidade, devemos fazer isso de uma maneira totalmente nova. Por que não começar abrindo mão do discurso de poder: de tentar está sempre do lado certo, de acreditar que estamos sempre do lado certo? Não podemos defender com toda fúria posicionamentos que podem destruir a todos nós, que impossibilitam o estabelecimento de qualquer diálogo. Se continuarmos residindo em um sádico desejo de poder, na sádica ilusão de acreditar que estamos sempre certo, se assim agimos, estamos colaborando para que o caos aumente.

Alexsandro