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12/01/2014

A infância não é da criança

Como ainda podemos afirmar que a infância é um tempo de coisas boas, sobretudo quando os adultos teimam em estragá-la, tirando dela seus prazeres e possibilidades? Poucas coisas humanas são tão vigiada e regulada quanto a infância. Poucas coisas sofrem as intervenções dos adultos quanto a infância. 
A infância não é da criança, é um território ocupado pelos adultos que, sabendo ou não, agem como fascistas, ocupando todos os espaços e fazendo daquilo que a principio é pura energia e exaltação, um lugar de conflitos e batalhas no qual só há perdedores: crianças transformadas em adultos que transformarão outras crianças em adultos.

Alexsandro

26/10/2010

Há uma gereção do conhecimento?

1. Será que se as crianças tivessem consciência do que os seus pais estão fazendo com elas hoje, elas aceitariam de bom grado? Será que elas ficariam felizes se tivesse consciência de que estão sendo educadas para se tornarem apenas alguém capaz de ser explorado pelo mercado?

2. Toda nossa educação tem como meta o mercado? É isso? Filas e filas de educadores enchem salas de aulas para fazer essa meta ser alcançada? Será que é desse tipo de educador que realmente precisamos?

3. A decadência da nossa cultura não é exatamente porque faltam educadores ou uma educação que vislumbre outras preocupações para além do mercado?

4. O que nossas escolas conseguiram fazer conosco até hoje não foi senão um adestramento violento, tornando um crescente número de homens e mulheres apenas qualificados para serem explorados pelo mercado. É mais disso que precisamos que nossas escolas façam com as crianças? Se for, não é a nossa visão realmente muito estreita?

5. Há no Brasil alguma escola que ofereça uma educação "nobre" para as crianças? Quando falo em educação nobre quero dizer, uma educação que não seja dirigida pela mediocridade do estado ou de um empresário. Nossas escolas estão entupidas, nossos professores sobrecarregados e tornados estúpidos. Por que isso não é um escândalo?
Alexsandro
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20/10/2010

Pode parecer estranho, mas professor tem que estudar

A crença na afirmação de que ser professor é um dom, não faz mais sentido. O magistério é uma profissão e, como todas as outras, requer empenho. Isso significa que professor não funciona por inspiração, professor tem que estudar e estudar muito. Professor que não estuda, que não lê, e quando digo ler, estou falando de boas leituras, leituras teóricas dos conteúdos, deveria comprar uma corda e se enforcar (opa! escapou), digo, deveria procurar fazer outra coisa.
No momento em que escrevo esse texto ( pouco depois da meia noite), um vizinho idiota passa com o som do carro a toda altura, fazendo todos nós ouvirmos uma música também idiota, provando para todo nós o quão idiota ele é, e eu fico me perguntando, quem educou esse idiota? Esse homem obrigatoriamente passou por uma escola, pode até ter feito um curso superior, e eu pergunto: o que saiu errado? Não sei. Podemos pensar em mil respostas, inventar mil desculpas, mas uma delas infelizmente tem a ver com o nosso tipo de educação escolar e com a formação dos professores que se encontram nessas mesmas escolas.
Somos parte de uma sociedade violenta, corrupta, ignorante e infeliz. As provas estão por todos os lados, basta abrir os olhos e olhar. Nossa cultura é um desastre. Nosso sistema de ensino é medíocre. Nossa política é suja. Nossa economia é um crime. O nosso modelo de família é um poço de neuroses. E a educação escolar que deveria servir para nos tornar melhores, pessoas melhores, não está fazendo isso. De fato, o que estamos testemunhando é um roubo. As escolas estão roubando a vida das crianças e dos adolescentes. A maior parte do tempo gasto na escola é puro desperdício. Troca-se a infância pelo que? Por algo muito ruim. Milhões de crianças têm gastado milhões de horas nas escolas para se tornarem o que? Um neurótico com diploma é a mesma coisa que um neurótico sem diploma. O estudo, no modelo como ele se apresenta hoje, é puro desperdício de tempo. O que nossos anos de estudos nos fizeram compreender? Quais as coisas realmente significativas que aprendemos, a ponto de mudarmos nossa forma de ver o mundo e sua complexidade? Ou, como dirá José Ângelo Gaiarsa: “O que restou em você depois de quinze anos de perda de tempo, sentado em uma cadeira, fazendo sabe-se lá o quê? Quinze anos de tortura e tédio, cujo conteúdo poderia ser aprendido em um ano, se alguém estivesse interessado nesse sentido.”
Alexsandro
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07/10/2010

Perto do Coração Selvagem

- O que é que se consegue quando se fica feliz?, sua voz era uma seta clara e fina. A professora olhou para Joana.
- Repita a pergunta...?
Silêncio. A professora sorriu arrumando os livros.
- Pergunte de novo, Joana, eu é que não ouvi.
- Queria saber: depois que se é feliz o que acontece? O que vem depois? - repetiu a menina com obstinação.
A mulher encarava-a com surpresa.
- Que idéia! Acho que não sei o que você quer dizer, que idéia! Faça a mesma pergunta com outras palavras...
- Ser feliz é para se conseguir o quê?


Clarice Lispector