10/03/2011

Sinais de que você não é feliz ou como identificar uma pessoa infeliz (2)

Já apresentamos aqui alguns sintomas de infelicidade (ver AQUI). Mas como o tema é recorrente, voltamos a ele, para não dizer que nunca saímos dele, afinal não é o que todos procuramos? Quem não procura a receita da felicidade?


Ignorando todo conhecimento conquistado sobre o tema, muitos ainda teimam em considerar as práticas homossexuais como algo contra a natureza humana. Não vou argumentar muito, vou me contentar em dizer que aquelas pessoas que se sentem pessoalmente ofendidos pelo fato de existirem homossexuais deveriam avaliar a própria inclinação sexual e questionar os argumentos que usa para explicar o fato de ser heterossexual e se horrorizar com os homossexuais. O motivo é bem simples: uma pessoa em paz, feliz e segura da própria sexualidade não se preocupa com a vida sexual dos outros. Também não fica procurando motivos que justifiquem o fato dele ser como é - heterossexual ou homossexual, não importa. É no meio de idéias confusas e de posições inseguras que encontramos os problemas. Quem sabe de si, simplesmente é, sem pedir ou dar explicações. Quem é feliz não se explica, quem é feliz não pedi explicação de ninguém.

04/03/2011

Mate amargo para jovens e crianças

Mais uma cidade brasileira adota o toque de recolher: Matelandia - PR. Mais uma vez o alvo são crianças e jovens. A desculpa é a mesma que foi usada em outros municípios: "Queremos um município mais tranqüilo e formar cidadãos de bem", justifica a autora do projeto, a vereadora Líria Perini Carnetti. Em outro momento ela afirma: “Com a aprovação e aplicação desta Lei, colheremos os resultados em pouco tempo. O que precisamos é proteger nossas crianças e adolescentes dos abusos causados por uma vida desregrada, alcoolismo e consumo de drogas”.
A opinião de outros vereadores que votaram favoravelmente não é diferente:
Não tenho dúvida que esta é uma ação educadora, para que as famílias e a escola consigam formar bons cidadãos. Esta Lei é um instrumento, principalmente para os pais que não tem domínio sobre os filhos, recorram a este recurso para manter seus filhos longe dos perigos das ruas. O próprio Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) regulamenta que os adolescentes a partir dos doze anos que cometerem infrações podem receber advertência e ainda serem punidos com até três anos de reclusão, o problema é que só se fala em direitos da criança e adolescente, pois os deveres são mal interpretados. (Edson Alves - Vereador)

Poderemos encontrar problemas na aplicabilidade, mas contamos com o apoio do Executivo e do Judiciário. (Eliete Ponciano Pinto - Vereadora)

Como educadora, tenho consciência da dificuldade em conduzir os adolescentes. A sugestão é que esta Lei seja fixada nas escolas para o conhecimento de orientadores e alunos, para um melhor entendimento da comunidade. (Kátia Duarte - Vereadora)

Tais argumentos são de uma superficialidade sem tamanho. Enxergam os problemas mais não as causas. O que assistimos é o fracasso dos pais em criarem relações satisfatórias com os filhos; o fracasso do estado em criar condições dignas de convívio - como não existem programas advindos do estado para resolver problemas que atingem a sociedade de maneira avassaladora, criminaliza-se as práticas cotidianas dos indivíduos; a perda do espaço público - afinal, a quem pertence as ruas?, e, finalmente, a criminalização de experiências da infância e da juventude para garantir uma vida tranqüila para adultos e velhos.
Tais atitudes tomadas por juízes, e no novo caso, proposta pela vereadora Líria Perini Carnetti, contradizem todos os princípios constitucionais que vigoram no atual Estado Democrático de Direito em nosso país. Para citar alguns: o princípio de liberdade do indivíduo; o princípio da isonomia - que indica que todos possuem direitos iguais e ressalva o direito a diferença de cada um; o princípio da legalidade.
Diz-se muito que o problema é de segurança e que caberia ao Estado criar tal condição para a sociedade. Mas infelizmente o Estado se mostra incapaz de garanti-la. E a questão se torna ainda mais grave quando levamos em consideração o lamentável grau de corrupção das nossas instituições de segurança pública. (Das nossas instituições publicas como um todo). Tais medidas buscam resolver problemas sociais com ações repressoras - como não se combate efetivamente o crime, penaliza-se o cidadão comum. São propostas e soluções que possuem o mesmo significado de outras medidas que os Estados vêm implementando: redução da maioridade penal, a política da tolerância zero, a expurgação de mendigos e camelôs dos centros das cidades e torturas de presos.
Historicamente a aplicação do toque de recolher como medida tomada pelo Estado nunca deriva de atitudes democráticas e libertadoras. Sua efetivação sempre aponta na direção de um pensamento fascista. Não foi a toa que os nazistas na Alemanha usaram contra judeus e que norte-americanos usaram contra imigrantes japoneses e seus descendentes (1933 e 1945). Também nos Estado Unidos, durante a década de 1950, os cidadãos afro-americanos sofreram o mesmo tipo de restrição durante a vigência da Lei Jim Crow, que restringia as liberdades e direitos civis dos afro-americanos. Em casos mais recentes testemunhamos seu uso em Israel contra civis palestinos (2005).
Por conta destes fatos devemos promover uma crítica radical contra o toque de recolher. Faz-se necessário ficarmos atentos e buscarmos esclarecimento e esclarecermos a juventude e a todos sobre o que está por trás deste espetáculo de mentiras e hipocrisias que representa tal proposta. Ele nada resolve de fato, apenas camufla o problema e reforça a repressão, enquanto deixa os verdadeiros culpados pela miséria da sociedade à solta.
.

04/02/2011

Produção de sentido

A produção de sentido não se encontra no oferecimento de respostas, mas na elaboração de perguntas. A produção de sentido está diretamente ligada à produção de perguntas. Todavia, não vale qualquer pergunta, conta o grau de ligação entre a pergunta feita e as grandes questões da humanidade. O que dá sentido a uma informação é a pergunta feita. É por conta disso que se não houver pergunta a informação por si terá pouco ou nenhum valor, ela não fará sentido.
Alexsandro

31/01/2011

Anonimato

É certo que o mundo não necessita de outros messias, gurus, lideres, estrelas pops. É por conta disso que o anonimato vem se mostrando uma condição revolucionária bastante eficaz. Seu efeito rizomático faz dele uma condição de resistência que parece ser mais eficaz e menos vulnerável as seduções capitalistas.
Alexsandro

26/01/2011

O sentido da vida e os choquinhos no cérebro

A reportagem


Reino Unido testa método para curar depressão


Uma equipa de médicos do Frenchway Hospital, em Bristol, no Reino Unido, está a testar uma técnica pioneira de cirurgia de estimulação cerebral para tratar a depressão prolongada em pacientes que sofrem desta condição há anos.
A técnica recorre ao uso de eletrodos que são implantados no cérebro através de orifícios específicos feitos no crânio do paciente que estimulam ou inibem essas áreas.
A primeira paciente desta técnica pioneira foi Sheila Cook, de 62 anos, que padecia com uma depressão profunda há nove anos.
Citada pela BBC, Sheila afirmou que antes da operação "só queria que a sua vida terminasse". "Sentia-me como num túnel escuro, mas em vez de haver uma luz no final, havia apenas escuridão".
"De repente acordei uma manhã e pensei: sinto-me diferente. Quero me levantar e fazer coisas e toda a minha maneira de ver a vida mudou", explicou, comentando os resultados da operação a que teve de ser submetida por duas vezes devido a uma recaída.
"Em poucas semanas a minha vida mudou: Leio livros, faço o trabalho de casa, faço caminhadas e mais importante, talvez, é que estou a redescobrir a minha família", conta Sheila em quem as terapias convencionais deixaram de surtir efeito.
Os resultados deste ensaio clínico em outros pacientes serão divulgados ao longo do ano.

O comentário

Lendo a reportagem acima fiquei impressionado como os caras conseguiram dá sentido a uma vida que já não tinha ânimo para se manter viva, que perdia a cada dia o sentido do que era e do que fazia. E como em um passe de mágica fizeram florescer a alegria, a esperança e tudo mais que nos mantém dignos diante do mundo. E tudo isso com apenas "choquinhos" no cérebro.
Em certo momento "só queria que a sua vida terminasse", no outro "quero me levantar e fazer coisas e toda a minha maneira de ver a vida mudou". Estas duas frases resumem todo o sentido de uma existência que passou a fazer sentido a partir de impulsos elétricos. Nada de terapias buscando entender os dilemas, nada de orações buscando respostas no além, nada de explicações filosóficas para justificar a dor ou a alegria, nada de nada, apenas “choquinhos” no lugar certo do cérebro.
Assim descobrimos a grande motivação do nosso bem-estar no mundo: choquinhos no cérebro.

Destino


O preço que pagamos por cada gesto nosso diante do mundo, o que desejamos, o que acalentamos, flutua na gratuidade. Não há um sentido oculto em alguma zona nebulosa esperando para ser descoberto. A existência é o que se ver, não há mais nada além disso. Se não é como sonhamos, é problema nosso, a natureza não vai criar uma resposta apenas para nos sentirmos melhores. Existimos tal qual as outras coisas. A existência é como uma coisa. O sentido é como uma coisa. Tudo é gratuito. Tudo tem o mesmo valor. Para perceber o absurdo de tudo isso basta olhar os móveis, as paredes, as pessoas, as árvores, a água, o mundo e perguntar o que estas coisas têm a ver conosco, comigo, com você, como elas foram parar ali, como elas entraram na existência e que direção seguirão. O destino delas é o nosso destino.
Alexsandro

24/01/2011

Um hábito esquisito


Deixamos de viver muitas coisas na tola esperança de vivermos mais e melhor. Fazemos economia de nós mesmos na esperanças de gastarmo-nos em um tempo mais precioso. Guardamos-nos para sabe-se lá o que ou quando.
Porque agimos assim? Por um fato bem simples: se dermos vazão a nossa busca por prazer corremos o risco de sofrermos um desprazer, logo, no cálculo entre viver um prazer ou evitar um desprazer ficamos quase sempre com a segunda opção.

Alexsandro

A Importância da Autoridade - Sigmund Freud

Foi Freud quem disse: "É inútil alongar-me demoradamente sobre a importância da autoridade. São muito poucas as pessoas civilizadas capazes de uma existência perfeitamente autónoma ou tão-só de juízo independente. Não nos é possível representar em toda a sua amplitude a necessidade de autoridade e a fraqueza interior dos seres humanos."
É dolososo ter de concordar com ele, mas ele tem razão. Ainda mais se entendermos que civilizar é por homens e mulheres sob o julgo do adestramento.
.

12/12/2010

Virou moda ser ateu

Parece que virou moda ser ateu. Muitas pessoas estão vindo a público para manifestar seu ateísmo ou agnosticismo. Mas o que pensar desse fenômeno? Faltou coragem antes? Por que tantos não fizeram isso antes? Em todo caso há uma observação de Rubem Alves que é interessante:

Houve um tempo em que os descrentes, sem amor a deus e em religião, eram raros. Tão raros que eles mesmos se espantavam com a sua descrença e a escondiam, como se ela fosse uma peste contagiosa.


Há,em todo caso, o perigo das generalizações: achar que todos os ateus são iguais; o que seria o mesmo que achar que todos aqueles que acreditam em um deus são iguais.
Para aqueles que são novos na empreitada, uma diferença básica entre ser ateu ou agnóstico.

O ateísmo nega a existência de um deus, qualquer que seja esse deus. Ele não sente nenhum constrangimento ao afirmar que não existe deuses e que deuses não lhes fazem falta. Não alimenta qualquer tipo de sentimento na crença em um deus, nem amor, nem ódio, afinal, como amar o que não existe ou odiar o que não existe?

O agnosticismo aponta para a impossibilidade de provar a existência - ou não - de Deus. O significado da palavra "agnóstico" é "sem conhecimento". O agnosticismo aponta para a impossibilidade do (re) conhecimento de um deus. O agnosticismo não tem certeza de que existe um deus, mas também ele nunca iria afirmar que não existe um deus. Ou seja, ele não afirma nem nega a existência de um deus.

Tudo de ruim que acontece no mundo: "É falta de deus no coração!"


É mentiroso? É falta de deus no coração.
É briguento? É falta de deus no coração.
Acha-se melhor do que os outros? É falta de deus no coração.
Ficou doente? É falta de deus no coração.
Bateu o carro? É falta de deus no coração.
Roubou? É falta de deus no coração.
Ficou triste? É falta de deus no coração.
Não passou nas provas? É falta de deus no coração.
Perdeu o emprego? É falta de deus no coração.
É violento e estúpido e não respeita ninguém? É falta de deus no coração.
Foi preso? É falta de deus no coração.
É traficante? É falta de deus no coração.
É pedófilo? É falta de deus no coração.
Matou? É falta de deus no coração.
É drogado? É falta de deus no coração.
Brigou com o visinho? É falta de deus no coração.
Bateu na mulher? É falta de deus no coração.
É imoral? É falta de deus no coração.


Quando afirmam que o mal do mundo “é falta de deus no coração”, quando afirmam que alguém que cometeu algo ruim o fez porque não tinha um deus no coração, diretamente estão acusando o pensamento ateu de ser mal. Estão afirmando diretamente que o ateísmo é o mal, que os ateus estão propensos à prática do mal mais do que qualquer outra pessoa.
Desculpe ser eu informar, mas pensar assim é pensar de forma preconceituosa.


Alexsandro