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16/09/2012

Pátria e Fronteira. Identidade e estrangeiro

Considerar-se estrangeiro é viver tendo como referência uma pátria. E as páttrias são delimitadas por fronteiras. São em nome das pátrias que se geram os estrangeiros, os párias. E como bem disse Zygmunt Bauman:
A despeito do que dizem os guardas de fronteira, as fronteiras que eles protegem não foram traçadas para defender a singularidade das identidades já existentes... o oposto é a regra: as identidades 'comunitárias' ostensivamente são subprodutos ou conseqüências do infindável (e por essa razão tanto mais febril e feroz) processo de estabelecimento de fronteiras.
 
Alexsandro 

16/11/2010

A fronteira e o fluxo de alteridades


A fronteira demarca uma territorialização. O que significa territorialização? Significa a criação de um território como produto de um processo de subjetivação, fruto de “dobras”, dos agenciamentos dos fluxos, dos movimentos de imagem, de som, de palavras, de matérias, de sentimentos que caíram nas malhas de um poder. Neste sentido, a noção de fronteira é um agenciamento, um dispositivo de poder.

Mas faz-se necessário compreender que a fronteira não é uma categoria fixa, pelo qual um território se constituiria, mas algo em movimento. Entre o dentro e o fora, por ela circulam potências e sentidos. Se em um momento ela se apresenta como uma área de resguardo e de defesa de amplos espaços que dizem respeito a um poder central, recebendo tratamento periférico desde o centro de poder que a domina, em outro, ela não deixa de ser um campo de batalha, uma região rizomática e fragmentada que instaura uma falsa totalidade. Por conta disto, ao tratar de fronteira, devemos percebê-la como um espaço de negociação, de lutas, como uma ‘linha’ sempre em construção, como um espaço de circulação de alteridades e de afetos.

A alteridade é plural. O outro é sempre múltiplo. Na fronteira o outro é múltiplo. ‘Outros’ e ‘nós’ que são multiplicados pelos entreolhares de uns sobre os outros. Se o ‘nós’ e os ‘outros’ são múltiplos, múltiplas serão as formas pelas quais seremos afetados, assim como as formas pelas quais afetaremos. Na circulação desta alteridade os antigos ambientes afetivos se tornam ultrapassados para expressar novos afetos - movimentos de transformações que se fazem pela e na destruição e no evaporar de certos mundos, de certas configurações culturais, de certas relações sociais, de certos sentidos e de certas fronteiras. Sentidos que se perdem, que deixam de ser, que somem, e no reverso, sentidos que vêm, se acham, que passam a ser, que aparecem. As linhas que traçam as fronteiras são também linhas de conexão. Fronteira móvel, que debita a fronteira oficial, que faz circular outros e mais outros que os territórios institucionalizados não retêm.


Alexsandro