22/01/2009

A burrice tem três características fundamentais

1. Ela é inconsciente e recidiva: o burro não sabe que é burro e tende a repetir várias vezes o mesmo erro. Tais características contribuem para dar mais força e eficácia à ação devastadora da burrice. A pessoa estúpida não reconhece os próprios limites, fica fossilizada em suas convicções particulares e não sabe mudar. Por isso, como diz o psicólogo italiano Luigi Annoli ' no âmbito clínico, a burrice é a pior doença, por ser incurável '. O estúpido é levado a repetir os mesmos comportamentos porque não é capaz de entender o estrago que faz e, portanto, não consegue se corrigir.

2. A burrice é contagiosa. As multidões são muito mais estúpidas que as pessoas que as compõem. […] ' O contágio emotivo próprio do grupo diminui a capacidade crítica', explica Anolli. 'Percebe-se a polarização na tomada de decisão: escolhe-se a solução mais simples, que na maioria das vezes é a menos inteligente.'

3. Além da coletividade, há um outro fator que amplifica a burrice: estar numa posição de comando. 'O poder emburrece', afirmava o filósofo alemão Friedrich Nietzsche. Por quê? Quando estão no poder as pessoas muitas vezes são induzidas a pensar que, justamente por ocuparem aquele posto, são melhores, mais capazes, mais inteligentes e mais sábias que o resto da humanidade. […]


(formou-dissecaepublica.blogspot.com)

Burrice

Descobri que pessoas burras têm o poder de me deixar muito mais irritado ainda e louco por lhes dizer umas verdades que mereceriam ouvir, mesmo sabendo que não adianta, porque é impossível convencê-las apenas com argumentos lógicos. Essas pessoas só aceitam o que passa pelo seu crivo interno, que funciona de uma maneira estranha, só compreensível por elas.


Particularmente, sempre desconfiei que a burrice fosse uma doença e também contagiosa, quando disseminada entre multidões ou mesmo no convívio em pequenos grupos sociais. E, de fato, o que eu supunha, agora é uma certeza, depois que minhas pesquisas me levaram a concluir que burrice é uma doença que não só é contagiosa, como pode ser genética. Resumindo, existem três tipos de burrice: a de nascença ou por doença; a adquirida por contágio na convivência e a por negligência ou defeito de personalidade por inércia. Qualquer que seja o caso, ela é extremamente nociva para os que sofrem do mal e para os que convivem com o acometido. O curioso nisso tudo é que a pessoa que sofre de burrice não tem consciência de que possui essa anomalia e, por isso, não procura mudar. Continua, assim, a espargir os efeitos do seu comportamento, como se fosse um vírus.



O problema é que, além da preguiça mental, as pessoas não admitem que são burras, preferem continuar como estão e ofendem-se se alguém lhes aconselhar a mudar de comportamento.



(formou-dissecaepublica.blogspot.com)

21/01/2009

O insuportavelmente bom prazer de Clarice Lispector



O prazer nascendo dói tanto no peito que se prefere sentir a habituada dor ao insólito prazer. A alegria verdadeira não tem explicação possível, não tem a possibilidade de ser compreendida - e se parece com o início de uma perdição irrecuperável. Esse fundir-se total é insuportavelmente bom - como se a morte fosse o nosso bem maior e final, só que não é a morte, é a vida incomensurável que chega a se parecer com a grandeza da morte. Deve-se deixar inundar pela alegria aos poucos - pois é a vida nascendo. E quem não tiver força, que antes cubra cada nervo com uma película protetora, com uma película de morte para poder tolerar a vida. Essa película pode consistir em qualquer ato formal protetor, em qualquer silêncio ou em várias palavras sem sentido. Pois o prazer não é de se brincar com ele. Ele é nós.


07/01/2009

O risco que todos corremos

Em um mundo cheio de idiotas como o nosso, se em algum momento pairar a dúvida sobre ser-se ou não um idiota, o melhor que se tem a fazer é ficar quieto, pois, do contrário, fazer ou dizer algo é correr o risco de ter toda dúvida esclarecida.

27/12/2008

Convivendo com hipócritas ( em homenagem a alguém muito especial)

O pior da vida é não ser possível perceber a hipocrisia antes de conviver com ela.

Hipócrita: dizem que são o que de fato nunca entenderam.

Hipócritas insistem em mentir, para tanto se empanturram de frases feitas.

Frase típica de um hipócrita: "Não fui eu."

Segunda frase típica de um hipócrita: "A culpa não é minha."

16/12/2008

Pobreza e alegria não dormem na mesma cama






Uma das frases mais idiota que já tive o privilegio de ler diz que ser pobre é um estado de espírito. Acho que o idiota que afirmou isso nunca passou fome, nunca teve o estômago doendo por falta de comida, nunca desmaiou por falta de comida, nunca ficou doente por falta de comida, nunca sentiu frio por falta de roupa, nunca se sentiu abandonado por falta de um teto.

Alexsandro

02/12/2008

A MUDANÇA DOS SETE PECADOS CAPITAIS

1) Orgulho POR Autopromoção - Hoje em dia, ninguém se orgulha mais de si ou da vida que leva. No entanto, as idéias de auto-estima e de autopromoção substituíram as de honra e dignidade.

2) Inveja POR Dissimulação - A inveja, e seu eterno contraponto, a vaidade, por sua vez, tornaram-se dissimulação, máscaras bem educadas do sentimento de despeito.

3) Gula POR Mania de juventude - A anorexia, a bulimia, apresenta-se como o contrário da voracidade da gula apenas na aparência. Na verdade, trata-se apenas de uma nova forma da secular fome insaciável de juventude.

4) Avareza POR Consumismo - O mesmo (ou o inverso) acontece entre a antiga avareza e o consumismo contemporâneo, por trás de uma aparente contradição, encontramos um miserável cercado pelo luxo.

5) Ira POR Deboche - O escárnio é a principal forma de expressão do ódio. Quem tem raiva, debocha, ironiza, ridiculariza os seus adversários. A ira se transformou em sarcasmo.

6) Luxúria POR Voyeurismo - O pecado da luxúria, que nos levava a pensar e a fazer sexo em excesso, é hoje um hábito de telespectadores. O vício pela imagem substituiu o vício pela sensação.

7) Preguiça POR Vício de trabalhar - O ócio, tão criativo e prazeroso em outros tempos, tornou-se uma obrigação intelectual. O fim do trabalho manual escravizou as mentes pós-modernas.

Povo e massa

O povo é capaz de ação
O povo é um conjunto de presenças
O povo fede
O povo tem peso, tem os pés no chão
A massa é um buraco negro - assimila tudo e não devolve nada
A massa é ausências
A massa tem cheiro de Avon
A massa não tem peso, é um conjunto de corpos perdidos no espaço

27/11/2008

DIREITO À PREGUIÇA


Se fosse possível por um toque de mágica arrancar do coração dos homens e mulheres que trabalham a tola ideia de que trabalhar dignifica e se ao invés dessa ignóbil moral de escravo tivéssemos em seu lugar a ideia de que quanto menos trabalho existir melhor, esses homens e mulheres seriam outros. Mas esse homem e mulher, corrompidos pelas ideias capitalistas, segue em cortejo o maldito encantamento dos bois de carroça, assim como bem falou Paul Lafargue:
Tal como Cristo, dolente personificação da escravatura antiga, os homens e as mulheres sofrem penosamente, desde há um século, o duro calvário da dor: desde há um século, o trabalho forçado parte-lhes os ossos, mortifica-lhes a carne, arrasa-lhes os nervos; desde há um século, a fome contorce-lhes as entranhas e alucina-lhes a cabeça!...
Ó Preguiça, tem piedade da nossa longa miséria! Ó Preguiça, mãe das artes e das nobres virtudes, sê bálsamo para as angústias humanas!"
 Chega de clamar por direito ao trabalho, é hora do direito à preguiça.

15/11/2008

Os Cinco Livros Que Mais Me Influenciaram


Pergunta um: Qual foi o primeiro livro que te fez perceber que alguma coisa estava errada (com o planeta/sistema político/sistema econômico, etc.)?

Jensen: Não foi um livro. Foi a destruição de lugar após lugar que eu amava. E foi a completa insanidade de uma cultura onde tantas pessoas trabalham em trabalhos que elas odeiam: O que significa quando a vasta maioria das pessoas gastam a vasta maioria de suas horas acordadas fazendo coisas que elas preferiam não fazer? A própria cultura me convenceu de que alguma coisa estava errada, ao ser tão extraordinariamente destrutiva, da felicidade humana, e muito mais importante, do próprio mundo. Tendo dito isso, o livro The Natural Alien de Neil Evernden foi o primeiro que eu li que me fez saber que eu não era insano: que a cultura é insana. Foi o primeiro livro que eu li que não tomou a visão mundial utilitária da cultura dominante como realidade admitida.

Pergunta dois: Qual livro você daria para cada político?

Jensen: Um que exploda. Antes de você se assustar, vamos mudar a pergunta e ver o que você pensa: Qual livro você daria a Hitler, Goering, Himmler, e Goebbels? Vamos perguntar isso de outra forma: Um livro mudaria Hitler? Eu acho que não. A não ser que ele explodisse. E antes de você se assustar com a comparação de políticos modernos com Hitler e sua turma, tente ver isso da perspectiva do salmão selvagem, dos ursos pardos, do atum-rabilho, ou qualquer um dos seres humanos pobres (financeiramente) ou indígenas. Aqueles que estão agora no poder são mais destrutivos do que qualquer um já foi. E eles são em sua maior parte psicologicamente inatingíveis. E se alguém consegue atingir algum político, esse político não estará mais no poder.
Recentemente eu dividi um palco com Ward Churchill. Ele disse que a diferença principal entre os E.U.A. e os Nazistas é a de que os E.U.A. não perderam. Eu respondi com uma palavra: "Ainda."

Pergunta três: Que livro você daria para cada presidente de uma empresa?

Jensen: Veja acima.

Pergunta quatro: Que livro você daria para cada criança?

Jensen: Eu não daria um livro para elas. Os livros são parte do problema: essa estranha crença de que uma árvore não tem nada a dizer até que seja assassinada, seu corpo transformado em polpa, e então pessoas (humanas) mancham esse corpo com palavras. Eu levaria as crianças para fora, e as colocaria cara a cara com esquilos, libélulas, girinos, beija-flores, pedras, rios, árvores, camarões-de-água-doce. Tendo dito isso, se você vai me forçar a dar um livro para eles, teria que ser The Wind in the Willows, que eu espero, iria lembrá-los de sair para fora.

Pergunta cinco: É o ano 2050. As calotas de gelo estão derretendo, os níveis do mar estão subindo. Você só pode levar um livro na Arca. Qual seria?

Jensen: Eu não levaria um livro, e eu não entraria na arca. Eu me mataria (e levaria uma represa junto comigo). Eu não quero viver sem uma base de terra viva. Sem uma base de terra viva eu já estaria morto. Nenhum livro iria nem remotamente compensar. Nem um milhão de livros. Nem um milhão de computadores. Nem um milhão de pessoas iriam compensar.



Derrick Jensen