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06/04/2014

Dá muito trabalho ser feliz


É muito esforço, pelo que percebo ser feliz dá muito trabalho, sai caro e exige muito empenho e dedicação. Entre tantas outras coisas, tem que ter dinheiro, tem que morar numa bela casa, tem que ter um animal de estimação e levá-lo no pet shop toda semana, comprar ração, sair para passear, ver o bicho defecar e fazer xixi.
Depois tem que ter carro, mas não basta ter carro, tem de trocar de carro todo ano (e o trabalho que dá lidar com toda documentação do carro novo).
Também não basta ser saudável, tem que ficar magro, gostoso, atleta olímpico de ponta. Precisa frequentar uma academia. Ir ao cabeleireiro toda semana, fazer as unhas, limpeza de pele. Sem contar as idas às clinicas de estéticas e todos aqueles tratamentos contra celulite, gordura localizada. Aparelho nos dentes é fundamental para ser feliz. Um silicone aqui e ali também não pode faltar. Um guarda roupa completíssimo, afinal ninguém é feliz repetindo roupas.
Tem que entrar numa faculdade (e não vale qualquer faculdade).Tem que ser bom nos estudos, afinal ninguém poder ser feliz se for considerado o idiota da sala ou se não tiver coisas inteligentes para falar.
Na vida profissional tem que fazer sucesso, não basta estar empregado, tem conseguir um bom emprego. Tem que ser o tal: ter cartão de visita, ir a jantares em restaurantes chiques e hotéis cinco estrelas.
Tem que estabelecer metas e depois tem de realizá-las (processo que exige empenho todos os dias). Tem que se focar nas emoções positivas, nos momentos bons (não sei o que se faz com os momentos ruins quando se vive para ser feliz). Tem que ler livros de autoajuda para aprender a focar naquilo que traz bem-estar e satisfação. Sem falar de todo esforço para conseguir o tal autoconhecimento.
Tem de aprender a tocar um instrumento (afinal ninguém é feliz se não puder animar uma festa, ser o centro das atenções).
É preciso ser assinante de TV por assinatura e ter Internet rápida. Tem que ter um celular de última geração e com ele estar conectado o dia todo: Facebook, Blog, e-mail, WhatsApp, Twitter, etc.
Tem que ter atrativos para atrair outras pessoas para sua casa, principalmente os amiguinhos dos seus filhos: vídeo games, brinquedos “ultramegapowers”, uma geladeira repleta de coisas gostosas, estar disposto para passear no shopping sempre que possível. (De qualquer forma ir ao shopping é fundamental para ser feliz).
Tem que viajar, principalmente para lugares que seus amigos desejam conhecer, pois, desta forma, você faz duas coisas que também são fundamentais para ser feliz, conhecer um lugar novo todo ano e fazer inveja aos infelizes que não podem viajar.
Na vida amorosa... nem vou tocar nesse assunto, basta dizer o quanto me assusta ter de pensar em declarações de amor eterno e  jantares a luz de vela, lingerie nova e depilação sempre em dia. Fazer coraçãozinho com as mãos é demais para mim.
Acho que prefiro ser infeliz, é mais fácil, mais simples, não custa quase nada e eu posso ser eu mesmo (seja lá o que isso signifique, afinal não preciso me preocupar em ser esse tal de “eu mesmo” para ser infeliz). É, ser infeliz dá muito menos trabalho.
P.S.: ¿Como não percebi isso antes? Tudo teria sido bem mais fácil.



Alexsandro

11/11/2012

Ceticismo básico

Busque ser cético. Jamais acredite em idéias que se querem verdadeiras por si mesmas. Se apegue as possibilidades dos fatos. Recuse qualquer explicação que se queira universal. Todos os fenômenos são arbitrários.

Todos nós somos filhos do nosso tempo. Não somos soberanos diante do mundo e do tempo. Não somos soberanos de nós mesmos. Somos finitos no tempo e no espaço. Do que sabemos, só sabemos um pouco. Das outras épocas sabemos muito menos. Somos prisioneiros de uma época, a nossa época. Não existe a máquina do tempo que nos faça ultrapassar a fronteira que limita o momento. Somos, falamos e pensamos no momento. Tudo o que somos, falamos e pensamos é limitado ao nosso tempo e ao nosso espaço.

Não existem verdades a serem descobertas, existem discursos a serem produzidos.

Somos sujeitos subjetivados, construídos sobre discursos que nos constituem. Estamos presos a tais discursos.
 
Sobre homens e mulheres não há muito para saber. Embora muito a ser feito.

Alexsandro

30/04/2012

Ceticismo básico

O fanático procura sempre uma resposta que justifique seu posicionamento, sempre procura e encontra uma saída, por mais absurda que seja.

Os livros de autoajuda são a porta de entrada para uma fabrica de desmiolados. Quando alguém passa por um problema em sua existência que procure apoio em pessoas e profissionais sérios. O que as práticas de autoajuda fazem é aumentar o buraco na qual uma pessoa se encontra. Devemos tem como guia as nossas reais possibilidades e são sobre essas reais possibilidades que devemos pensar positivamente.

Duas verdades não podem ser contraditórias. Quando duas verdades se contradizem ou uma delas é falsa ou as duas são falsas. Já a possibilidade das duas serem verdadeiras não existe.



Alexsandro