15/06/2010

BOLHA



E o menino brincava com sabão
Fazia bolhas de sabão
Imaginava-se sendo o maior e melhor
Fazedor de bolhas de sabão do mundo

E ele soprava, soprava, soprava
E uma das bolhinha começou a
crescer, cresCER, CRESCER
Seria a maior bolha de sabão já feita
a mais bonita
a mais colorida
a mais brilhante

“Vou ser admirado por todos!!!” dizia.
“Já ouço todo mundo comentando:
Olha só que bolha linda!
Deve ser a mais bela do mundo
A mais perfeita que alguém já conseguiu fazer
Realmente ele é o maior...”

P l o f

“...IDIOTA!!!”



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10/06/2010

I Am a Man of Constant Sorrow


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A música é retirada do filme "E Aí, Meu Irmão, Cadê Você?". Um filme dos irmãos Coen que se passa no cenário rural norte-americana dos anos de 1930. Nele vemos uma mistura delerante de referências: desde a “Odisséia” de Homero à casos inisitados da vida rural.
A história narra a odisséia de um Ulysses rural que foge da cadeia com dois colegas. Daí em diante a odisséia segue numa narrativa de episódios divertidos e nostálgicos. O filme tem vários destaques e um deles é a trilha sonora. Belas músicas, numa coletânea que aglutina canções country, blues e gospel.
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Eu sou um homem de sofrimento constante
Eu tenho visto problema em todos os meus dias
Digo adeus ao velho Kentucky
O lugar onde eu nasci e cresci.

O lugar onde ele nasceu e cresceu

Por longos seis anos eu tenho estado em problema,
Nenhum prazer aqui na Terra eu encontrei
neste mundo eu sou obrigado a perambular
Eu não tenho amigos para me ajudar agora.

Ele não tem amigos para ajuda-lo agora.

Este é o preço, minha querida.
Eu nunca esperava te ver novamente
Por que sou obrigado a montar essa ferrovia do norte.
Talvez eu vou morrer durante este comboio.

Talvez ele vai morrer durante este comboio.

Você pode me enterrar em algum vale profundo
Por muitos anos, eu não posso prever.
Depois, você pode aprender a amar outro
Enquanto eu estou dormindo em minha sepultura

Enquanto ele está dormindo em sua sepultura.

Talvez seus amigos achem que eu sou apenas um estranho
Meu rosto você nunca mais verá de novo.
Mas há uma promessa que é dada
Vou te encontrar na praia dourada de Deus

Ele vai te econtrar na praia dourada de Deus

08/06/2010

Pastor, lobo, ovelha - Atitudes em relação ao poder

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Três atitudes comuns dos indivíduos em relação ao poder:
- Se identificar com o poder: "EU SOU O PODER"
Os que se identificam com o poder são os Pastores;
- Ser contra o poder: "EU SOU CONTRA O PODER"
Os que são contra o poder são os Lobos;
- Aceitar o poder: "EU SOU A FAVOR DO PODER"
As massas submissas ao poder são as ovelhas.

Não se encontrou ainda uma saída para essa relação recorrente entre o poder, as massas e a solidão dos indivíduos singulares. Ninguém consegue ver ou definir o poder, mas uns se identificam com ele, outros o contestam e há ainda os que decidem obedece-lo.
Esse é o cenário pastoral do poder. E para encontrarmos uma porta de saída deste cenário patético, é preciso antes entender melhor os valores que estão por detrás desses três elementos recorrentes.


Os lobos são os que não aceitam ser usado ou usar os outros, os que recusam as relações de dominação e vivem o poder apenas enquanto capacidade, potência ou vontade de poder. Suas relações são pautadas pela interatividade e pela amizade sem interesse. Amam a liberdade e são muito generosos. Alguns se deixam usar pelos pastores e viram cães-pastores.

As ovelhas trocam afeto por manipulação. O valor de troca no espírito de rebanho se dá tanto horizontalmente, na forma de solidariedade entre as ovelhas, como verticalmente, consolando piedosamente o pastor em sua altiva solidão. Elas amam o pastor para que ele as defenda. São elas que dominam o pastor, mas, dissimuladas, fingem que é ele que as domina. Elas usam enquanto fingem serem usadas e só desejam se divertir. Transformam tudo em espetáculo e em divertimento. Algumas se apaixonam platonicamente pelos lobos e se tornam ovelhas negras.

Os pastores são que não estabelecem trocas horizontais e se identificam com o poder. Usam e são usados entre si com impessoalidade e parcimônia, em grande hierarquias piramidais de sub-pastores. Embora se considerem senhores e protetores das ovelhas, são escravizados pela bajulação do rebanho e usados como espantalhos contra a liberdade dos lobos.


Podemos, a partir desse quadro, enunciar duas proposições políticas:

1. Um coletivo terá mais ou menos liberdade dependendo da permuta e revezamento dos papéis. Se os pastores forem sempre pastores; os lobos, lobos; e as ovelhas, ovelhas; o grupo será opressor para todos. Mas se ao contrário, todos tomarem consciência de seu papel principal e se esforçarem para se comportar através dos outros dois papéis, criando um revezamento dessas 'funções' no interior do coletivo, então, haverá crescimento individual e compreensão mútua e o grupo se constituirá em um espaço de liberdade e aprendizado. As ovelhas são boazinhas, os lobos são maus e os pastores pairam acima do bem e do mal; as ovelhas precisam admitir suas maldades, os lobos reconhecer que também são filhos de Deus, e os pastores têm que aprender que não estão em condição de julgar aos outros. Quando todos os participantes de um grupo conseguem se identificar com os três papéis de forma harmoniosa afirma-se que o sistema está em equilíbrio qualitativo.
2. Um coletivo terá mais ou menos segurança dependendo de como os papéis estejam distribuídos proporcionalmente no grupo. Ovelhas demais petrificam os grupos em posturas conservadores, ovelhas de menos geram conflitos intermináveis. Quando encontramos os papéis distribuídos de forma proporcional em relação às suas funções diz-se que o grupo está em um equilíbrio quantitativo.

Mas será que é 'liberdade' e 'segurança' que realmente procuramos nos grupos? Na verdade, o que é certo que cada um dos papéis sonha em eliminar os outros dois:

- a ditadura do proletariado, quando as massas tomam o poder, é equivalente ao império do rebanho;
- a tecnodemocracia das elites corresponde ao projeto neo-liberal dos pastores;
- e o sonho da alcatéia hacker, à utopia dos lobos.

Porém, também é certo que um papel não sobrevive sem os outros. Isso fica claro quando descobrimos as funções a que esses papéis ridículos estão associados.


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07/06/2010

Society - Eddie Vedder

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É um mistério para mim
Nós temos uma ambição que concordamos.
Você pensa que tem que ter mais do que precisa.
Até você ter isso tudo não estará livre ainda.

Sociedade, sua raça louca.
Espero que você não fique só sem mim.

Quando você quer mais do que possui,
Você pensa que precisa.
E quando você pensa mais do que você quer
Seus pensamentos começam a sangrar.
Acho que preciso encontrar um lugar maior.
Pois quando você tem mais do que pensa.
Você precisa de mais espaço.

Sociedade, essa raça louca.
Espero que você não esteja tão só sem mim.
Sociedade, realmente loucos.
Espero que você não esteja tão só sem mim

Existem aqueles que pensam que mais é menos, menos é mais
Mas se menos é mais, como você pode continuar pontuando?
Significa que cada ponto que você marca sua pontuação cai
É como começar do topo
Você não pode fazer isso...

Sociedade, essa raça louca.
Espero que você não esteja tão só sem mim.
Sociedade, realmente loucos.
Espero que você não esteja tão só sem mim

Sociedade, tenha pena de mim
Espero que não fique com raiva se eu não concordar...
Sociedade, realmente loucos.
Espero que você não esteja tão só sem mim


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06/06/2010

Três notas sobre melancolia


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Nota 1.
No período da Renascença e do Romantismo a melancolia era considerada como uma doença bem-vinda, uma experiência que enriquecia a alma. Mas hoje o efeito dela é totalmente ao contrário. O chato do Sigmund Freud, em seus estudos sobre o superego, se deparou com a melancolia, mas ao contrário dos renascentistas, definiu-a como um caso psiquico que assume várias formas clínicas, passíveis de tratamento. Neste sentido ele apontou que a melancolia se assemelhava ao processo do luto, mas uma perda sem perda, algo apenas de indole narcisica. Neste sentido, pessoas melancólicas olhariam a si próprias como "inúteis", "incapazes", "imprestáveis", "irritantes", enfim, sem valor positivo algum. Nos opomos a essa visão.
A melancolia é uma crítica dos sentimentos. Dessa forma ela pode ser entendida como uma crítica dos sentimentos que em nós desejam compactuar com o capitalismo, o mercado e a vida como eles apresentam. Ela é o reconhecimento da falta de significado intrínseco as coisas em si mesmas. Como a melancolia se manifesta em todas as esferas da sociedade, ela traça um mapa para nos situarmos frente a valores e ideais. Ela represa e faz apodrecer aspectos centrais da sociedade burguesa: a alegria do mundo das mercadorias; a valorização extrema dos números valorando as coisas e as pessoas; a exaltação às técnicas mecânicas do fazer; os desejos individualizados como única expressão de vida possível. Não de outra forma, a melancolia deve ser lida como uma crítica à vida moderna capitalista uma vez que com esta desenvolve uma relação complexa e de completa oposição: uma expressão de crítica social na qual reside a capacidade de incorporar lucidez diante da sensibilidade plastificado e homogeneizada, à venda em bancas e farmácias.



Nota 2.
No poema "Queixas Noturnas", Augusto do Anjos assim escreve:
...................................................................
Hoje é amargo tudo quanto eu gosto;
A bênção matutina que recebo...
E é tudo: o pão que como, a água que bebo,
O velho tamarindo a que me encosto!

Vou enterrar agora a harpa boêmia
Na atra e assombrosa solidão feroz
Onde não cheguem o eco duma voz
E o grito desvairado da blasfêmia!

Que dentro de minh'alma americana
Não mais palpite o coração - esta arca,
Este relógio trágico que marca
Todos os atos da tragédia humana!

Seja esta minha queixa derradeira
Cantada sobre o túmulo de Orfeu;
Seja este, enfim, o último canto meu
Por esta grande noite brasileira!

Melancolia! Estende-me a tu'asa!
És a árvore em que devo reclinar-me...
Se algum dia o Prazer vier procurar-me
Dize a este monstro que eu fugi de casa!
.............................................................



Nota 3.
"I Started a Joke" (Eu fiz uma piada) é uma música dos Bee Gees, lançada em 1968. É uma das canções mais famosas da banda. A letra possui um tom também melancólico.



Eu fiz uma piada
a qual fez o mundo inteiro começar a chorar.
Mas eu não percebi
que a piada era comigo, oh não...

E eu comecei a chorar
o que fez o mundo inteiro começar a rir.
Se eu somente tivesse percebido
que a piada era comigo...

E eu olhei para os céus,
passando minhas mãos sobre meus olhos.
E eu caí da cama,
amaldiçoando minha cabeça pelas coisas que disse.

Até que eu finalmente morri,
o que fez o mundo inteiro começar a viver.
Se eu apenas tivesse percebido
que a piada era comigo...

E eu olhei para os céus,
passando minhas mãos sobre meus olhos.
E eu caí da cama,
amaldiçoando minha cabeça pelas coisas que disse.

Até que eu finalmente morri,
o que fez o mundo inteiro começar a viver.
Se eu apenas tivesse percebido
que a piada era comigo...
Oh não, que a piada era comigo...


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11/04/2010

Para que serve uma teoria


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Uma teoria é como uma caixa de ferramentas. Nada tem a ver com o significante... É preciso que sirva, é preciso que funcione. E não para si mesma. Se não há pessoas para utilizá-la, a começar pelo próprio teórico que deixa então de ser teórico, é que ela não vale nada ou que o momento ainda não chegou. Não se refaz uma teoria, fazem-se outras; há outras a serem feitas. E curioso que seja um autor que é considerado um puro intelectual, Proust, que o tenha dito tão claramente: tratem meus livros como óculos dirigidos para fora e se eles não lhes servem, consigam outros, encontrem vocês mesmos seu instrumento, que é forçosamente um instrumento de combate. A teoria não totaliza; a teoria se multiplica e multiplica. E o poder que por natureza opera totalizações e você diz exatamente que a teoria por natureza é contra o poder. Desde que uma teoria penetra em determinado ponto, ela se choca com a impossibilidade de ter a menor conseqüência prática sem que se produza uma explosão, se necessário em um ponto totalmente diferente. Por este motivo a noção de reforma é tão estúpida e hipócrita. Ou a reforma é elaborada por pessoas que se pretendem representativas e que têm como ocupação falar pelos outros, em nome dos outros, e é uma reorganização do poder, uma distribuição de poder que se acompanha de uma repressão crescente. Ou é uma reforma reivindicada, exigida por aqueles a que ela diz respeito, e aí deixa de ser uma reforma, é uma ação revolucionária que por seu caráter parcial está decidida a colocar em questão a totalidade do poder e de sua hierarquia.

Deleuze

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Para não jazermos na estática do nada


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Faço minhas as palavra de um texto presente em um panfleto acadêmico que trazia as reflexões de alguém sobre seus professores e colegas de sala, sobre o processo educativo que estava vivenciando: “Lamento por alguns terem que se calar, num lugar onde deveriam dar voz! Lamento pelos que tem que aprender algo daqueles que não acreditam no que ensinam! Lamente pelos que não percebem, pelos que não se movem, pelos que não lamentam. Lamento pela “...energia abandonada...” “...a força desaproveitada...”, “...a transcendência que se não realiza...” pelos “que podendo mover milhões de mundos, jazem no estático do nada”.
Para não jazermos na estática do nada pensemos a educação como algo que tem de nos ferir e trespassar. Se aquilo que estamos estudando ou ensinando não nos acorda com uma pancada na cabeça, por que o estamos estudando ou ensinando? Porque nos faz felizes? Para encontrar felicidade? Seríamos felizes precisamente se não tivéssemos escolas ou educação. A espécie de educação que nos torna felizes é a espécie de educação que não nos desperta para nada. Nós precisamos de uma educação que nos afetem como um desastre, que nos magoem profundamente, como a morte de alguém a quem amávamos mais do que a nós mesmos, como ser banido para uma floresta longe de todos. Uma ação educativa tem que ser como um machado quebrando o mar de gelo que há dentro de nós. Uma ação educativa só vale se funcionar como uma metralhadora giratória contra a sociedade (capitalista) que nos capturou - é a educação a serviço de sua extinção, isto é, da salvação, isto é, da nossa salvação. É a educação como possibilidade de vivenciar a libertação do pensamento e da vida em ato.

Alexsandro A. Oliveira
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08/04/2010

Pequeno manual de coerência acadêmica

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Se não encontrou nenhum tema do seu interesse, veja se não está no lugar errado e enquanto isso mantenha-se em sua insignificância.

Se não tiver algum domínio sobre os temas tratados, evite comentar sobre o que desconhece, no máximo faça perguntas coerentes buscando esclarecer-se sobre o tema.

Você tem como contribuir para um melhor entendimento do tema? Ótimo. Caso contrário, evite falar ou escrever.

Se não for compartilhar nada relevante dentro do tema, fique quieto.

Sempre evite falar aquilo que os outros consideraram como descartável ou perda de tempo.

Nunca faça sermão a respeito de nenhum tema. Nunca.

Evite a todo custo falar coisas sem nexo.

Opiniões são sempre perigosas, procure sempre alguma base teórica para seus comentários. Procure evitar argumentos metafísico e incoerentes, senso comum e clichês.

Não faça os outros perderem tempo com inutilidades.

Não desvirtua o tema.

Pense varias vezes sobre suas opiniões, antes de expressá-las.


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04/04/2010

A insuportável felicidade dos animais




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MENSAGENS DE AUTO-AJUDA

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A tal busca por um auto-conhecimento é bobagem, balela. De fato, qualquer empenho no auto-conhecimento é caminhar para a descoberta dos limites aos quais estamos presos.

Abrir a caixa de Pandora das questões humanas é se deparar com monstros.

“O mundo não vai melhorar, mas eu vou dá certo.” Há prova maior de auto-engano que tal afirmação? Ou seja, é acreditar que se vai fazer sucesso onde todos os outros falharam. Pura piada.

Alexsandro
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